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12 de Novembro de 2018

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Edição nº 867 / 2016

15/04/2016 - 06:37:05

Pesquisa da Ufal pode ajudar no tratamento da diabetes

Mestrandos analisaram uma proteína capaz de preservar o pulmão de diabéticos

JOSÉ FERNANDo MARTINS Especial para o EXTRA
Projeto foi coordenado pelo então mestrando Tales Lyra Oliveira, que hoje faz doutorado em São Paulo

Cerca de 415 milhões de pessoas vivem com diabetes em todo o planeta. Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), a cada 11 adultos no mundo, um sofre dessa doença crônica que afeta o modo como o corpo processa o açúcar no sangue. Entre as complicações causadas pela diabetes estão os danos causados no pulmão ocasionando infecções respiratórias. Porém, essa realidade poderá ser revertida. Dentro de um dos laboratórios do Instituto de Química e Biotecnologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), uma pesquisa já ganhou notoriedade no universo acadêmico. 

Um grupo de pesquisadores estudaram a função da proteína SGLT1 no tecido pulmonar e os resultados comprovados em ratos de laboratórios podem beneficiar, embora a longo prazo, os que sofrem com o diabetes. Os experimentos em animais diabéticos foram realizados com a injeção de dois tipos de fármacos: um para estimular o efeito da proteína SGLT1 e outro para bloquear o efeito dela. A pesquisa comprovou que a proteína diminui a concentração de glicose no pulmão e a proliferação bacteriana no líquido de superfície das vias, o que reduziria riscos de pneumonia.

Quem encabeçou o projeto foi do então mestrando em Ciências da Saúde, Tales Lyra Oliveira, sob a orientação do professor de Ciências Biomédicas, Robinson Sabino Silva, que atualmente leciona na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). “Sou formado em fisioterapia e sempre gostei da parte de terapia intensiva de fisioterapia respiratória. Mostrei para o orientador algumas pesquisas recentes que demonstraram que o diabético, quando não está fazendo o tratamento, tem maior predisposição de ter infecção pulmonar. Então um grupo do Japão começou a estudar o muco do pulmão para entender a razão do diabético ter esse risco maior de pneumonia”, explicou Oliveira sobre o ponto inicial de sua pesquisa.

O estudioso, que no momento faz doutorado em São Paulo, contou com a ajuda de outros três pesquisadores da Ufal. Segundo a doutoranda, Polliane Cavalcante, “o estudo mostra um possível alvo para o desenvolvimento de novos fármacos para ajudar os pacientes diabéticos a terem uma diminuição da glicemia no pulmão que pode evitar diversas enfermidades”. A biomédica e doutoranda Návylla Candeia Medeiros também contribuiu ao projeto. “Os testes foram realizados animais portadores de diabetes tipo 1, que corresponde uma porção menor da população, além de ser uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células que produzem insulina”. 

A pesquisa contou ainda com o pesquisador Igor Santana Melo. “Foi uma oportunidade e superamos todos os desafios para desenvolver um bom trabalho. Estamos esperançosos para que a pesquisa traga frutos mais adiante”.  

A doença

Quem tem diabetes sofre mais com infecções já que o excesso de glicose no organismo tende a causar danos ao sistema imunológico. Os glóbulos brancos, responsáveis pelo combate a vírus, bactérias e outros agentes infecciosos, ficam menos eficazes com a hiperglicemia. Conforme o orientador da pesquisa, Robinson Sabino Silva, “a avaliação foi realizada apenas em ratos e teve o objetivo alcançado. Agora é testar nos humanos, mas não temos data especifica para isso, pois dependemos de recursos, que podem demorar”. 

A pesquisa abre uma gama de possibilidades para o desenvolvimento de fármacos para o tratamento de infecções respiratórias em pacientes diabéticos no âmbito hospitalar. “Mostramos que algumas drogas poderiam melhorar o funcionamento dessa proteína”, explicou.

Intitulada “Atividade do SGLT1 em células alveolares do pulmão de ratos diabéticos”, o trabalho foi realizado pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O estudo foi publicado em março pela revista “Scientific Report”, uma das mais conceituadas do mundo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de pessoas com diabetes está crescendo em países de média e baixa renda. Além disso, um a cada sete partos é afetado por diabetes gestacional. A expectativa é de que, em 2040, 642 milhões de pessoas sejam diagnosticadas.

Diabetes é uma doença crônica que ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou quando o corpo não pode usar eficazmente a substância que produz. A insulina, um hormônio que regula o açúcar no sangue, é responsável por fornecer a energia que o ser humano precisa para viver. Sem a presença dela no organismo, o açúcar se acumula a níveis prejudiciais no sangue

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