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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 866 / 2016

08/04/2016 - 07:55:47

Quem matou Celso Daniel?

Sucessão de sete assassinatos misteriosos para encobrir mandante(s) desafia investigação interrompida graças a Luriam, filha de Lula

Reinaldo Cabral Especial para o EXTRA

Quem seria capaz de assentar 384 mil famílias  - quase 3 milhões  de pessoas – ao longo de duas décadas, prometendo-lhes terra sob a bandeira da reforma agrária e depois frustrá-las,sem garantir sequer um palmo de terra para nenhuma delas?

Quem seria capaz de prometer saúde e educação para milhões de pessoas e 13 anos depois à frente da Presidência da República frustrá-las com cursos e financiamentos inexistentes, escolas caindo aos pedaços, postos de saúde sem médicos nem remédios?

Quem seria capaz de oferecer segurança para todos mas, ao mesmo tempo, estimular o aumento da impunidade?

FIM DO MISTÉRIO?

Com a prisão do empresário e  dono do jornal “Diário do Grande ABC”, localizado na cidade de Santo André (SP), Ronan Maria Pinto, na sexta-feira da semana passada, pela Polícia Federal na 27ª fase da Operação Lava a Jato, denominada Carbono 14,o juiz federal Sérgio Moro deu início a uma linha de investigação capaz de levar a uma sucessão de assassinatos, entre eles o do prefeito Celso Daniel, cujo modelo de crimes é semelhante àqueles sob o planejamento de  um psicopata.

FIO DA MEADA

Não à toa, Carbono 14 foi o nome dado a essa etapa da Operação Lava a Jato.

Como a ocultação de crimes é uma característica básica das execuções planejadas por uma mente psicopata – e isso está presente em várias ações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sérgio Moro, com assessoria de psiquiatras especializadas e de promotores experientes logo avistou uma luz no fim do túnel em meio a nuvens que pareciam cair sobre as investigações em que o ex-presidente foi citado.

Moro recuou no tempo atrás do fio da meada e lá encontrou uma sucessão de crimes com ligação com a Petrobras e um notável abalo sísmico toda vez que as investigações ameaçam envolver o ex-presidente Lula.

Talvez por isso o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, nunca chegou ao(s) mandante.

Veja o ambiente que cerca o prefeito assassinado, coordenador da primeira campanha do Lula à Presidência da República: todos os empresários donos dos ônibus que circulavam em Santo André ficam tensos o tempo todo, obrigados a entregar  propinas para a campanha de Lula.

Quando foi assassinado, no trecho entre São Paulo e Diadema, Celso Daniel estava na companhia  do seu secretário particular - Sérgio Gomes - conhecido como Sombra, que junto com Ronan chantageava diretamente os donos das empresas de ônibus, pegando dinheiro mensalmente para a campanha de Lula.

Como o fluxo de grana para a corrupção estava enriquecendo os arrecadadores, Lula sugeriu a Celso Daniel  para modificar o esquema. Então Celso passou a fazer isso pessoalmente, contam pessoas próximas a Ronan.

Por isso, quando Celso foi assassinado Ronan ameaçou, através de Sílvio Pereira, então secretário-geral do PT (também preso na sexta,1), contar tudo às autoridades, a não ser que Lula lhe entregasse R$ 6 milhões.

Foi aí que o pecuarista José Carlos Bumlai entrou em cena como amigo pessoal do Lula: soube da chantagem e arrancou os R$ 6 milhões da Petrobras.

Com essa propina, Ronan Maria Pinto comprou o “Diário do Grande ABC”.

Queima de arquivo

 Daniel seria até fácil de esquecer no emaranhado de fatos e eventos articulados por uma mente enferma se não tivesse sido seguido por uma sucessão de sete assassinatos de testemunhas e pessoas diretamente envolvidas, e cujos autores sempre foram ocultados de um modo ou de outro, por diferentes investigações.

De novo, a ocultação da autoria de assassinatos se mantém presente, numa escalada criminológica amiúde e surpreendente, onde o dedo do principal mandante do assassinato de Celso Daniel se movimenta através de parentes, aderentes,amigos, colegas.

E assim, ao longo das investigações, são assassinados:

1 - Dionísio Aquino Severo  – suposto sequestrador de Celso Daniel e uma das testemunhas. Fuzilado em novembro de 2002.

2 - Otávio Macier – investigador da Polícia Civil, que telefonou para Severo na véspera da morte de Celso Daniel. Morto a tiros na sua casa.

3 - Sergio “Orelha” – teria escondido Dionísio após o sequestro. Foi fuzilado também em novembro de 2002.

4 - Antônio Palácio de Oliveira – garçom que serviu Celso Daniel na noite do crime, morreu em fevereiro de 2003 após ser perseguido em sua moto ao sair do trabalho.

5 - Paulo Henrique Brito – testemunha da morte do garçom. Foi morto com um tiro nas costas, 20 dias depois.

6 - Iran Moraes Pádua – agente funerário,f oi o primeiro a identificar o corpo de Celso Daniel e chamou a polícia. Morreu dois dias depois com dois tiros, também em novembro de 2002.

7 - Carlos Alberto Delmonte Printes – médico legista que constatou indícios de tortura ao examinar o corpo do prefeito  Celso Daniel.

Wilder Filho, que integrou a equipe de policiais da Polícia Civil de São Paulo, pede para incluir Luriam, filha do Lula como tendo um papel importante nessa trama para se interromper qualquer investigação que leve ao nome do pai. Veja que coincidência: Luriam é mulher de Marcelo Sato, sobrinho da delegada do 78º DP, Elizabete Sato.

TAPANDO O SOL 

C0M A PENEIRA

Como sempre ocorria na antiga Máfia Siciliana, a delegada Sato, que sempre deu provas da sua competência profissional em outras investigações, ofereceu à DHPPH – Delegacia de Homicídios e de Proteção a Pessoa Humana, um relatório  cheio de erros primários, para comprovar a tese dominante na DHPPH de que o assassinato de Celso Daniel teria sido um crime comum.

Como não há crime perfeito, segundo a história da criminologia mundial, uma perícia da Polícia Civil de São Paulo provou que Celso Daniel, antes de morrer. sofreu “uma tortura clássica”, só comum  em assassinatos planejados.

Um fato inescondível: o PT arrecadava R$ 100 mil por mês com o sistema de transporte de Santo André. Mas isso se transformou numa verdadeira mina quando a prefeitura passou a utilizar os radares eletrônicos: a propina mensal pulou para R$ 50 milhões.

Quando foi assassinado Celso Daniel guardava R$ 300 milhões em dinheiro vivo em casa e só Lula, Sérgio Gomes e Ronan Maria Pinto sabiam disso.

Agora a prisão de Ronan Pinto criou a expectativa entre autoridades policiais de São Paulo de que finalmente o mistério que envolve o assassinato  de Celso Daniel estava para ser desvendado.

Mas Ronan Pinto, ouvido por Sergio Moro na última segunda (4), imitou o chefe:“ Não sei de nada. Sou inocente”.

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