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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 866 / 2016

08/04/2016 - 07:36:55

Desvio de recursos do Grupo João Lyra é confirmado

Empresário mantém conta secreta na Suíça que não foi declarada ao Fisco

Vera Alves [email protected]

Dois anos depois de ter denunciado, sem sucesso, o desvio de recursos da Massa Falida da Laginha para o exterior, Tadeu Azevedo Pereira de Lyra, sobrinho do ex-deputado e usineiro João Lyra,  viu finalmente sua chance de vingança estar mais próxima de se tornar realidade. No domingo passado, ele foi um dos muitos telespectadores que acompanharam pelo Fantástico a divulgação dos resultados da investigação jornalística internacional que revelou os nomes de centenas de políticos e empresários de vários países com contas em paraísos fiscais através de offshores no Panamá.

O Panama Papers, nome da série investigativa desenvolvida pelo ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), confirma o que há vários anos se suspeitava sobre JL: o ex-deputado continua rico, só que guarda a fortuna em um paraíso fiscal enquanto mais de 10 mil trabalhadores e centenas de pequenos empresários amargam a dura espera de receberem salários, direitos trabalhistas e pelos serviços prestados ao extinto Grupo JL.

Em julho de 2014, o EXTRA publicou as denúncias de Tadeu Lyra (http://novoextra.com.br/outras-edicoes/2014/778/13962/sobrinho-acusa-joo-lyra-de—desviar-recursos-para-o-exterior). Levadas ao Ministério Público do Trabalho, elas foram encaminhadas ao juiz Mauro Baldini, à época à frente do processo de falência da Laginha que tramita desde 2008 na Comarca de Couripe. Desafeto assumido de JL, Tadeu se colocou à disposição inclusive da Polícia Federal para depor sobre o esquema que, segundo ele, tinha como operadora uma das mais fiéis colaboradoras do usineiro, a nissei Silvia Sacuno. Não deu em nada.

Nem mesmo as acusações de que juízes de primeira instância estariam fazendo vistas grossas às artimanhas do usineiro para retardar o pagamento a seus milhares de credores surtiram efeito. Em novembro de 2014, a Corregedoria-Geral de Justiça do TJ de Alagoas arquivou as denúncias feitas por Tadeu Lyra por considerá-las infundadas. “Ora, é hialino que denúncias colacionadas nos autos pelo manifestante Tadeu Azevedo Pereira de Lyra são insustentáveis, pois o magistrado a quo foi esclarecedor nas informações prestadas e que os documentos acostados aos autos sustentam essa comunicação e desfiguram as afirmações feitas às fls. 2/10”, afirma o parecer da CGJ.

Acumulando anos de revolta contra o “tio Joca”, Tadeu Lyra, cuja esposa teve um caso com o usineiro, com quem passou a morar, voltou esta semana a disparar e-mails e postagens nas redes sociais para cobrar a apuração de suas denúncias. 

Mas não é apenas ao sobrinho que JL, cuja dívida com credores é estimada em mais de R$ 2 bilhões, deve temer. Diante das revelações do Panama Papers, a Receita Federal e o Ministério Público Federal anunciaram que aguardam tão somente a validação da Justiça para ter acesso aos milhares de documentos que citam brasileiros. João Lyra é o único alagoano citado, mas chamou a atenção já que a abertura da offshore se deu em 2009, no auge da crise envolvendo as empresas de seu extinto império.

O que diz o Mossack sobre JL

João José Pereira de Lyra já foi membro mais rico do Parlamento do Brasil, com uma fortuna de cerca de US $ 140 milhões. Ele serviu no Congresso Nacional várias vezes ao longo dos anos, no Senado 1989-1991 e na Câmara de 2003 a 2007 e novamente de 2011 a 2015. Como um homem de negócios com empresas que operam na cana-de-açúcar, álcool e outras indústrias relacionadas à agricultura, Lyra foi forçado a defender a si mesmo e suas empresas contra as alegações do governo de que os trabalhadores para uma de suas fazendas trabalhavam em condições análogas à escravidão. As acusações ainda estão pendentes no tribunal.

Dentro os dados Mossack Fonseca o ex-membro do Congresso não divulgou sua exploração offshore ou de conta bancária na Suíça.

Em 2009, a Lyra foi concedida uma procuração para Refill Trading Corp A empresa foi incorporada no Panamá em janeiro de 2009 e manteve-se ativa até março de 2016, um período que incluiu o empresário e mais recente mandato do Partido Social Democrata político na Câmara, de 2011 a 2015. Refill Negociação usa ações ao portador, um instrumento financeiro utilizado para ocultar os proprietários de empresas. A empresa offshore do Panamá abriu uma conta em banco privado suíço Pictet, listando Lyra como seu único signatário autorizado. Ele não revelou seu controle sobre Refill negociação ou a conta bancária na Suíça em suas declarações de bens de 2010 ou em 2014 como um candidato para a câmara baixa do Congresso Nacional. Mossack Fonseca identifica Lyra como pessoa politicamente exposta a partir de 2009.

Procurado pelos jornalistas que atuaram na investigação, Lyra não respondeu aos repetidos pedidos de comentário.

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