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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 865 / 2016

08/05/2016 - 20:05:34

Máquina de fazer doido

Jorge Morais

O meu amigo e radialista França Moura, profissional sério e muito competente, quase que diariamente diz em seu programa Cidadania, na Rádio Correio, que o último cidadão que resolveu entender de política, foi internado no Hospital Portugal Ramalho. E isso é dito com muita propriedade, principalmente se a gente levar em conta o quadro político, hoje, em Brasília.

De dia é uma coisa e, à noite, muda tudo. Há pouco tempo, políticos que estavam juntos e misturados, agora, estão separados. Alguns políticos que durante os últimos treze anos, dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e mais cinco anos da presidenta Dilma Rousseff, comeram, se lambuzaram, espalharam milhos pelo chão, para não se perderem pelo caminho, como na história de João e Maria, mamaram nas tetas do Governo Federal durante todo esse tempo, estão pulando do barco, que deve naufragar a qualquer momento.

E não estou me referindo diretamente ao PMDB. Tem muita gente que se acha ideologicamente correta, além de alguns outros partidos, que deitaram, rolaram e mandaram esse tempo todo, mas, agora, vislumbram novos horizontes, no momento em que o governo Dilma Rousseff acabou. Entramos, então, na era dos discursos, coisa que político gosta muito de fazer.

Em 2015, o senador Renan Calheiros entrou em rota de colisão com o Palácio do Planalto, quando chegou a perder um ministro indicado por ele e alguns comissionados. Trocou “farpas” com o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e, mesmo assim, o senador alagoano se mantém firme em suas posições e convicções políticas, não sendo favorável ao quadro do “quanto pior, melhor”, não comparecendo ao encontro do seu partido, que decidiu pelo desligamento do governo.

Sem dúvida, estamos vivendo uma fase muito ruim, administrativa e politicamente, com a inflação crescente; o desemprego aumentando; o salário achatado e sem perspectiva; as indústrias com produções reduzidas; aumento assustador no número de cheques devolvidos; cartões de crédito atrasados; e o povo pagando toda essa conta perversa, fruto desse desgoverno e de sua política.  

É a Dilma Rousseff querendo resolver o problema da economia brasileira por meio das negociações políticas. É a oposição querendo a solução para a nossa crise, com a queda da presidenta. É uma ampla discussão que chegou as barras da justiça, onde a própria justiça brasileira está dividida nos Tribunais, onde juristas e advogados, muitos defendendo seus interesses profissionais, pessoais e políticos, divergem constantemente.    

Em qualquer outro País, essa crise já teria sido transformada em uma guerra. Bem menos do que isso, já vi coisas piores acontecendo. Ainda bem que o nosso povo é diferente. Como um bravo guerreiro, como um sertanejo que enfrenta a fome e a seca, está resistindo a tudo. Hoje, a elite e boa fatia do povo comum vão as ruas pedir justiça, dizer “fora Dilma” e “fora Cunha”. Do outro lado, as chamadas classes trabalhadoras, manobradas pelos sindicatos, como se do outro lado não existissem trabalhadores também, acham que está tudo bem e querem continuar assim.  

Portanto, meu amigo, quem tem razão nessa história toda: o “doido”, que resolveu entender de política e está internado ou quem está do lado de fora dos muros do hospício? Cuidado para não querer aprender muito essa história e não acabar como o cidadão que foi entender de política e se deu mal.

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