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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 865 / 2016

08/05/2016 - 19:55:26

Jorge Oliveira

A esquerda decadente

Jorge Oliveira

Brasília - É no mínimo vergonhoso, para não dizer imoral, o comportamento da Dilma depois da saída do PMDB da base do governo. A presidente mandou publicar no Diário Oficial, como medida de urgência, a decisão de liberar quase 2 bilhões de reais para alimentar as emendas parlamentares e, com isso, cooptar deputados e senadores para evitar o impeachment. Mais uma vez, a Dilma mostra que transformou o Brasil numa republiqueta de bananas e que não está a altura do cargo que exerce. Definitivamente, não representa mais o povo brasileiro. 

Isolada no Palácio do Planalto, depois que a Justiça proibiu o Lula, seu parceiro, de exercer a função de ministro do Gabinete Civil, Dilma apela para o fisiologismo cínico e descarado tentando recompor a sua base de sustentação. Joga no lixo o dinheiro do contribuinte que tanta falta vem fazendo nesses tempos de vacas magras. Mostra, com essa atitude desesperada, que entregou o país nas mãos dos ratos do seu partido e de aliados que ainda compõem o seu governo incompetente e inercial.

Já disse – e repito aqui – o governo da Dilma é esquizofrênico, estabanado, inepto. Há seis anos leva o país para o fundo do poço. Até agora não descobriu que virou presidente da república porque nunca esteve apto para o cargo. Surgiu do nada pelas mãos de Lula e de uma hora para outra plantou-se na cadeira de presidente, de onde começou a destroçar o país. Envergonha o Brasil lá fora com o seu pensamento truncado, ideias turvas e ideologia fragmentada. Ao saber que o PT arrancou a última de suas muletas, correu para o Tesouro Nacional para distribuir dinheiro aos parlamentares como se governasse sozinha, como um déspota desvairado e ensandecido.

Qual a diferença da Dilma para os outros presidentes fisiológico que passaram pelo país utilizando-se de métodos semelhantes? Nenhuma. No caso dela, o Brasil pelo menos esperava que não se sujasse com as práticas populistas, demagogas e despudoradas. Imaginava-se - e hoje percebe-se o engano – que como ela saíra das raízes esquerdistas, iria se diferenciar de seus antecessores, muitos deles políticos profissionais. Até que no inicio ela ensaiou uma faxina, desalojando ministros que considerava corruptos. Não aguentou a pressão petistas e, para se manter no cargo, virou um joguete, uma marionete nas mãos da cúpula do partido e do seu chefe Lula.

Como um paciente em coma que retorna da doença aprendendo o que esquecera, decora frases e palavras de ordem e as repetem insistentemente como se tivesse delirando. As vezes, por debilidade, esquece o script. E quando isso acontece, dana-se a falar bobagens, reunidas hoje em livros e catalogadas no folclore do besteirol brasileiro. Essa presidente não tem noção de estado, nem tampouco de governança. Desloca-se frequentemente no avião presidencial, algumas das vezes para convescotes de cortesia ou de solidariedade a amigos, como aconteceu com a visita que fez ao Lula em São Bernardo.

Age, a presidente, como se o Brasil fosse de brinquedo, daquele que se quebra e se remonta. É desprovida de sentimentos humanitários, porque não se apercebe que o seu governo está levando a miséria de volta à mesa dos brasileiros desempregados e sem esperança em um Brasil que definha como uma doença ruim. 

Só imagem

Quer passar a imagem de uma guerreira forte, valente, determinada como se fosse a única a lutar contra a ditadura. Bobagem, a resistência aos militares não foi um privilégio de poucos, mas de toda sociedade brasileira que foi às ruas dizer um basta ao regime. Como disse o Millôr, com muita propriedade, muitos dos esquerdistas que vivem hoje das milionárias aposentadorias não lutaram por uma causa, mas, sim, “por um bom investimento”. A Dilma, o Lula e outros esquerdistas de meia-tigela, fanfarrões, diante dessa desgraça brasileira, só deixam uma certeza: a incompetência de dirigir uma nação. Ao contrário do que apregoam, também são populistas e despreparados. 

Convulsão

 O Tribunal Superior Eleitoral, TSE, será responsável pela maior convulsão social do país caso não decida sobre o processo que caminha a passos de tartaruga que poderia ter como sentença final a cassação dos mandatos de Dilma e Temer. A chapa de ambos, comprovadamente, recebeu dinheiro ilegal para a campanha de 2014 e, portanto, pela legislação, os dois teriam que perder os mandatos. Este, na verdade, seria o caminho mais sensato para se evitar uma insurgência com danos irreparáveis à democracia brasileira. O impeachment é, sim, constitucional. E como já disseram alguns juristas, e até ministros do STF, não se trata de um golpe. Mas uma nova eleição presidencial, onde os partidos pudessem livremente apresentar seus candidatos para disputá-la, este seria, sem dúvida, o caminho menos doloroso para resolver esse impasse político que pode acabar numa baderna sem precedentes no país.

O impeachment

Ao desembarcar do governo, o PMDB tira a principal escora de sua sustentação política da Dilma e se prepara para reforçar o impeachment na Câmara e no Senado. Tenta demover o presidente do Senado, Renan Calheiros, que ainda resiste ao açodamento de seus companheiros de partido para pular fora do barco da Dilma à deriva, sem comando e sem rumo. Ocorre que, na hipótese da Dilma ser afastada, o TSE não vai arquivar o processo que pede a cassação dos dois – presidente e vice. Assim, o Brasil corre o risco de em pouco tempo perder dois presidentes. O primeiro pela votação do impeachment e o segundo por decisão do tribunal se a votação for pelo afastamento dos dois.

Equipe

O PT, os movimentos sociais e sindicais não vão deixar o Temer governar. O vice-presidente não dispõe de uma boa equipe e volta e meia é citado como um dos políticos envolvidos na Lava Jato. Os petistas vão acusar o vice de traição e o seu partido de oportunista já que esteve pendurado em cargos no governo durante os últimos doze anos. Além disso, não vão reconhecer a legitimidade do seu governo e ocuparão as ruas para cobrar do PMDB a lealdade à aliança entre os dois partidos.

Guerra

Os líderes dos movimentos sociais mantidos pelo PT já declararam que não deixarão o Temer governar porque não reconhecem nele legitimidade para comandar o país. Eles torcem, em último caso, pela decisão do TSE que cassaria a chapa dos dois, uma atitude, nesse caso, mais coerente. Com o PMDB governando, os brasileiros precisam estar preparados para movimentos tumultuados e ruidosos no país a considerar o que vem dizendo desde já alguns dos comandantes desses movimentos. Gilmar Mauro, do MST, por exemplo, afirmou que Temer “não terá um dia de sossego”.

Fundamentalista

Rui Falcão, outro fundamentalista que preside o PT, alertou que uma eventual gestão de Temer não traria o país de volta à estabilidade. Ele antevê que os militantes irão às ruas com a bandeira do golpe pela quebra de mandato da Dilma. Além disso, alguns analistas não acreditam que existirá uma causa maior para que o povo se manifeste a favor de Temer, já que ele e outros peemedebistas também estão contaminados pela Lava Jato, um fato que hoje motiva o movimento pelo “fora Dilma”.

A ponte

A “Ponte para o futuro”, o programa no qual o PMDB pretende se basear para iniciar o governo, é fraco, vazio e frágil para alavancar o país, criar novos empregos e fortalecer a nossa débil economia. Não se sustenta por muito tempo diante do desemprego, da inflação alta e do desajuste das contas públicas. Para agravar a situação, o juiz Sergio Moro continuará no comando da operação Lava Jato divulgando os nomes de peemedebistas ilustres envolvidos com as empreiteiras em atos de corrupção.

Cassação

Diante desse quadro de futura instabilidade política é que o papel do TSE é relevante no julgamento da chapa Dilma-Temer. A cassação dos dois iria provocar nova eleição presidencial e levaria o brasileiro a escolher o seu novo governante pelo voto direto fazendo respeitar a decisão soberana das urnas.

Não nos enganemos, os brasileiros não foram às ruas no 13 de março apenas para pedir a saída da Dilma e o expurgo do PT do governo. Eles reivindicam mais ética na política, o fim da corrupção, cadeia para os ladrões dos cofres públicos e representantes políticos e éticos no parlamento e no executivo, homens probos que orientem o país a sair da crise com ideias e projetos honestos. E diante dessas exigências, francamente, o PMDB não é o partido mais adequado para atender a esses apelos do povo.  


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