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Edição nº 864 / 2016

25/03/2016 - 10:17:01

Jorge Oliveira

Volta ao local do crime

Jorge Oliveira

Brasília – Quando o ex-presidente Lula mandou que a Justiça “enfiasse o processo dele no cu”, como mostra a gravação do celular da deputada Jandira Feghali, sabia o que estava dizendo. Dias depois, ele voltaria ao Palácio do Planalto como superministro, o mesmo local de onde comandou todos os crimes contra os cofres públicos. Lá, agora, chega como denunciado em vários crimes: lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e formação de quadrilha. Mesmo com toda essa folha corrida, continua sendo apoiado pelo PMDB, um partido de Maria vai com as outras, que não consegue encontrar uma saída ética e política para a crise do país.

Ao desabafar diante do delegado da Polícia Federal, no aeroporto de Congonhas, que iria ao Janot (Rodrigo Janot, Procurador-geral da República) quando toda essa “porra” acabar, referindo-se as investigações do seu tríplex e do sítio de Atibaia, Lula queria mostrar que tinha intimidade com o procurador. E a comprovação desse convívio também não demorou a aparecer. Saiu da antessala da Procuradoria o nome para assumir o Ministério da Justiça. Quer mais: quando a Dilma foi acuada pelas denúncias do senador Delcídio do Amaral que colocou sob suas costas a responsabilidade pela compra da refinaria de Pasadena, a presidente, em sua defesa, mostrou para todo o país o parecer do Janot que não só a inocentava como livrava a cara de todos os conselheiros da Petrobrás que, à época, lesaram a Petrobrás.  

Agora, com a confirmação da delação de Delcídio de que a Dilma esteve à frente das negociações da refinaria é de se perguntar ao Procurador-geral se não foi precipitado o veredito que a inocentou. A recondução de Janot ao cargo de Procurador Geral da República certamente não foi mera coincidência.

É assim que a coisa funciona na republiqueta das bananas. Lula, no poder, vai deitar na sopa. Arrotar prepotência diante dos seus vassalos no Congresso Nacional que tremem de medo de uma provável delação premiada do ex-presidente. Ora, se o Delcídio, ao abrir o bico, criou esse bafafá todo, imagine uma confissão de Lula que chefiou – e chefia – durante mais de uma década essa máfia de políticos e empresários. Não ficaria pedra sobre pedra se tal coisa acontecesse.

Durante os últimos anos, o Lula foi ocupando os espaços no governo porque há muito tempo a Dilma deixou de governar. Prefere os passeios de bicicletas, a modelagem do corpo; as viagens para o exterior onde se hospeda em hotéis luxuosos e restaurante requintados ao trabalho de administrar o país para o qual foi eleita por mais de 50 milhões de pessoas. Dilma traiu todos esses eleitores que, enganados ou não, votaram nela para presidente. Agora, por inépcia e incompetência, vê-se prisioneira dentro do Palácio do Planalto que, na verdade, virou um depósito de futuros presidiários.

Mensalão

Lula se impôs diante dela. Exigiu um cargo com poderes absolutos. É o mesmo que o José Dirceu exerceu para corromper os políticos e seus comparsas petistas que se envolveram no mensalão. Assusta a nação só em pensar que foi desse gabinete que Dirceu e, depois Dilma, comandaram o maior assalto às empresas públicas do país, cujos responsáveis estão sendo condenados pelo juiz Sergio Moro. O ex-presidente escolheu bem o ministério de onde vai comandar novamente a engrenagem do clientelismo porque é por lá que passam os políticos fisiológicos em busca de um troquinho para as suas campanhas.

Bravata 

A valentia de Lula diante do delegado da Polícia Federal era só bravata, como agora os brasileiros veem.  Acuado pelo juiz Sérgio Moro, ele foi se esconder embaixo da saia da Dilma, uma atitude covarde, humilhante e desprezível para um homem público. De lá, certamente só sairá para confabular com seus amigos ministros do STF, de quem ele se vangloria de tê-los como afilhados. Afinal de contas, espalha, eles só estão no cargo pela força da sua caneta.  Como também ministro, resguardado pelo foro privilegiado, vai discutir com eles de igual para igual. Os crimes cometidos, por enquanto, vão dormir na gaveta dos seus amigos e leais ministros dos tribunais.

O desbocado

O Lula é assim mesmo, gente: desbocado, deselegante e arrogante. Quando ele soltou os cachorros contra as instituições e impropérios contra os ministros do STF, ali estava o ex-presidente que governou o país durante e oito anos e enganou os brasileiros por quase 30 anos. Na verdade, o Lula é um farsante que entrega até a mãe para se livrar de incômodos que possam perturbar ou atrapalhar os seus objetivos. Como não bastasse as suas estripulias com seus parceiros petistas, o Lula envolveu toda família em atos desabonadores que corre o risco de ser presa na operação Lava Jato. Dona Marisa, sua mulher, vive hoje sob profundo estresse desde que os policiais invadiram a sua casa e o sítio em Atibaia e vasculharam tudo que estava lá dentro. De frasco de creme a objetos pessoais, os policiais reviraram todos os cômodos em busca de pistas que os levassem a provar o envolvimento de Lula nos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Chulo

As gravações de Lula com inúmeros interlocutores, interceptadas pela Polícia Federal, assustaram os brasileiros que não conheciam esse senhor de métodos chulos e rasteiros. Um homem capaz de ofender as mulheres, envergonhando-as com as suas pilhérias de botequim. O ex-presidente espalhou pânico no país pelos insultos dirigidos aos ministros do STF e a pessoas do seu próprio convívio. Nem a Dilma, companheira de infortúnio, escapou das maledicências do companheiro e da sua metralhadora giratória que soltou rajadas nos aliados e adversários. O líder de papel apareceu nu à nação e assim o povo brasileiro pode ver o seu tamanho verdadeiro.

Aspone

Já se sabia desses predicados de Lula desde que ele chefiou o país. O aspone Marco Aurélio Garcia foi uma de suas vítimas no Palácio do Planalto. Quando o chamava ao seu gabinete era sempre com um palavrão. Tratava-o como um subalterno, humilhando-o, constrangendo-o. Mas, a exemplo de outros funcionários que deixaram o Palácio do Planalto, Garcia permaneceu ao lado dele até o último dia do seu mandato. Não se incomodou muito com os maus tratos, talvez por isso teria perdido o respeito diante de seus companheiros de trabalho.

Faceta

O episódio da operação Lava Jato mostrou também outra faceta de Lula, a da covardia. Ao se sentir acuado pelo juiz Sergio Moro correu para debaixo da saia da Dilma. Pediu que o nomeasse para um cargo que iria protegê-lo das garras do magistrado. Assumiu a chefia do Gabinete Civil, mas logo a Justiça impugnou a nomeação. Um vexame para um político que já tinha passado pelo mesmo local como presidente da república. Mesmo depois de expurgado, Lula continua de gabinete em gabinete de políticos tentando salvar o mandato da Dilma que nessa altura do campeonato está na lona. A senhora do Planalto por duas vezes já disse que não renuncia e acusou de golpe o processo de impeachment, como se ainda mandasse no país que ela destroçou. 

Loucura

O governo esquizofrênico da Dilma ultrapassou os limites da razão e da racionalidade. Nomeou num ministro da Justiça que foi destituído do cargo uma semana depois da posse por ser procurador de justiça, deixando o país às escuras na área da segurança nacional. Como não bastasse uma gafe, logo em seguida cometeu outra, a nomeação de Lula para o Gabinete Civil que nem chegou a esquentar a cadeira porque nela nem chegou a sentar.

A lama

Agora, com a delação premiada de todos os diretores da Odebrecht e até do presidente Marcelo, a coisa ficou feia para o lado da Dilma e do Lula. A empreiteira, a que mais distribuiu dinheiro para a campanha de ambos, decidiu abrir o bico e levar para o canto do ringue a atual e o ex-presidente. Afogados nas denúncias, os dois certamente vão desaparecer no mar de lama quando da maré cheia. 

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