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Edição nº 864 / 2016

23/03/2016 - 19:18:44

Lava Jato vai revelar esquema de propina no Canal do Sertão

Marcelo Odebrecht quer falar e promete causar terremoto na classe política alagoana

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Marcelo Odebrecht fará deleção premiada na máfia do petrolão

A decisão dos executivos da Odebrecht em colaborar com os investigadores da Lava Jato no mesmo dia (22 de março) em que a operação da Polícia Federal chegou à sua 26ª fase deve causar um terremoto político em Alagoas.

É que este novo capítulo da mega operação que desbaratou o maior escândalo de corrupção da história brasileira chegou ao Canal do Sertão: a obra está na lista das que podem ter sido abastecidas pelo esquema de propinas via Petrobrás.

Quem recebeu propina às custas da fome e da sede do sertanejo alagoano? Houve quem usou dinheiro em campanha eleitoral? Há governadores de Alagoas no esquema? Quanto em dinheiro sobrou nas obras e encheu os bolsos dos ladrões de dinheiro públicos?

Os executivos podem contar o que os alagoanos não sabem sobre a segunda maior obra hídrica do Brasil (perde apenas para a transposição do São Francisco).

A Odebrecht é uma das construtoras envolvidas no Canal, que avança pelo sertão em trechos. Ano passado, a presidente Dilma Rousseff esteve em Alagoas para inaugurar o trecho número 3. Os outros são o 4 e o 5- também prometidos por ela.

O acordo de delação premiada só vai valer, na prática, se os executivos prestarem informações consideradas úteis aos investigadores. Marcelo Odebrecht - presidente da construtora- foi condenado a 19 anos de prisão pelo esquema.

Xepa

O Canal do Sertão, em Alagoas, entrou na lista de obras com suspeita de propina da Lava Jato, segundo apontam as investigações da 26ª fase da operação, chamada de Xepa, que apura propinas pagas em dinheiro pela Odebrecht dentro do Brasil e que envolve várias obras no país, entre elas a Arena Corinthians, chegando, também, à Petrobrás.

Os investigadores disseram não ter dúvidas que Marcelo Odebrecht participou do esquema de pagamento de propinas.

Segundo a força-tarefa, a partir do material apreendido na 23ª fase - Operação Acarajé -, que prendeu o marqueteiro do PT João Santana, foram descobertas planilhas de controle dos pagamentos de propina da Odebrecht. A empreiteira pagou pelo menos US$ 3 milhões em conta secreta do marqueteiro na Suíça.

As planilhas tinham codinomes, valores, assim como os locais onde as propinas eram entregues. Havia uma contabilidade paralela, que detalhava a ação de um sistema de informática clandestino- tudo para irrigar as propinas, mesmo com a prisão de Marcelo Odebrecht.

“Nós temos diversas diretorias [da empresa] envolvidas, não apenas a Petrobras. Óleo e gás, ambiental, infraestrutura, estádio de futebol, canal do sertão e diversas outras obras e áreas da Odebrecht que estão sendo investigadas hoje pelo pagamento de propina. Na medida do possível, o juiz Sergio Moro baixará o sigilo, os fatos ficarão mais claros”, disse o procurador do Ministério Público Federal, Carlos Fernando Santos de Lima.

Em nota, a Secretaria Estadual de Comunicação disse considerar “normal” a inclusão do Canal do Sertão nas investigações da Operação Lava Jato.

“A Secretaria de Estado da Infraestrutura considera normal a inclusão do Canal do Sertão nas investigações, visto que é uma das obras executadas pela Odebrecht. Com transparência, o órgão se coloca à disposição para fornecer qualquer informação pertinente ao fato investigado”, diz a nota.

A Odebrecht foi uma das empresas que colaborou na campanha de Renan Filho. As outras- todas incluídas na Lava Jato- foram a UTC, OAS, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Serveng Civilsan.

Em maio, o empresário Ricardo Pessoa disse aos procuradores da Lava-Jato que as doações que fez para a campanha de Renan Filho eram propina.

Ele é dono da UTC e da Constran.

Ano passado, em auditoria do Tribunal de Contas da União, constatou-se sobrepreço nos trechos 3, 4 e 5 do Canal.

O trecho três foi inaugurado pela presidente Dilma Rousseff; o quatro está 38% concluído e o cinco ainda não começou.

Principal problema foi a diferença na metodologia usada pelo TCU e a Secretaria de Infraestrutura em Alagoas.

O quê foi feito? O Governo fez um seguro anticorrupção, depositando R$ 66,1 milhões como garantia de execução do trecho três.

Mesmo assim continuaram as divergências entre técnicos dos dois lados sobre os critérios de medição, referentes a transporte e escavação.

Daí vem cálculos divergentes entrando o sobrepreço- na linguagem do TCU- de R$ 37 milhões no trecho três, R$ 34 milhões no trecho quatro, e pouco R$ 48 milhões, no cinco.

O projeto do Canal do Sertão completa 24 anos em 2016. A obra prevê a construção de um dique de 250 km de extensão entre as cidades de Delmiro Gouveia e Arapiraca, levando água do rio São Francisco para 42 municípios ou mais de 900 mil pessoas.

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