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Edição nº 864 / 2016

23/03/2016 - 19:11:39

Após denúncia do EXTRA, deputados cobram atenção federal

Suspensão de perímetros irrigados virou debate na Assembleia

Odilon Rios Especial para o EXTRA

O Canal do Sertão voltou à pauta na Assembleia Legislativa após o EXTRA mostrar, há duas semanas, que o Governo Federal suspendeu recursos para serem aplicados em perímetros irrigados- garantia de geração de renda e empregos em meio a seca.

O assunto foi levantado pelo deputado Inácio Loiola (PSB). “É hora de nós alagoanos cobrarmos maior respeito do Governo Federal para com o nosso povo”, disse, ao citar o EXTRA.

“O que assistimos é a água do Canal correndo em parte da obra, a céu aberto, gerando desperdício porque o dinheiro para a continuidade da obra ou foi transferido para a obra da transposição do São Francisco ou fica retido na burocracia da máquina pública federal”, criticou o parlamentar.

Há duas semanas, o jornal mostrou que os efeitos do ajuste fiscal federal, sentidos em Alagoas desde o início do ano passado, suspendeu os perímetros irrigados que, por enquanto, existem apenas no papel.

As obras do Canal do Sertão deveriam oferecer riqueza a agricultores familiares através de obras de engenharia (luz, estrada, adutoras, ramais de distribuição de água) que aproveitassem as águas do canal para irrigarem as terras.

Porém, dos quatro projetos de perímetros irrigados, dois estão com as pesquisas prontas, mas sem data para serem licitados. E outros dois parados. O últimos deles, de 31 mil hectares, que englobaria seis cidades do sertão (São José da Tapera, Monteirópolis, Olho d’água das Flores, Carneiros, Olivença e Santana do Ipanema), foi suspenso em janeiro.

Se todos estivessem funcionando, o Governo Federal e o Estado deveriam investir, ao menos, R$ 400 milhões para o início dos perímetros. E o retorno estimado seria, no mínimo, o triplo: R$ 1,2 bilhão. O sertão viraria um mar de dinheiro.

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) informou que houve “indisponibilidade orçamentária” para a execução da pesquisa- a primeira etapa para a implantação do perímetro irrigado. A companhia não informou data de retorno do projeto.

A concorrência para este perímetro irrigado (chamado Carneiros-Tapera) foi aberta em março do ano passado. E revogada em janeiro deste ano.

Sem dinheiro, nada de projeto. E o projeto é importante porque define o tipo de solo e a melhor cultura a ser plantada na região do canal.

Nos dois primeiros perímetros já pesquisados- Pariconha e Delmiro Gouveia- constatou-se que podem ser plantados milho, melancia, mamão, maracujá, além de feijão.

Pariconha tem capacidade para atender 320 famílias; o de Delmiro, 190. Ao todo, 510 famílias ou 2.550 pessoas. O sertão de Alagoas viraria um oásis, como acontece em Petrolina (Pernambuco).

O terceiro perímetro irrigado parado é o de Inhapi: a pesquisa foi suspensa no meio dos trabalhos. R$ 13 milhões somente neste contrato.

“Estes primeiros perímetros teriam foco na agricultura familiar, mas, no futuro, os outros perímetros poderiam atrair grandes produtores na fruticultura”, disse Sílvio Azevedo, superintendente de Irrigação e Unidades Avançadas, da Secretaria de Agricultura.

Os três primeiros perímetros teriam 720 lotes. Cada lote teria uma família. Seria gerado 1,8 empregos por hectare, estima a secretaria.

“A informação que temos é que em junho ou julho os primeiros perímetros devem ser implantados”, explica.

Hoje, o Canal do Sertão abastece 350 captadores de água. Grandes mangueiras retiram água do canal para irrigação. Mas, um perímetro irrigado é diferente: um lote, por exemplo, tem energia elétrica; uma pequena estrada de acesso e escoamento de produção; adutora. Uma estrutura mais profissionalizada no campo.

O governador Renan Filho (PMDB) sabe do assunto. Vem tentando negociar uma solução com a Codevasf. Mas, depende da sinalização de Brasília. Ele já teve encontro com a direção nacional da companhia. E nada. Ainda este ano Renan quer inaugurar uma adutora próximo a cidade de Água Branca. Mas os perímetros irrigados são o um desafio a mais para o canal. E as milhares de vidas a serem alteradas quando a água, talvez um dia, cumprir sua função social. E econômica.

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