Acompanhe nas redes sociais:

16 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 863 / 2016

22/03/2016 - 15:50:57

Onde estão os líderes?

alari romariz

Em junho do ano passado fiz um artigo para o EXTRA com o título “Quem vai escapar?” Analisei a situação do Brasil naquele momento, quando empresários e políticos estavam sendo presos; já me preocupava com o futuro próximo.

Estamos em março de 2016 e a crise política se agrava: Lula pode ser preso a qualquer momento, Dilma caminha para o precipício, políticos do governo e da oposição são vaiados e xingados pelas ruas.

Não enxergo quem poderá assumir a Presidência do Brasil dentre homens e mulheres militantes na política de nosso país. Quando falamos num nome hoje, ele aparece amanhã sendo denunciado por corrupção.

O sistema político vigente em todos os Estados está corroído por processos sujos. O “é dando que se recebe” ficou tão comum que os próprios candidatos acham normal comprar votos, receber doações de empresas públicas, de empresas privadas contratadas pelo governo para grandes obras, comprar redutos eleitorais.

Nunca entendi como uma campanha para deputado custa milhões de reais. Onde ele vai buscar tanto dinheiro? Como pagar depois? São “mistérios da meia--noite” que nem os “fantasmas” explicam.

Há alguns anos um ex-amigo nosso foi eleito deputado estadual. Chegou em nossa casa dizendo que ficou devendo 30 mil reais. Podem ajudar-me? Rimos, pois era uma quantia inatingível para dois assalariados. Tomou posse o rapaz e houve a eleição da Mesa Diretora. Voltou à nossa casa e, alegre, nos contou: “Não devo mais nada; recebi um valor maior do que a minha dívida”.

Outro fato interessante: Divaldo Suruagy havia deixado o governo e suas contas precisavam ser aprovadas. Numa tumultuada sessão, estava ao lado de um deputado governista, bem gaiato; nisso, um parlamentar de oposição tentava sair do plenário sem ser notado; aí, o amigo do governo, disse: “Olhe, Alari, ele vai sair para não votar contra, mas ganhou o mesmo valor que todos nós”. E riu!!! 

Para ser conselheiro do Tribunal de Contas um velho amigo, já falecido, gastou o correspondente ao preço de um apartamento. E uma amiga que resolveu concorrer por idealismo não recebeu um só voto e ainda foi ridicularizada.

Chegamos a um ponto em que tudo parece ser normal e não ilegal. Por exemplo: assessores de vários deputados trabalham nas eleições como cabos eleitorais e quem paga é o Legislativo.

No último pleito para deputado estadual foi publicada nos jornais uma relação de pessoas que receberam dinheiro público por serviços prestados aos candidatos. Ficou comprovado que a Caixa Econômica pagou à ALE um alto valor para renovar determinado contrato e o dinheiro voou nas eleições.

Estamos cansados de ver e ouvir notícias sobre Lava Jato, Mensaleiros, Gabirus, Taturanas, cujo objeto principal é o pagamento de propinas a políticos. Tornou-se comum e nem se pensava que apareceriam Joaquim Barbosa e Sérgio Moro para mostrarem à sociedade o mar de lama que se alastra pelo Brasil.

Quem se arrisca a concorrer com homens poderosos? São logo chamados “poça-urna” e menosprezados pelos eleitores. Os evangélicos se elegem com dinheiro doado pelos pobres coitados que acreditam em seus pastores e ainda viram cabos eleitorais gratuitos para os pseudo-líderes.

Se Lula for preso, Dilma for deposta, quem assumiria a Presidência? Temer, do PMDB? Renan, presidente do Senado? Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal? Todos estão envolvidos em escândalos e não terão condições de substituir a loira Dilma.

A corrupção cresceu tanto, o sistema é tão sujo, que não vislumbramos nenhum líder natural, qualificado para dirigir os destinos de nossa pátria pouco amada. Sumiram todos.

Só Deus na causa! Chamem o Tiririca!!!

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia