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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 863 / 2016

17/03/2016 - 19:30:45

Presidente da OAB/AL diz que o Brasil vive momento de crise ética

Para Fernanda Marinela o país foi desmantelado gradativamente e chegamos ao ápice nestas últimas semanas

Maria Salésia [email protected]
Fernanda Marinela diz que o Brasil vive uma crise de valores

No domingo, 13, o povo foi às ruas protestar contra os desmandos com o bem público. Mais de 3,3 milhões de pessoas pediam o fim da impunidade e da roubalheira. Para a  presidente da OAB/AL, Fernanda Marinela, ninguém está acima da lei e o Brasil vive momentos difíceis porque enfrenta muito mais que uma crise econômica, financeira e política. Acima de tudo vive um momento de crise ética, uma crise de valores. “Nosso país foi desmantelado gradativamente e chegamos ao ápice nestas últimas semanas. Precisamos sim cobrar todos os esclarecimentos, exigir apuração rápida e reforçar o combate à corrupção, mas tudo isso respeitando nossa Constituição Federal e as leis do nosso país”.

E no mês em que a mulher é homenageada, a presidente da OAB de Alagoas diz que chegou o momento da mulher participar, enfrentar o desafio de refazer sua história e lutar com um olhar diferenciado para construir um Brasil melhor. Segundo ela, as mulheres já representam mais da metade do eleitorado nacional (52%), mas ainda é mínima a participação feminina na política. “Estamos em ano eleitoral e precisamos nos impor, mostrar que queremos sim ocupar nosso espaço, sem sermos melhores ou piores, mas com os homens, temos que ter nossos direitos respeitados, fazer valer nossa voz. Não podemos cruzar os braços e deixar que escolham por nós. Homens e mulheres têm visões diferentes e somente caminhando juntos poderemos construir um país ainda melhor”.

Paulista, radicada em Alagoas, Marinela argumenta que a mulher alagoana tem uma identidade própria que aprendeu a admirar e toma muitas de suas características para si.  E argumenta que como vivemos num dos estados mais pobres do Brasil, logo, estamos na base da pirâmide social. “Neste contexto somos mais agredidas, somos mais discriminadas, somos mais desvalorizadas. Mas sabemos viver sem perecer, sabemos lutar sem nos lamentar, aprendemos a agir para não sucumbir”.

E mostra dados nada animadores em relação ao estado. “Nossa realidade é uma das mais cruéis do Brasil. Somos as que mais engravidam na adolescência, as que mais ficam fora das salas de aula, as que mais são obrigadas a interromper o futuro”. Porém, leva em consideração que somos as que mais sustentam famílias inteiras, as que mais lutam pela vida, as que mais reagem às adversidades da vida. “São as mulheres alagoanas que dão origem aos maiores símbolos do nosso estado. Alagoas tem uma identidade feminina: as rendeiras e artesãs alagoanas são nacionalmente conhecidas, as catadoras de sururu na lagoa são únicas e símbolo da culinária local, enfim, temos aqui em Alagoas mulheres que são o arrimo de todo um segmento que expõe a cultura, o turismo e a economia local para todo o Brasil”, enalteceu.

Como primeira mulher a comandar a OAB/AL, Fernanda Marinela aconselha que as mulheres não se vitimizem, que procurem os seus direitos, lutem pela vida, pela família, combatam a discriminação, denunciem a violência doméstica e que tomem as rédeas de seus destinos. Que assumam suas famílias, que se reúnam e criem associações para defender seus direitos, que participem da vida política e não deixem que os outros escolham o seu destino, que votem com consciência. 

E deixa um recado para quem precisar de acolhida ou qualquer outro tipo de ajuda.: “Sempre que precisarem, contem com a Ordem dos Advogados do Brasil, com a Comissão da Mulher e comigo para fazer valer cada um destes direitos”.

PIONEIRA

Marinela disse que desde que foi escolhida para disputar a eleição para a presidência da OAB Alagoas se sentiu desafiada. E afirmou que a responsabilidade é ainda maior porque foi a primeira mulher a assumir a presidência da instituição e, no país, a única mulher que preside uma seccional no triênio 2016/2018. “Nossa gestão já fez história neste sentido, mas não é apenas assim que queremos ser lembrados. Queremos fazer história com nosso trabalho em prol da advocacia, na defesa das prerrogativas, nas oportunidades para o jovem advogado, nos trabalhos dedicados à sociedade, nos embates em defesa da democracia e na construção de um país melhor”.

A presidente da OAB/AL relembra que em relação a Ordem, a maior conquista 

para as mulheres advogadas foram as cotas nas eleições da OAB. E aponta dos números: “Nas seccionais pelo Brasil, temos 37% das diretorias eleitas com mulheres na composição; esse mesmo número é visto nas diretorias das Caixas de Assistência. Outra grande conquista foi a Comissão Nacional da Mulher Advogada, que surgiu como uma comissão especial - portanto temporária - da OAB e hoje é permanente e tem uma Conferência Nacional que faz parte agora do calendário oficial dos eventos obrigatórios da Ordem. Já fora da OAB, nossa maior conquista foi a Constituição de 1988, que nos garantiu cidadania plena, em situação de igualdade com os homens”. 

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