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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 863 / 2016

17/03/2016 - 19:28:30

Juíza quer julgamento fora de Palmeira dos Índios

Influência de criminosos pode atrapalhar juri, diz magistrada; TJ analisa pedido

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Pecuarista Reyneri Canales assassinado em agosto de 2012

A juiza de Palmeira dos Índios, Luana Cavalcante de Freitas, pediu o desaforamento do processo que apura o assassinato do advogado e pecuarista Reyneri Canales, em 16 de agosto de 2012, na cidade de Palmeira dos Índios. O motivo seria uma discussão dias antes do crime.

A decisão dela foi no dia 19 de fevereiro. O Tribunal de Justiça analisa o pedido e ainda não tem data para decidir sobre o assunto.

Segundo a magistrada, Paulo Roberto Xavier de Araújo, Arnaldo Cavalcante de Lima, Ely Oliveira de Almeida e Rogério Ferreira dos Santos- acusados no crime- foram pronunciados por homicídio qualificado.

O crime causou comoção em Palmeira dos Índios. Ele é filho da médica Helenilda Veloso Pimentel Canales. Reyneri tinha 40 anos, foi morto no Haras R.C. Fazenda Acapulco, no sítio Lagoa Funda, zona rural de Palmeira. Recebeu 20 tiros.

Duas testemunhas, segundo o processo, foram colocadas em programa federal de proteção.

Uma delas - em depoimento ao promotor Marcus Aurélio Gomes Mousinho, no dia 25 de janeiro- contou ter sido procurada por pessoas ligadas a Arnaldo Cavalcante de Lima (autor intelectual do crime) com proposta de receber R$ 70 mil pela mudança do depoimento prestado à Polícia Civil e acusar o delegado de tortura.

A testemunha recusou o dinheiro após ser avisada que “estaria assinando sua sentença de morte”.

Pistolagem

Um dos réus- Ely Oliveira de Almeida- “é pessoa temida pelos crimes que lhe foram imputados” (explica a ex-companheira dele, em depoimento) e “Ely vice de matar pessoas há trinta anos e nunca foi pego, ele se vangloriava muito porque nunca foi preso”.

O rastro da pistolagem de Ely vem desde 1985.

“(...) mata pessoas por dinheiro, durante esse tempo todo se ele matou uma ou duas pessoas por motivos pessoais foi muito (...)”

Segundo o depoimento da ex-companheira, Ely cometeu crimes em Jaramataia, Major Izidoro, Batalha, Cacimbinhas, Igaci. Pagou R$ 200 mil a Paulo Roberto, chamado de “Paulo Bala”, “para matar um promotorzinho, isso em 2011”; tinha ainda “muitas armas” mas guardava em casa apenas uma pistola e um revólver.

Cita políticos que usavam seus serviços- incluindo um ex-deputado que encomendou a morte do radialista Alves Correia.

“Assim, Ely Oliveira de Almeida, pela fama de “matador’ é pessoa bastante temida na região de Palmeira dos Índios, sendo esta reputação é capaz de causar grave temor nos jurados residentes nesta cidade”, detalha a magistrada, ao listar as razões para o desaforamento.

Intimidade

Paulo Roberto é chamado de “Paulo Bala”. Ele “só faltava morar em casa [de Ely], fazia refeições, bebia”. Era chamado de sucessor de Ely nos crimes de encomenda.

“Quanto ao réu ROGÉRIO FERREIRA DOS SANTOS, emergem dos autos informações que traduzem a conduta do réu como integrante de uma organização que extermina pessoas mediante paga, utilizando-se o mesmo da qualidade de policial militar para adquirir informações privilegiadas para o cometimento de crimes”, explica a magistrada.

Rogério é policial militar e foi candidato a vereador.

Já Arnaldo Cavalcante- considerado autor intelectual do crime- era vereador em Palmeira e chegou a ser preso preventivamente. Tinha ainda influência no Detran da cidade “onde trabalhou para prestação de favores”.

Soltura negada

Em maio do ano passado, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou habeas corpus a Arnaldo. O ex-vereador alegou que a prisão preventiva não estava devidamente fundamentada e havia excesso de prazo.

A defesa dele diz que a prisão foi equivocada porque usou-se como argumento uma discussão entre ele e a vítima, dias antes do crime. Segundo ele, a namorada e o irmão da vítima não citaram o ex-vereador como suspeito do homicídio e que a prisão do ex-vereador foi baseada apenas no depoimento de uma pessoa acusada de outros assassinatos.

Paulo Bala, entrevistado em novembro de 2013, negou o crime.

“Nem com minhas próprias inimizades, pessoas que tenho problemas pessoais, eu nunca pratiquei nenhum crime, principalmente nessas circunstancias”, afirmou.

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