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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 863 / 2016

17/03/2016 - 19:12:49

Rui vai enfrentar Calheiros em eleição sem favoritos em Maceió

Cícero Almeida concorre contra Rui; JHC não conseguiu acordo e se lança na disputa; G8 é o laranja

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Cícero Almeida auto proclama-se candidato a prefeito de Maceió

Desde o final de semana passado o prefeito Rui Palmeira (PSDB) sabia que o acordo com os Calheiros para disputar a reeleição não vingaria.

E desde o mesmo final de semana passado, o deputado federal Cícero Almeida (agora PMDB) já tinha como favas contadas o entendimento entre o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e o governador Renan Filho (PMDB): ele seria referendado por ambos contra o tucano.

Os Calheiros pediram a vaga de vice de Rui - hoje com Marcelo Palmeira (PP) - mais a desistência dele na disputa ao governo em 2018, incluindo pedido de votos para a reeleição de Renan Calheiros ao Senado e Renan Filho ao governo. Ao prefeito sobraria ser candidato a deputado estadual ou federal ou ainda sair ao Senado - vaga que o ex-governador Teotonio Vilela Filho, do mesmo partido de Rui, quer buscar para segurar o andamento do processo da Operação Navalha. O tucano-mor de Alagoas é réu nesta ação.

Rui, ao ser questionado pela imprensa sobre 2018, deu resposta que para os Calheiros foi a pá de cal: “Não sou cigano”.

Uma provocação ou ironia - forma de reagir ao pedido dos Calheiros, interpretado nos bastidores como “indigno”. Afinal, Rui não teria chance nem de trair os Calheiros - teria um vice do PMDB para abatê-lo em tentativa de voo solo.

Na segunda-feira (14), Renan Filho sentou-se com Cícero Almeida no Palácio República dos Palmares. Acordo fechado. O governador viajou na terça (15) onde Renan Calheiros montou um bunker para monitorar a crise que costura a era Dilma Rousseff e, até então, a nomeação do ex-presidente Lula a algum ministério.

Até este dia, oficialmente, Cícero Almeida não era candidato à prefeitura. Mas, ele mesmo usou seus asseclas para espalhar a boa nova.

Além de tentar, via PMDB, barrar o andamento da ação da máfia do lixo, hoje no Supremo Tribunal Federal, onde ele é acusado de desviar R$ 200 milhões em contratos com empresas. A fraude foi descoberta pelo promotor Marcus Rômulo, do Ministério Público Estadual.

E agora? Cícero Almeida vai ser encarado como candidato para valer contra Rui via Calheiros?

Reeleição

“Neste momento temos que trabalhar. A campanha eleitoral só começa em agosto e aí, sim, vamos nos preocupar”, disse Rui, na última terça, durante inauguração de um terminal de ônibus no conjunto Osman Loureiro, um dia após Cícero Almeida auto proclamar-se candidato.

Ele espera que as obras levadas adiante e em conjunto com o governo do Estado não parem ou atrasem seus cronogramas.

Uma delas é a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Trapiche da Barra, parceria entre os dois lados.

“Estou à disposição do governador para fazer parcerias importantes para a cidade de Maceió. Se o governador entende ser importante investir na cidade, em obras de mobilidade, em melhorias para a saúde, como a parceria que fizemos no caso da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Trapiche, estamos prontos. Recursos federais, estaduais são sempre bem-vindos independente das questões políticas e partidárias”, disse o tucano.

O prefeito de Paripueira, Abraão Moura, é o formador do palanque de Rui, além do pai dele, Guilherme Palmeira, ministro aposentado do Tribunal de Contas da União.

Com o PDT - do deputado federal Ronaldo Lessa - ao lado do prefeito, formam o palanque o DEM, o PSDB, o PP e um provável PTB, do senador Fernando Collor, que não esconde a preferência por Rui graças a Guilherme, em parte responsável pela trajetória política do hoje senador.

Tempo

Enquanto o tempo prepara os lados de cada legenda, outros palanques vão sendo construídos. O laranja da eleição é o G8, que tem seis partidos: PRTB, PTdoB, PHS, PTC, PRP e PPL.

O PSB lançou, ainda que timidamente, o deputado federal João Henrique Caldas.

JHC e o pai, João Caldas, tinham 20 cargos na era Rui. Perderam todos após o parlamentar denunciar ao Ministério Público de Contas os contratos, sem licitação, para instalação dos pardais em Maceió.

João Caldas tentava buscar mais cargos com Rui. Chegou a pedir a educação, hoje com a ex-reitora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Ana Dayse Dórea. Foi descartado.

JC viajou a Brasília. Em visita a Renan Calheiros, mostrou pesquisa em que JHC supostamente aparecia em condições competitivas contra o prefeito. Bastava o apoio da família Calheiros. O presidente do Senado fez cara de paisagem. JC não gostou. Dias depois, JHC viajou a Murici e quase brigou, na rua, com Remi Calheiros, prefeito e irmão de Renan, durante inauguração de casas populares custeadas com verba federal.

Renan Filho ignorou publicamente o episódio. Internamente, não gostou da afronta.

Um dos principais problemas na candidatura dele é levantar dinheiro com financiadores. Em 2016 empresários não podem doar para as campanhas. JHC pode estar sendo candidato para que o PSB ganhe evidência em Maceió e a circulação do nome dele ajude, em verdade, a eleger a secretária de Saúde (e ex-prefeita da capital), Kátia Born, candidata ao Executivo em Rio Largo.

O PT ainda insiste na eleição do deputado federal Paulo Fernando dos Santos, o Paulão. Porém, ele corre o risco de apagar a luz do partido em Alagoas. Ronaldo Medeiros e Marquinhos Madeira, deputados estaduais eleitos pelo PT, foram ao PMDB. Na Câmara de Vereadores de Maceió, Kleber Costa deixou o partido.

Paulão deve defender o legado de Lula e Dilma no palanque. Não será fácil levar isso adiante em 2016 quando, em Brasília, a saída da presidente é considerada como melhor alternativa para a construção de novas pontes com o Congresso Nacional e uma mudança de rumos na política fiscal e fazendária.

As esquerdas mantêm o silêncio. PCB, PSTU e PSOL não definiram os lados da campanha. Devem lançar nomes para denunciar o estratagema nacional que destrói a política nacional. O Rede não deve lançar Heloísa Helena, que pode estar sendo preparada para o Senado, em 2018, enfrentando Renan Calheiros e Teotonio Vilela Filho.

Ela pode concorrer ainda para a Prefeitura de Maceió. Mas, isso é uma outra história.

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