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Edição nº 862 / 2016

15/03/2016 - 08:53:46

Tororó do Rojão, o Charles Chaplin do forró

ele Gostava mesmo era de jogar futebol, esporte onde chegou a se destacar jogando pelo Sport Clube Alagoas, de Maceió.

Edberto Ticianeli Jornalista

Batizado como Manoel Apolinário da Silva, Tororó do Rojão nasceu no povoado de Bateria, em Matriz do Camaragibe, Alagoas, em 1936. Começou a trabalhar na usina ainda criança, limpando cana e colocando na esteira.

Perdeu o pai muito cedo e veio morar em Maceió quando ainda não tinha 10 anos de idade. Quem o trouxe foi Dona Nadir Pantaleão, que o viu jogando bola e lhe perguntou se não queria vir para Maceió trabalhar na casa dela.

Sua mãe aceitou e Tororó viajou para Maceió indo morar na Rua Barão de Penedo, 298, Centro, próximo à Praça Deodoro.

Como um dos seus trabalhos era levar todas as tardes as cadelas da dona da casa para passear na Praia da Avenida, recebeu o apelido de “Mané das Cachorras”, apelido que odiava e era motivo até de brigas.

Em Maceió, fez os primeiros contatos com as letras, mas só conseguiu terminar o primário. Gostava mesmo era de jogar futebol, esporte onde chegou a se destacar jogando pelo Sport Clube Alagoas, de Maceió.

Já adolescente, soube que sua mãe estava vivendo de esmolas em sua cidade natal. Contou a história para Dona Nadir, que ficou compadecida e alugou uma casa para sua mãe viver em Maceió.

Nesta época, o jovem Manoel trabalhava em um posto de gasolina. Depois ainda trabalhou como servente, mecânico e assistente. Ingressou na Petrobras, de onde só saiu aposentado.

Forró

Seu primeiro contato com a música foi ainda menino em Matriz de Camaragibe, escutando a mãe cantar coco. Em Maceió, começou a cantar nos programas de calouros da radialista Odete Pacheco, na Rádio Difusora de Alagoas, onde ganhou o apelido que lhe acompanhou pelo resto da vida: Tororó do Rojão.

Gostava tanto do forró que encontrou uma maneira de trabalhar para Luiz Gonzaga. Era o motorista da camionete Rural do “Rei do Baião” em suas andanças pelo Nordeste. Mas como tinha talento musical, logo estava tocando triângulo em alguns shows.

Gravou o primeiro compacto no final dos anos 60. No disco, contou com ajuda de Osvaldinho e Nelson do Acordeon. Depois gravou e lançou o disco “Segura Menino”, em 1981. Em 2000 lançou o seu primeiro CD “O Povo Não Quis Acreditar”, com destaque para “Seu Cuca é eu”. Em 2006, lançou seu último registro fonográfico: “Sem Retoques”, CD lançado no Teatro Deodoro. Em 2009, o amigo e produtor de Tororó, Marcos Sal, deu-lhe um presente, que foi relançar o disco “Segura Menino” em CD.

Em 1993, durante uma apresentação especial dedicada aos músicos da Orquestra de Câmara de Moscou, ganhou uma denominação dos russos: Chaplin do Forró, devido a sua desenvoltura no palco.

No dia 4 de junho de 2011, Tororó do Rojão foi internado na Santa Casa com AVC Hemorrágico. Não saiu mais. Faleceu no dia 7 de julho do mesmo ano. Foi enterrado no Cemitério São José, no bairro do Trapiche, em Maceió.

Fonte principal: Balaio de Fatos do jornalista Keyler Simões.

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