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Edição nº 862 / 2016

15/03/2016 - 08:49:06

Zumbis estão mortos

ALOISIO VILELA DE VASCONCELOS

Prezado José Vieira Passos Filho – Zé Celso, não devemos tentar matar zumbis, pois sabemos que já estão mortos, mas às vezes, mesmo mortos, nos incomodam. Refiro-me a sua resposta “NÃO ÀS BAIONETAS”, publicada na Gazeta de Alagoas em 02.03.2016, ao meu artigo “ESTOU ERRADO?”, também veiculado no referido jornal em 23.02.2016, afirmando que eu estava errado. 

Errado está você quando afirma que eu “revoltado e desesperançado” conclamei os “brasileiros a usar de baionetas para uma guerra fratricida e sangrenta”. Não conclamei porque, como afirmei, e deixo bem claro no corpo do artigo, acredito na eficácia do Judiciário e do Legislativo. 

Em seguida, diz que o “Menestrel das Alagoas” em sua luta pela anistia e contra a repressão nunca conclamou “o povo às armas”. Isto me fez lembrar Mijail Bakunin quando disse: “Para escapar de sua miserável sorte, o povo tem três caminhos: dois imaginários e um real. Os dois primeiros são a taberna e a Igreja. O terceiro é a revolução social”. Ninguém me faz acreditar que o velho senador, se necessário fosse, não escolheria o terceiro caminho. Ainda sobre o assunto, recomendo que ouça, com merecida atenção, o que ele diz em certa parte do filme “O Evangelho Segundo Teotônio”, de Vladimir Carvalho.  

Adiante, esclarece: “O Brasil não tem tradição de guerras civis. Foram pequenos conflitos, desde o período do Império...”.   Com relação aos “pequenos conflitos” e a ausência de guerras fratricidas aconselho que você, como membro da “Concha-Acústica da Cultura” – designação dada ao Instituto Histórico pelo saudoso professor Cônego João Leite Neto – leia os dois volumes que constituem a importante obra “Conflitos, Revoltas e Insurreições na América Portuguesa”, pois tenho certeza que sua opinião mudará radicalmente.

Finalmente, cita a luta pacífica de Gandhi. Esquece, entretanto, que de político passou a uma espécie de líder místico-espiritual. Por outro lado, já disseram que “revolução não significa violência, significa mobilização de consciências”.  Isto seria o ideal, mas no mundo de hoje, de um brutal, selvagem e animalesco capitalismo, cuja “lei básica é tu ou eu, e não tu e eu”, onde países são explorados, povos escravizados e continentes saqueados, só as baionetas conseguem mobilizar as consciências. 

Nem por sonho imagine que dizendo o que digo penso na frase de Mark Twain - “Nunca discuta com pessoas burras, elas vão te arrastar ao nível delas e ganhar de você por ter mais experiência em ser ignorante” – ou em lhe ironizar, isto seria um terrível engano de sua parte, pois com meu artigo quis apenas mostrar, ao amigo e parente, que triste do país cujo território sirva de palco para uma revolta devido à inércia dos poderes que têm por uma das obrigações precípuas a fiscalização e defesa da democracia, porque os acontecimentos serão dantescos.

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