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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 862 / 2016

10/03/2016 - 17:39:04

Sete mil empresas em Alagoas fecharam as portas em 2015

Apesar da crise, oito hotéis e um resort serão lançados este ano no estado

Maria Salésia [email protected]
Retrato da crise em Alagoas: na Rua do Comércio, coração do Centro de Maceió, várias lojas encerraram suas atividades

A Rua do Comércio, no Centro de Maceió, retrata bem o estrago que a crise econômica fez no setor do comércio e varejo na capital alagoana. Apenas em um trecho daquela rua quase 10 lojas fecharam as portas e muitas que teimam em funcionar estão vazias. A situação não é diferente nas ruas do Livramento, Boa Vista, Joaquim Távora e Moreira Lima. O calçadão, que antes efervescia, agora está vazio. Apenas vendedores de água, película para celular e outros produtos agitam o local com gritos a fim de atrair o comprador. Em 2015, sete mil empresas fecharam as portas no estado e milhares de pessoas ficaram desempregadas. Mas, nem tudo está perdido. O setor de turismo vem crescendo e ainda este ano oito hotéis e um resort serão lançados em Alagoas.

Segundo o assessor econômico da Fecomércio-AL (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas), Felippe Rocha, vários fatores são responsáveis pela redução de empresas no estado. Um é a crise que apertou o bolso do comprador e alguns setores sentiram o impacto maior, como a construção civil e a área de informática. Mas ele alerta que aqueles que inovaram, facilitaram o crédito, reduziram o preço e trabalharam com taxas de juros menores, faturaram mais em 2015 do que em 2014. Foi o caso dos brinquedos, aviamentos, alimentação, vestuário e sapatos.

Rocha alerta que a crise só se mantém se o empresário continuar em sua zona de conforto. Ele ensina que é preciso buscar estratégias agressivas de preço. “A crise chega para quem está parado. Agora o consumidor pesa muito o bolso antes de comprar. É preciso inovar, sair da cadeira e negociar. Tem que estar atento às oportunidades”, disse. E acrescentou que há perda de empregos no comércio, mas recuperação em setores como turismo.

De acordo com dados da Junta Comercial do Estado de Alagoas (Juceal), em 2015 das 20.379 empresas de Alagoas, 6.206 foram extintas; em 2014 das 19.524, 4.433 fecharam as portas; em 2013 das 19655 faliram 3.371. Em 2012, 1.267 deixaram de existir de um total de 18.680. A queda maior se deu em empresas de menor porte - aquelas que arrecadam até R$ 60 mil anualmente. Das 15.322, no ano passado, 4.386 foram extintas. As de médio porte (acima de R$ 360 mil anual) tiveram uma baixa de 1.293 das 3.818 existentes. Com relação às EPP (faturam até R$ 3,6 milhões anual) das 712 existentes, 182 encerraram as atividades. E das que arrecadam acima de R$ 3,6 milhões, 345 fecharam do total de 526.

Em relação à classificação de abertura e fechamento de lojas no ano de 2015, Maceió aparece no topo do ranking no estado. Foram 9.438 novos estabelecimentos, mas 2.957 fracassaram. Arapiraca aparece na segunda colocação. Abriram 1.831 estabelecimentos e 680 fecharam. Penedo abriu 403, mas171 não vingaram. Rio Largo teve 563, só que 129 fecharam. Dos 10 primeiros municípios que aparecem na tabela da Juceal, Marechal Deodoro foi onde houve menos fechamentos. Abriram 431 lojas e dessas, 104 encerraram as atividades. Palmeira dos Índios vem na 7ª posição na abertura com 393, porém pula para 6º em relação a fechamento com 115; União dos Palmares vem na 8ª colocação na abertura e fechamento. Das 337, 107 fecharam. Delmiro Gouveia vem na 9ª colocação com 335 e pula para o 5º quando se trata em fechamento com 123 estabelecimentos.  Coruripe ficou na 10ª colocação com 286, mas subiu para o 7º em fechamento com 108.

Em se tratando de atividades, a seção que mais sofreu foi comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas com 9.520 e com baixa de 3.413. Em seguida vem alojamento e alimentação; indústria de transformação; outras atividades de serviços e construção. 

PESQUISA

De acordo com a pesquisa divulgada pelo IBGE, o recuo nas vendas sentido pelo varejo no mês de junho do ano passado foi de 0,4%, influenciado pela redução do crédito e dos salários. Nos primeiros seis meses de 2015, o comércio acumulou queda de 2,2%, a maior baixa para o período desde 2003. Ainda segundo o IBGE, nos últimos meses a maioria dos estados registrou queda nas vendas, com destaque para Amapá (-10,2%); Paraíba (-9,0%); Alagoas (-8,0%); Goiás (-7,7%) e Amazonas (-7,6%).

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