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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 861 / 2016

06/03/2016 - 16:05:08

Primeira experiência radiofônica ocorreu em 1925

somente em 1933 é que Alagoas voltaria a ter uma rádio. A ousadia foi dos técnicos Jacques Mesquita e Luiz Gonzaga, que fizeram funcionar uma pequena emissora

Edberto Ticianeli Jornalista
Silvestre Péricles (de terno branco) na inauguração da Rádio Difusora de Alagoas em 16 de setembro de 1948

A primeira experiência do rádio alagoano acontece em 1925, quando Mário Marroquim — que viria a ser o primeiro diretor-geral da Rádio Difusora — e um grupo de idealistas alagoanos instalam a primeira emissora de rádio em Maceió, a Rádio Clube de Alagoas. 

Após esta experiência, somente em 1933 é que Alagoas voltaria a ter uma rádio. A ousadia foi dos técnicos Jacques Mesquita e Luiz Gonzaga, que fizeram funcionar uma pequena emissora chamada Estação Experimental. Ficava na Rua Dois de Dezembro, no Centro de Maceió, em uma sala no primeiro andar da Farmácia Pasteur.

Haroldo Miranda, um dos fundadores da Rádio Difusora, se refere a esta emissora como sendo a Rádio Club de Maceió e relata que utilizava a frequência dos Correios e Telégrafos ilegalmente. Com a descoberta pelos Correios da rádio clandestina, cessaram as transmissões. Quem fez a denúncia foi o pernambucano Oscar Moreira Pinto. Motivo: estava provocando interferência em Catende, Pernambuco.

Ainda em 1933, Jorge Sá trouxe para Maceió a novidade do carro de som, um automóvel “OpeI” pintado de azul, com duas cornetas de alto-falante, que divulgava anúncios, músicas e informações de utilidade pública.

Em novembro de 1935, os locutores José Renato e Josué Júnior e os técnicos Jacques Mesquita, Miguel Correia de Oliveira e Luiz Gonzaga lançam o CRAF – Centro Regional de Anúncios Falados, na verdade era um serviço de alto-falantes.

Arnaldo Paiva Filho registra que em Rio Largo, por iniciativa do comendador Gustavo Paiva, houve uma tentativa de se instalar uma rádio. “Sua inauguração, em caráter precário, aconteceu no dia 15 de outubro de 1938, por ocasião das festividades comemorativas dos cinquenta anos de fundação da Companhia Alagoana de Fiação e Tecidos”. O interventor Osman Loureiro, contudo, não permitiu a sua legalização.

Dois anos depois, com o equipamento do extinto CRAF, foi instalado o Serviço de Alto-Falante de Maceió, cuja central ficava na Rua do Comércio, 600, trecho próximo à Praça dos Martírios, onde também funcionava o jornal A Voz do Povo ligado ao PCB. Eram dezesseis bocas de som que atingiam a Rua do Comércio, Praça dos Martírios, Av. Moreira Lima e Praça do Mercado, e transmitiam anúncios e música popular. O patrocínio das transmissões era da Casa Funerária Arestor Marques.

Haroldo Miranda deixou registrado que conseguiu transmitir pela CRAF uma partida de futebol diretamente do Mutange utilizando uma linha telefônica surrupiada da Fábrica Alexandria e contando com um amplificador alimentado com energia da Força e Luz, também de forma irregular.

Em 1942, às 16 horas do dia 18 de agosto, no 1º andar do Quartel da Força Policial do Estado, é inaugurada a Estação Radiofônica Rosa da Fonseca, com a presença dos cantores Ciro Monteiro e Odete Amaral. Tinha o prefixo PYX-1 e transmitia em ondas curtas. Funcionou até setembro daquele ano.

Foi montada graças à iniciativa do tenente do Exército Clóvis Sabóia e destinava-se a promover a Campanha dos Metais, necessária ao esforço de guerra. Seu locutor principal, José de Souza Campos, acadêmico da Faculdade de Direito de Alagoas, contou com a ajuda de Josué Júnior.

A Difusora

Em maio de 1948, atendendo a uma cobrança do seu irmão, o senador e general Pedro Aurélio de Góes Monteiro, o governador de Alagoas, Silvestre Péricles, resolveu montar uma rádio em Maceió. Mário Marroquim e Góes Ribeiro receberam a incumbência de realizar o projeto.

Como estava encontrando muitos obstáculos legais para viabilizar a rádio, Silvestre Péricles resolveu atropelar os impedimentos usando outros recursos. Mobilizou a Polícia para que trouxesse os bicheiros de Alagoas até ele. O principal bicheiro de Alagoas nesta época era Hegecipo Caldas.

Lotou a sala de despachos do Palácio dos Martírios de contraventores e falou para eles: “Preciso instalar uma emissora de rádio em Alagoas, mas os filhos da puta dos deputados estão me negando os recursos. Por isso, preciso que vocês metam a mão no bolso e arranjem a bufunfa”.

Duas semanas depois o dinheiro estava disponível e o governador pôde comprar os mais modernos equipamentos da época. Esta situação irregular somente foi resolvida cinco anos depois, no governo de Arnon de Mello, através da Lei nº 1.708, de 31 de julho de 1953, que oficializou a Rádio Difusora como autarquia estadual. Operava, então, com um transmissor Philips de 10 KW e com prefixo ZYO-4.

Inaugurada no dia 16 de setembro de 1948, a Rádio Difusora funcionava em um prédio da Rua Pedro Monteiro, 108, antigo Jardim Infantil Ismar de Góes Monteiro, construção que hoje abriga o Cenarte da Secretaria de Cultura. Ficou conhecida com a Caçula das Américas.

No dia da inauguração, dois cantores famosos participaram da festa: Cauby Peixoto e Paulo Molin. O locutor que primeiro falou na Rádio Difusora foi Jorge Sá. No mesmo dia, as vozes de Odete Pacheco, Jesualdo Ribeiro e Aldemar Paiva também foram ao ar.

Logo após a sua inauguração, o governador Silvestre Péricles percebeu que a rádio tinha sido montada com recursos “particulares”, portanto não poderia ser uma rádio pública. Era o início de uma tentativa de transferir a Rádio Difusora para pessoas ligadas ao governo. Quem impediu a manobra foi o deputado Mello Motta, que fez uma verdadeira campanha para manter a rádio como uma instituição pública.

Surgem novas 

rádios

Dez anos após a inauguração da Rádio Difusora, surge a Rádio Progresso de Alagoas, ZYL 25, que foi inaugurada no dia 15 de janeiro de 1958. Funcionava no 6º andar do Edifício Ary Pitombo, na Praça dos Palmares, Centro de Maceió.

Seu diretor-gGeral, Castro Filho, convidou o radialista pernambucano Edécio Lopes para ser gerente de programação da nova emissora. O deputado federal Ary Pitombo era o seu proprietário. Esta rádio inicia o ciclo de emissoras de rádio de propriedade de políticos em Alagoas.

No dia 2 de outubro de 1960 é inaugurada a Rádio Gazeta de Alagoas AM, ZYL-21. Foi montada pelo empresário, político e jornalista Arnon de Mello, que já era proprietário do jornal Gazeta de Alagoas.

Uma novidade ajudou a impulsionar a emissora. A empresa adquiriu um automóvel Rural equipado com rádio transmissor de VHF, o que possibilitou a cobertura total dos grandes eventos políticos, policiais e esportivos que ocorriam em Maceió e localidades próximas.

Era o fato sendo relatado no momento que estava ocorrendo, dando maior credibilidade à sua programação noticiosa. Desta forma a Rádio Gazeta modificava, em Alagoas, o conceito de rádio AM puramente musical, tornando prioritária a informação e o esporte.

No dia 8 de fevereiro de 1962, por iniciativa da igreja católica, que resolve também ter o seu próprio meio de comunicação, surge a Rádio Educadora Palmares de Alagoas, instalada ao lado da Catedral Metropolitana de Maceió.

Nesta mesma época, também é implantada pela igreja católica a Rádio Paroquial, localizada no bairro do Vergel do Lago, mais precisamente nas dependências da Casa dos Pobres, pertencente ao Arcebispado. 

Fonte: Livros, Histórias do Rádio e Contando Histórias de Cláudio Alencar; Site Difusora Memória; Panorama do rádio em Maceió, de Lídia Maria Marinho da Pureza Ramires e Ricardo José Oliveira Ferro; Rádio Difusora de Alagoas – a caçula das Américas, de Lídia Maria Marinho da Pureza Ramires e Ricardo José Oliveira Ferro.

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