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Edição nº 861 / 2016

04/03/2016 - 18:16:32

Jorge Oliveira

A maldição de Santo André

Jorge Oliveira

Brasília - A operação posta em prática pela organização criminosa petista para assaltar os cofres públicos não teve nada de engenhosa. Mais cedo ou mais tarde esses gatunos seriam apanhados pela fragilidade do esquema. A quadrilha, ao contrário dos gângsteres geniais que fizeram história na literatura do crime, agiu de forma primária mas soberba. Soberba porque achava que, pelo simples fato de manter o poder no país, iria dificultar as investigações e ficar impune. Por isso subestimou a força tarefa de abnegados promotores que agora confrontam seus integrantes.A organização baseou-se principalmente em duas empresas e seus fundos de pensão para dilapidar o patrimônio público. Distribuiu seus sindicalistas meliantes nas diretorias e na presidência da Petrobras e do BNDES, órgãos que lidam com muito dinheiro, mas de decisões fechadas, só abertas aos conselheiros nomeados pelo próprio governo, que fecharam os olhos para o assalto nas empresas.

Com a prisão de João Santana e da sua mulher, a logística dos criminosos petistas, que estenderam seus tentáculos para outros países, vai ficando cada vez mais clara: a Petrobras contratava as grandes empreiteiras, responsáveis pelo repasse do dinheiro roubado às campanhas petistas aqui no Brasil. O BNDES, por sua vez, emprestava fortunas aos ditadores da África e da América Central, que devolviam parte do dinheiro para os marqueteiros de suas campanhas, indicados pela cúpula do PT para administrá-las.

É de se supor que esses intermediários também botavam uma bolada no bolso. Não à toa, o ex-presidente Lula fez várias viagens a Angola, a bordo de jatinhos de empreiteiras, por exemplo, a pretexto de “ajudar os nossos irmãos carentes”, para dar o aval a essas operações. Naquele país, a Petrobras atuava em parceria com o governo local, um carcomido e decrépito presidente no poder desde 1979. Conclui-se, portanto, que a petezada usou o dinheiro do contribuinte brasileiro para sustentar não só as campanhas da Dilma e do Lula, mas também as desses déspotas tendo à frente o marqueteiro João Santana que, agora confrontado com os fatos, embanana-se.

A coisa aparentemente simples só veio à tona porque o Ministério Público tomou a frente das investigações para o bem do Brasil. Se dependesse do nosso Parlamento, classificado como uma casa de tolerância por um nobre deputado da Comissão de Ética, nada iria acontecer nessas CPIs fajutas que são instaladas lá dentro.

Os nobres

Veja um exemplo recente da patologia da casa dos nobres. Depois de cinco meses de trabalho, a Comissão Parlamentar de Inquérito do BNDES não indiciou os responsáveis pelos empréstimos fraudulentos autorizados pelo presidente do banco, Luciano Coutinho. A decisão frustrou o deputado Rubens Bueno (PPS), autor da criação da comissão: “Fico frustrado com o resultado da CPI. A Câmara não se faz respeitar. Era um momento importante, mas a CPI tem fim melancólico, apesar dos bilhões destinados às empresas que superfaturaram obras e mandaram dinheiro de propina, via partidos e campanhas eleitorais. É o caso do João Santana, preso com propinas da Odebrecht”.

De quatro

Infelizmente, é assim: o Congresso caminha de quatro, açoitado pelos petistas e suas lideranças. Faz questão de fechar os olhos para os graves  problemas do país. E se permanecer nessa apatia, nessa indiferença, os cúmplices dos petistas lá dentro podem ter o mesmo destino da “Maldição de Santo André”, cujo assassinato do prefeito é atribuído à cúpula petista de São Paulo. Depois da morte de Celso Daniel, apenas a viúva Mirian Belchior ainda sobrevive em cargos de luxo, agora como presidente da Caixa Econômica, uma espécie de cala boca. Centenas de lobistas, empresários e políticos que se juntaram a Lula já caíram na maldição, na desgraça, e hoje mofam na cadeia. 

Merenda

Quando alguns prefeitos do Nordeste começaram a ser presos pela polícia porque roubavam a merenda escolar das crianças, deu-se pouca importância aos fatos. Afinal de contas, lá pras bandas do interior da região mais pobre do nosso país tudo é possível. Mas agora, para surpresa dos brasileiros, essa modalidade de crime se espalhou de tal forma que foi atingir o coração do estado mais rico do Brasil: São Paulo. 

Esquema

Em um esquema criminoso gerado dentro do palácio do governo e nos gabinetes da  Assembleia Legislativa, a polícia descobre que bandidos de gravata também aderiram às práticas nocivas de roubar o lanche das crianças pobres. A Máfia da Merenda, como é chamada pelos paulistas, envolve personagens do governo Geraldo Alckmin até pouco tempo visto nas pesquisas de opinião bem posicionados à sucessão da Dilma não fosse as trapalhadas do fechamento das escolas. 

Coração

A operação “Alba Branca” já tem alguns suspeitos: o ex-chefe de gabinete da Secretaria de Educação do Estado Fernando Padula, o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo Luiz Roberto dos Santos, o Moita, e o lobista da quadrilha Marcel Ferreira Junior. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Fernando Capez, também está sendo investigado. O que une todos esses senhores é o roubo da merenda escolar e o fato de alguns deles serem do PSDB, principal partido de oposição ao governo que combate a corrupção petista.

Cooperativas

Os envolvidos no crime trabalhavam em conluio com três cooperativas paulistas responsáveis pela distribuição dos alimentos nas escolas. Veja que coisa: homens acima de qualquer suspeita, colaboradores dos tucanos que governam São Paulo há quase duas décadas, não tiveram o menor pudor em se associar a outros grupos para superfaturar a alimentação dos jovens estudantes. Como já não bastassem as fraudes nas licitações, o assalto aos órgãos públicos, o clientelismo e o fisiologismo, essas pessoas chegaram ao  fundo do poço, à lama, à baixeza de surrupiar a comida da boca das crianças.

Na moita

O Moita, segundo as investigações, operava com integrantes da cooperativa Coaf na sala que ocupava no Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo estadual. Mantinha também ativo no grupo criminoso a Associação Orgânica de Bebedouro e a Horta Mundo Natural, responsáveis pela fraude nos preços. No Tribunal de Justiça, o desembargador Sérgio Rui já pediu à Secretaria de Educação cópia de todos os contratos e pagamentos feitos a cooperativas envolvidas nas investigações.

Indignidade

É de assustar a todos nós brasileiros o descalabro com o envolvimento desses meliantes com uma quadrilha que se especializou em tirar da mesa das crianças a comida que vai alimentá-las durante a permanência na escola. Muitas delas têm na merenda a sua única refeição do dia. Com o superfaturamento é claro que os alimentos diminuíram à mesa, enquanto esses senhores usavam o dinheiro para gastar em campanhas e comer em restaurantes luxuosos.

Hediondo

E quando cenas como essas acontecem em São Paulo, a locomotiva do Brasil, aí devemos parar pra pensar. Que valores esses senhores estão repassando para esses jovens, quando roubam a sua merenda da escola? 

Como pode um governo permitir que, da sua sede, alguns auxiliares organizem uma quadrilha para cometer um crime tão horrendo? Crimes como esses deveriam estar capitulados como hediondos, pois só assim pessoas como essas apodreceriam na prisão.

O povo de São Paulo espera que o governador Geraldo Alckmin não contemporize com esses delinquentes e os puna exemplarmente, com o rigor da lei

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