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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 861 / 2016

04/03/2016 - 18:02:16

Iate Clube Pajuçara vende parte de seu terreno para pagar dívida

Inadimplência com IPTU chega a quase R$ 2 milhões e associados temem que espaço tenha o mesmo destino do Clube Portuguesa e do Alagoinha

Maria Salésia [email protected]

Fundado em 21 de abril de 1952, o Iate Clube Pajuçara passa por dificuldades e sua diretoria teme pela decadência do clube que nasceu da persistência de um grupo de amigos “do mais alto nível de suas amizades”. Com dívida de IPTU que beira aos 2 milhões de reais, parte de seu terreno, uma área de 1600 metros dos 9 mil metros existentes, vai ser vendida e dará lugar a um hotel.

Situado em um dos espaços mais cobiçados de Maceió, na Avenida Antônio Gouveia, orla da Pajuçara, o clube passa por dificuldades e seus associados lutam para que o espaço não tenha o mesmo destino do Clube Portuguesa e o Alagoinhas, que foram extintos.

A cada dia os clubes sociais perdem espaços e com o Iate não é diferente, pois a inadimplência só tende a aumentar. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, dos quase 5 mil sócios, cerca de 150 apenas pagam a mensalidade de R$ 80,00.  Para salvar o patrimônio, o comodoro  do clube, Moacir Albuquerque, disse que várias tentativas foram feitas, como renegociação da dívida, reuniões para atrair antigos e novos sócios, entre outros. Mas a crise continuou.

Albuquerque afirmou que as construtoras têm tentado comprar o espaço e as negociações se arrastam por mais de seis anos. Porém, garantiu que em momento algum a diretoria cedeu à pressão, mesmo sabendo que a área “vale ouro” qualquer proposta só será concretizada com consentimento dos sócios atuantes.

Ele argumenta que o clube tem algumas áreas ociosas e que devido à inadimplência sobrevive praticamente de aluguel para festa de formatura, pois até para casamento fica difícil alugar devido ao calor no ambiente por não possuir área climatizada. Ele promove ainda as prévias de carnaval, baile de aniversário e outras  atrações menores, além do aluguel do restaurante. “O que queremos é salvar o clube, mas tudo será decidido com os sócios. Nada será feito às escuras”, garantiu.

O sócio relembra que no governo de Cícero Almeida o clube foi desapropriado, mas após conversas amigáveis o então prefeito ficou sensibilizado e suspendeu a execução.  Mas a cobrança da dívida de IPTU vem desde o primeiro governo de Kátia Born. Antes, os prefeitos, alguns sócios do clube, não cobravam o imposto, conforme falou Albuquerque.

REUNIÃO

Com muitas despesas para manter o Iate Clube Pajuçara, a saída é vender parte de seu patrimônio. A venda ainda não foi totalmente acertada, mas vai depender da decisão da maioria dos sócios. Para tanto, foi publicado edital no jornal de grande circulação e anexado no quadro de aviso do clube convocando os sócios para reunião dia 8 de março, terça-feira, com primeira chamada para às 19 horas. Mas Albuquerque avisa que apenas os sócios com mensalidade em dia terão acesso e poderão decidir o destino do clube. “Estamos fazendo de tudo para que o Iate não se acabe. Se tudo der certo, será construído um novo clube”, disse ao acrescentar que o Iate ainda não fechou porque existem diretores que amam o clube.

Com a vontade de reerguer o espaço, Albuquerque garante que “não estamos desfazendo do clube e nem vendendo. Não vamos fazer uma coisa para prejudicar. Queremos dar mais conforto aos nossos sócios e a certeza de que o espaço vai continuar atuante como em seus anos de glória”, argumentou. Ele garantiu que caso a negociação se concretize, vai ser pago a dívida e ainda vai sobrar dinheiro no orçamento. E mais: o hotel não será construído só de imediato. 

MOVIMENTAÇÃO 

SOCIAL

De acordo com dados do site do clube, descrever a vida do Iate Clube Pajuçara nos seus primeiros 20 anos não é muito fácil, dada a sua grande trajetória como agremiação esportiva náutica e social. Para relembrar, em 1953 resolveram movimentar o departamento social com a realização de festas dançantes, a razão, naturalmente, do ingresso da maioria dos associados. Surgiu, então, a ideia de aproveitar duas frondosas amendoeiras ao lado da garagem de barcos, e construir um dancing ao ar livre sob as referidas árvores. Depois, veio réveillon, carnavais e outras festas que movimentavam o bairro. Com a procura pelo espaço e a credibilidade que adquiriu, o clube passou a ser um patrimônio dos mais apreciáveis naquela área da Pajuçara. E é esta imagem que a atual diretoria tenta resgatar.

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