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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 861 / 2016

03/03/2016 - 21:03:13

Arcebispo de Maceió denuncia Secult por mau uso de recursos

Reforma do antigo arcebispado é alvo de críticas por parte de Dom Muniz

José Fernando Martins Especial para o EXTRA
Dom Muniz questiona reforma para a qual União repassou R$ 1 milhão

Planos para a utilização do prédio do antigo Arcebispado, situado no centro de Maceió, não faltam para o arcebispo Antônio Muniz Fernandes. Pelo menos, não faltavam. De Escola de Belas artes a um Memorial dos Bispos. Projetos que deverão esperar mais um pouco para acontecer. Embora o antigo Arcebispado esteja recém-reformado, a situação do local, segundo o religioso, é precária. 

Rebocos que se desfazem ao tocar das mãos, infiltração nas paredes e janelas que mal se fecham. Essas são algumas das muitas reclamações apontadas pelo arcebispo quanto à má utilização do dinheiro público para a reforma do patrimônio histórico da capital. “Eu avisei, durante todo o processo, sobre o serviço que estava sendo feito”, contou à reportagem do EXTRA Alagoas.  

“Quando cheguei há nove anos em Maceió, para tomar posse da Arquidiocese, eu já tinha lido uma reportagem que mostrava o estado de ruínas em que estava o prédio. Fiz uma pequena visita ao local e comecei a luta de pedidos para a conservação do arcebispado”, lembrou Fernandes. As conquistas vieram aos poucos. O primeiro passo foi o tombamento do prédio para que o governo pudesse fazer investimentos. 

Após essa etapa, lutou para que o local fizesse parte do conjunto arquitetônico do centro do Maceió. E foi assim que verbas e emendas parlamentares foram aparecendo para a reforma e restauração do prédio. “Como a Arquidiocese não é gestora, toda a verba foi para a Secretaria de Estado da Cultura (Secult), que administrou toda a obra. Não chegou nenhum tostão na mão da Igreja”, explicou. 

De acordo com o arcebispo, várias pessoas, inclusive da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), já tinham demonstrado interesse quanto à reforma. Porém, uma vez o dinheiro na conta da pasta do governo, conforme o entrevistado, “a obra foi executada a partir de conveniências políticas”. 

A restauração do Arcebispado foi realizada através convênio firmado entre o Ministério da Cultura e a Secult, sob  nº 701970/2008. O valor repassado pelo governo federal, em agosto de 2009, foi de R$1 milhão. O governo do Estado investiu uma contrapartida de R$  para a qual112.835,79. A empresa contratada por meio de processo licitatório através da modalidade “Tomada de Preço” foi a Torres Construções Ltda. O valor líquido pago à empresa foi de R$1.474.182,76.

Com a obra prestes a ser entregue, o arcebispo constatou que a restauração não estava do jeito previsto e se recusou a assinar qualquer documentação. “O prédio funciona e abri para fazer algumas exposições que deram muito resultado, mas não há condição de fazer nada além disso. Eu quero que a Secretaria conclua de acordo com o que se espera de um restauro de um prédio daquele”, exigiu. 

O EXTRA visitou o antigo arcebispado em companhia do padre formado em arquitetura Lídio José. A cada sala, um alerta. Sacadas com rachaduras, paredes mal pintadas e instalação elétrica ineficiente. “Instalaram lâmpadas em locais sem fiação, sem contar os encanamentos improvisados nos banheiros”, destacou o padre. 

“Após a reforma deixaram o chão de madeira preto de tão sujo. Um dos balcões está com rachaduras com perigo de desabamento. As janelas que não fecham por causa das esquadrias fabricadas de madeiras ainda verdes. Mesmo com tantos defeitos nos disseram que a obra já tinha sido concluída”, explicou. 

A Secult informou que a obra foi executada entre os anos de 2010 e 2013. Conforme nota encaminhada ao EXTRA, uma comissão de entrega de obra da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra) deu aval positivo de encerramento da obra, avalizando a reforma realizada. A pasta ainda reafirma o compromisso com a cultura alagoana. “Até o momento, nenhuma notificação oficial do Arcebispado foi enviada para a Secretaria, solicitando algum tipo de reparo na obra”, pontuou.

HISTÓRICO

Em 1925, Dom Santino Maria da Silva Coutinho cogitou construir um novo palácio para instalação dos prelados deste arcebispado. As obras tiveram início em fevereiro de 1926.

Com ampla fachada, a parte interna do palácio ganhou estilo de convento com corredores e poucas salas. À época, para a construção, não houve planta levantada por algum engenheiro. 

No ano de 1945 foi feito um novo balcão, na fachada, bastante largo de modo a comportar maior número de pessoas ao ensejo de manifestações públicas. E, embaixo, com espaço para abrigar automóveis, na ocasião de saída e entrada ao arcebispado. Apesar de se tratar de um prédio que já sofreu várias intervenções, ao correr dos anos, sua estrutura arquitetônica ainda permite uma nítida leitura condizente com a Maceió das primeiras décadas do século XX.

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