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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 860 / 2016

27/02/2016 - 10:07:11

Brincando de governar

CLÁUDIO VIEIRA

Cinquenta casos de zika vírus nos Estados Unidos bastaram para que o governo americano, o presidente Obama à frente, mobilizasse conselheiros de segurança e pleiteasse, junto ao Congresso daquele país, verbas para o combate ao mosquito que vem tirando o sono do mundo. 

Não posso considerar-me americanófilo, malgrado nutra admiração pelas qualidades daquele povo. Não acompanho, pois, a americanofobia daqueles muitos que culpam os Estados Unidos por todos os males mundiais. Assim, a presteza com que o presidente Obama e seu governo preparam-se para combater ao aedes aegypti causa-me admiração e até alguma inveja.

No Brasil, o mosquito transmissor da dengue, da zica, da chikungunya tem tido vida folgada. Contam-se aos milhões os casos de infecções desses males, e a presidente da República e o seu governo só agora despertam de uma letargia sistêmica, reunindo um tal de Conselhão e produzindo as falácias costumeiras. Isso após quase ter afastado um ministro pelo pecado da sinceridade: o Brasil está perdendo a guerra contra o mosquito, dissera o gestor. Põe o Exército nas ruas, para ajudar na tentativa de debelar o inseto. A nação é conclamada à luta – o que é realmente necessário, mas o governo está mais preocupado em aumentar e criar impostos, sem sacrifícios no seu próprio corpo; 29 ministérios, alguns, ou muitos, existindo apenas para atender à cooptação de partidos políticos. Verbas para atender aos reclamos da situação caótica da saúde, apenas “caraminguás”: as gordas, essas vão, por exemplo, para a propaganda oficial, para os partidos políticos, e talvez não se destinem à corrupção graças ao temor da Lava Jato, da Zelotes e outras mais operações policiais. Talvez, apenas talvez!

Ultimamente tenho dedicado parcela dos meus dias a estudar a ciência política. Em minha pesquisa doutrinária tenho colhido importantes ensinamentos de mestres na área, sendo minha leitura atual a obra Simboli al potere, do professor italiano Zagrebelsky, como o leitor enfastiadamente deve ter notado. Mas a repetição de palavras do jusfilósofo, faço-a por serem perfeitamente aplicáveis à vida política, em particular à brasileira. Vejamos essa observação de Zagrebelski, ao tratar das funções dos símbolos políticos: “Mas, não há esperança (a primeira das funções) sem confiança: a esperança no futuro pressupõe que haja confiança no presente”.

Que confiança despertam Dilma e seu governo? Enquanto o mundo lá fora mobiliza-se para combater seriamente o mosquito maldito, temos um governo de brincadeirinha. Brincadeirinha maldosa, diga-se logo.

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