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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 860 / 2016

27/02/2016 - 10:01:25

Um partido perdido e um governo sem rumo

Edimilson Correia

A campanha eleitoral de 2014 para presidente da República foi realizada em um ambiente maniqueísta estabelecido pelo Partido dos Trabalhadores. De um lado, a candidata oficial representando o bem e pelo lado do mal os candidatos da oposição. Com essa perspectiva inviabilizou-se a discussão produtiva e racional sobre a real crise política, econômica e ética que se instalou no Brasil.

A crise política estava posta na medida em que o ‘presidencialismo de cooptação’ já há muito dava sinais de exaustão. Nesse ‘regime’ o objetivo visando o desenvolvimento do país é substituído pela preservação do ‘empoderamento’ do partido majoritário, daí as alianças espúrias.

A crise econômica estava e continua estando assentada no retorno da alta inflação, no deficit público persistente (despesa maior do que a receita), recessão (crescimento da economia menor do que zero), endividamento público insustentável, taxa de juros sem precedente, desindustrialização, aumento da taxa de desemprego, a quase quebra da Petrobras, exagerado deficit estrutural da previdência social e tantos outros problemas.

A crise ética não é mais suposta, mas evidenciada pelas diversas operações da Polícia Federal e, em alguns casos, confirmada pela justiça do Brasil na medida em que já foram condenados e/ou estão presos altos executivos, dois ex-presidentes do PT, líder do governo no Senado Federal, tesoureiros de campanhas eum conjunto de políticos e empresários indiciados.  

Com todos esses problemas, a candidata oficial negou tudo de forma competente e, nos debates, sempre colocava os candidatos da oposição ‘nas cordas’.

Logo após as eleições a realidade se impôs: aprofundamento da recessão, desemprego caminhando para se fixar em um patamar superior a 10%, inflação de dois dígitos, renda média em queda, deficit público em 2015 de mais de 105 bilhões de reais e aumento persistente da dívida pública que está se tornando explosiva na medida em que o país é incapaz de pagar sequer os juros, obrigando o tesouro a se endividar cada vez mais. Tudo isso foi o resultado da forma de administrar o país nunca antes vista.

Detendo-nos apenas na explosão dos preços, assistimos quase como bestializados: a rentabilidade negativa da caderneta de poupança (única forma de preservar as economias das pessoas de renda média e baixa) na medida que seus rendimentos são negativos daí a forte evasão dos depósitos; confisco de parte do FGTS com rendimento inferior a metade da inflação; forte transferência de renda de quem ganha menos para quem ganha mais. Enfim, a inflação impõe um forte custo sobre a sociedade evidenciado pela perda de bem-estar, sobretudo para os menos aquinhoados em termos de rendimento. 

Dessa forma, está em andamento uma perversa redução das conquistas sociais tanto pela inflação propriamente dita como pela redução dos fundos públicos. Certamente, em 2019, quem assumir a Presidência da República receberá um país menor em comparação com o início da segunda década do século atual.

Por fim, o pior de tudo é a perda de autoestima da população na medida em que em seu horizonte não se percebe qual o rumo que o país irá trilhar.  Como nossos filhos e netos irão se inserir no mercado de trabalho, se a economia decresce ano após ano e a cada mês aumenta a taxa de desemprego? Ninguém sabe, mas o céu não é de brigadeiro. 

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