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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 860 / 2016

27/02/2016 - 09:47:41

Jorge Oliveira

Moro descasca Lula

Jorge Oliveira

Vitória - Não conheço a formação acadêmica do juiz Sérgio Moro, muito menos a sua predileção por livros clássicos. Nunca me ative aos seus dotes intelectuais. Passei a admirá-lo mais pela sua eficiência jurídica, coragem, valentia e, sobretudo, pelo seu empenho em passar o Brasil a limpo, o que para mim já é o bastante. Mas analisando com mais profundidade o seu trabalho à frente da Lava Jato arrisco dizer que se trata de um leitor voraz de Nicolau Maquiavel. 

Só uma pessoa com o conhecimento do escritor renascentista italiano, que escreveu sobre política de estado, teria essa sagacidade e a esperteza para destroçar o Partido dos Trabalhadores. Para isso, ele age com sobriedade e adota um estratagema de forma a não permitir que as suas decisões sejam contestadas pelos tribunais superiores, a exemplo do STF e do STJ. Moro descasca lentamente a personalidade política de Lula e desnuda com precisão a fanfarronice do ex-presidente, mostrando-o à sociedade como um farsante, cúmplice do maior escândalo da história do Brasil.

Sergio Moro aprendeu tudo com Maquiavel, certamente devorando O Príncipe, seu livro mais conhecido. Aprendeu, inclusive, a atacar seu alvo no momento certo com precisão cirúrgica para manter a sua caça na toca. Veja: ele descama a popularidade do Lula desde que começaram as investigações da Lava Jato, encurralando-o no canto do ringue sem deixar soar o gongo salvador. Hoje, não se sabe de quem é a maior rejeição, se do seu partido, o PT, ou a dele,  o que abre caminho para o bote final de Sergio Moro ao chegar mais próximo da intimidade de Lula com os empresários e lobistas que roubaram a Petrobras. 

Moro foi envolvendo Lula na Lava Jato a conta-gotas com a colaboração dos delatores que o deixaram na vitrine da corrupção. Não se precipitou, como bom estrategista, em chamá-lo para depor antes de ter em seu poder confissões de investigados que o colocavam na cena do crime como um personagem influente da trama da corrupção.  Trabalhou com paciência, como um exímio enxadrista, para acuar o ex-presidente até o xeque-mate que se aproxima com  a movimentação cuidadosa das peças no tabuleiro. 

Rejeição

Lula detém hoje uma rejeição de mais de 55%, segundo o Ibope, índice que o coloca praticamente fora do páreo presidencial em 2018.  O seu partido, o PT, carrega a pesada cruz da corrupção e certamente nas eleições municipais deste ano vai experimentar o porrete do eleitor. O ex-presidente se mantém na mídia diariamente como o sujeito que “não sabe nada”, que vive às custas dos “amigos” e que tem as suas despesas pagas por um colegiado de empresários corruptos e condenados, muitos na cadeia, como Leo Pinheiro, da OAS, e Marcelo Odebrecht. 

Lambuzou

Com a imagem abalada, lambida pela Lava Jato, Lula ainda conta com o suporte do “Exército Vermelho” do Stédile e de alguns pelegos da centrais sindicais que no momento oportuno deverão ser contidos pela própria sociedade. Da Câmara e do Senado vem a resposta à sua maldição com a redução da bancada de deputados e senadores, que fogem do PT como o diabo da cruz. E, agora, para seu desespero, vai ter que torcer para que João Santana não bote a boca no trombone como fez Duda Mendonça ao depor na CPI do Mensalão.

Quebra-cabeça

É assim que o juiz Sérgio Moro está montando o quebra-cabeça do maior escândalo da história do país, organizando o jogo de xadrez com inteligência e a paciência de um monge. A prisão de Lula, se vier a ocorrer, será apenas o coroamento dessa operação incansável dos nossos Eliot Ness. Com a imagem deteriorada, Moro não acredita que o povo proteste nas ruas contra a prisão de Lula no desfecho da operação. Ao STF e a STJ não resta outra alternativa que não seja a de aplaudir Sérgio Moro, o magistrado que veste a Justiça com uma nova toga, a da dignidade. 

Era Lula 

Como soaria bem aos ouvidos dos brasileiros a notícia de que um presidente da República ao se recolher, depois de cumprir oito anos de mandato, encheu caminhões de livros e obras de arte e os transportou para a sua nova residência. Como soaria bem aos nossos ouvidos que o presidente deixou o poder e virou uma espécie de consultor, conselheiro respeitável para momentos de crise, um homem acima de qualquer suspeita com quem o país contasse para discutir problemas de estado.

A mudança

Infelizmente, não foi assim que aconteceu com o Lula. Ao deixar o governo e consequentemente o Palácio da Alvorada que ocupou durante oito anos, o ex-presidente encheu vários caminhões com a sua mudança. E em um deles, especificamente, carregava caixas de bebidas, vinhos especiais e raros acomodados em um dos veículos climatizado. Destino: sítio de Atibaia, em São Paulo, que nega ser dele, reformado com dinheiro das empreiteiras que roubaram a Petrobras, comprado por R$ 1,5 milhão por um dos sócios do seu filho Lulinha.

Os vinhos

Que coisa! Esta, sem dúvida, foi a carga mais valiosa do ex-presidente, cujo gosto por vinho especial foi despertado quando ele foi generosamente presenteado com um Romanée Conti, vinho da Côte de Nuits, leste da França, na faixa acima de 6 mil dólares, pelo seu marqueteiro Duda Mendonça, para comemorar a vitória do primeiro mandato. Três anos depois, Mendonça seria convocado pela CPI para confessar que recebeu uma fortuna do PT em contas no exterior. O caixa 2 levou o marqueteiro ao inferno astral durante anos até ser absolvido pelo STF.

Sofisticação

Mas justiça seja feita, responder a processos depois que deixa o poder não é um ato isolado de Lula. Outros ex-presidentes como Collor e Sarney já padecerem nesse paraíso. Não se conhece, portanto, na história do país, um presidente com tamanha sofisticação por vinhos caros como o ex-operário Luís Inácio Lula da Silva, dono de uma fortuna declarada de mais de 50 milhões de reais, patrimônio financeiro suspeito para quem até hoje só fez política.

Adega

Ao deixar a presidência, Lula mandou empacotar cuidadosamente 37 caixas de bebidas, quase 200 garrafas, que seguiram direto para o sitio de Atibaia, seu refúgio, registrado em nome de laranjas. Lá, as garrafas foram acomodadas em uma gigantesca adega, parte da reforma do sítio feita pela Odebrecht, que teria gasto 800 mil reais para deixar tudo nos trinques às exigências do ex-presidente.

Reverência

O gosto por bons vinhos do ex-operário chegou aos ouvidos dos diplomatas brasileiros no exterior. E aqueles, mais elásticos, que queriam reverenciar o chefe quando os visitavam sempre o presenteavam com vinhos de qualidades. Assim, de garrafa em garrafa, a adega de Lula cresceu e se multiplicou. 

Os miseráveis

Ao deixar o governo, Lula pensou que seria imortalizado como o pai dos pobres, como a imprensa servil e submissa chegou a rotulá-lo. Que a popularidade seria perpétua. Que o jargão de que “nunca na história desse país” fosse alimentar para sempre o imaginário dos seus eleitores do Bolsa Família, homens e mulheres miseráveis transformados em eleitores de currais. 

A realidade

Viu-se, já fora do poder, diante de outra realidade quando teve que se expor para defender os bandidos do mensalão e tentar cooptar ministros do STF para suavizar os processos dos militantes petistas. Inconformado, acompanhou as condenações dos parceiros sempre negando participação nos crimes. Depois disso, assistiu a sucessora destroçar a economia do país e, agora, está encrencado na Lava Jato, na Zelotes, no lobby da indústria automobilística e na cumplicidade com as empreiteiras que derreteram a Petrobras.

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