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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 858 / 2016

11/02/2016 - 11:29:18

Advogado é agredido por policiais em Maceió

OAB/AL sai em defesa de jovem agredido, algemado e preso durante confusão em bloco carnavalesco na Serraria

Redação
Silvio Arruda disse que todos os procedimentos serão adotados e a Ordem vai cobrar o andamento das representações

O que poderia ter sido mais um dia de diversão terminou em pesadelo para um jovem advogado na parte alta de Maceió. Segundo vídeos que circulam nas redes sociais, o rapaz assistia ao desfile do bloco Bonecas da Serraria, mas no início da madrugada do domingo, 31, um grupo que estava com som de carro ligado foi surpreendido pela PM que chegou “batendo em todo mundo”. Segundo relato do advogado, que não participava da farra, ao perguntar o que estava acontecendo foi agredido com tapas no rosto, recebeu spray de pimenta nos olhos, algemado e colocado em uma viatura sob insultos e palavrões. Ao se identificar como advogado, disse, um policial ficou “extremamente ofendido” e aumentou a fúria.

Como se não bastasse, foi levado para a Central de Polícia onde ficou detido por muito tempo. Só foi liberado após ser lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e ele fazer um BO (Boletim de Ocorrência). No relato, o advogado mostra-se indignado ao afirmar que mesmo alertando aos policiais de que não era bandido, de que não estava conseguindo respirar, foi o único algemado e ficou horas no camburão. “Eu pensei que ia morrer, achava que os caras ‘tavam’ me amassando. Fizeram de propósito para me humilhar. Desdenharam e me humilharam porque eu disse que era advogado”, comentou a vítima com um amigo em seu WhatsApp. 

De acordo com o relato do advogado, no TCO os agressores inventaram uma história em que ele no momento da abordagem teria dito que não iria abaixar o som. No entanto, afirmou: “Mas eu nem tinha som”. A noite de terror estava apenas começando.

Em outro momento da conversa, ele afirma ao amigo que tem um vídeo em que um policial bate em uma mulher que fica com a boca sangrando, embora a mesma não tenha apresentado reação. 

Os vídeos mostram que as agressões foram desnecessárias e que houve abuso de autoridade. Ao relatar o fato, o advogado disse que em nenhum momento houve de sua parte qualquer disposição ao confronto. “Até compreendo o clima áspero daquele momento, mas nada justifica a agressão a ponto de ser tratado como um marginal”.

OAB EM AÇÃO

O presidente da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas (OAB/AL), Sílvio Arruda, considerou absurda a agressão sofrida pelo advogado e disse que a Ordem  vai tomar as medidas cabíveis. De acordo com Arruda, a partir do relato da vítima e dos vídeos apresentados, será encaminhada queixa para a Corregedoria da Polícia Militar, para o secretário de Segurança e ao Conselho de Segurança para que as providências sejam adotadas.

Segundo Arruda, o vídeo é chocante não apenas por a vítima ser um advogado, mas por qualquer cidadão. “O absurdo é a polícia não saber tratar o cidadão. Polícia tem que ser temida pelo bandido e não sair usando da força contra as pessoas. Não estamos nos referindo apenas pelo fato de o rapaz ser advogado, mas defendemos o estado de direito”, criticou Arruda.

MAIS ABUSO

 Na mesma semana, outro advogado também foi vítima da polícia em Maceió. Na quinta-feira (4), representantes da Ordem e os advogados agredidos, Roberto Lima e Diego Cavalcante, formalizaram representações contra os militares responsáveis pelas agressões a Lima (na Serraria) e os atos de desrespeito contra Diego Cavalcante que aconteceram durante desfile do Pinto da Madrugada.  DESRESPEITO

No sábado, dia 30 de janeiro, o advogado Diego Cavalcante teve sua carteira da OAB e alguns documentos jogados ao chão por policiais militares na orla de Maceió. O fato aconteceu após Diego se solidarizar com uma mulher e a filha que aguardavam a liberação do parente, detido por suposto desacato.

De acordo com a vítima, ao intervir porque me solidarizou com a situação das mulheres alguns policiais agiram educadamente e explicaram o que havia ocorrido. De repente, um militar se aproximou e começou a questionar o motivo dele estar intervindo na situação. Para sua surpresa, o policial iniciou uma série de agressões verbais. Em seguida, outro policial se aproximou e pediu a identificação do advogado, que ao apresentar teve os documentos jogados.

“Fui ameaçado de ser preso apenas pelo fato de eu ter me solidarizado com uma família. Estava cumprindo meu papel de advogado. Como advogado, fui humilhado e esse é um caso que não posso deixar passar. Estamos indo ao Conseg e a OAB irá tomar todas as medidas possíveis para que haja a punição dos culpados”, disse Diego Cavalcante, segundo informações do site da OAB/AL.

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