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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 858 / 2016

11/02/2016 - 11:17:23

Desindustrialização do Brasil

Edimilson Correia Veras

A partir da primeira revolução industrial há mais de 200 anos todos os países do mundo procuraram de uma maneira ou outra, industrializar-se. Ao longo do tempo uns lograram êxito extraordinário  e, outros, nem tanto.

No pós-segunda guerra o mundo foi dividido em três grupos de países: primeiro mundo, capitaneado pelos Estados Unidos, segundo mundo liderado pela URSS e o terceiro mundo abrangendo toda a América Latina, África e quase toda Ásia. Essa divisão estava relacionada com o valor da produção industrial em relação ao PIB.

O processo de industrialização do Brasil inicia-se, timidamente, no século XIX com a produção de bens de consumo não duráveis tendo por base as usinas de açúcar (substituíram os engenhos) e as fábricas têxteis disseminadas por todo  o país inclusive em Alagoas. 

Nos primeiros 50 anos do século XX a industrialização se restringia à produção de bens de consumo não duráveis e bens intermediários. Somente com o Plano de Metas de JK é que a indústria de bens de consumo duráveis capitaneada pela indústria automobilística, deslancha. Mesmo assim, em 1959, a indústria de bens de consumo ainda participava com 46,6% da produção industrial ao lado de 5,0% da indústria de bens de consumo duráveis e apenas 11,1% de bens de capital. A esse processo de industrialização chamou-se de substituição de importação.

Entre as décadas de 60 e 90 a economia brasileira passou por vários ciclos econômicos permeados por um complexo conjunto de problemas políticos e econômicos: ditadura civil/militar, redemocratização, alta inflação, déficit fiscal, déficit externo, recessão e baixo crescimento e/ou estagnação do PIB.

Indiscutivelmente, o setor industrial é de fundamental importância para qualquer economia mas, nos últimos 50 anos,  de uma maneira geral, instalou-se no mundo um processo de redução da industria de transformação em relação ao PIB. 

Há evidências de que a desindustrialização no Brasil iniciou-se a partir da década de 70 continuando a ocorrer até nossos dias. No entanto, é importante destacar dois aspectos: o primeiro é a aceleração desse processo em anos recentes e em segundo lugar a partir de 2010 a produção industrial deixa de crescer em termos absolutos  e, mais recentemente, se expande negativamente.

As explicações e as consequências desse fenômeno são complexas  e polêmicas  não havendo consenso entre os economistas. De qualquer modo, há indicação de que a desindustrialização está relacionada, de alguma forma, a questões externas e internas. No primeiro caso é o reflexo da crise mundial que se instalou a partir de 2008 e, no segundo, em decorrência de como o governo brasileiro reagiu à crise principalmente a partir de 2011 culminando com o excesso de gastos em 2014.

No que concerne às consequências as mais evidentes, estão a perda de postos de trabalho e o rebaixamento da renda média da economia. 

Todos sabemos que as crises, ao longo do tempo, tem diagnósticos e soluções diferenciadas. Contudo, a atual tem uma peculiaridade: é uma combinação de recessão, falta de liderança política e comportamento ético reprovável de importantes atores públicos e privados. Nenhum analista, em sã consciência, poderá prever uma saída, pois perdemos 2015 e certamente perderemos 2016 e 2017.  Resta acreditar que Deus é brasileiro!

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