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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 858 / 2016

11/02/2016 - 11:16:42

Quem faz um país é o povo

Jorge Morais

Acaba mês e entra mês e os assuntos destacados pela imprensa brasileira continuam sendo os mesmos. Deixando de lado a violência enfrentada pelas polícias e o cidadão em todas as cidades e, agora, em qualquer lugar de dia e de noite, a principal notícia continua sendo a Operação Lava Jato, com novas denúncias, delações premiadas, condenações, prisões, perdões, uma vergonha nacional.

Na verdade, o que muda nesse enredo todo são alguns novos personagens, entre eles, a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como os mais novos integrantes dessa bandalheira toda. Novos em relação ao fato de terem sido enquadrados e convidados a depor, porque não é novidade para ninguém, seus nomes aparecerem agora, já que no ano passado já havia um forte indicativo nesse sentido e de que isso, fatalmente, ocorreria.

Lula, como o homem mais honesto do País, terá muito que se explicar: como é que, pobrezinho, saído lá de Pernambuco, metalúrgico em São Paulo, perdeu um dedo e se aposentou pelo INSS, mas conseguiu fazer uma fortuna, extraordinária, somente com palestras, representando os interesses de empreiteiras no exterior, com um lobby de fazer inveja aos grandes profissionais desse segmento.

O ex-presidente vai, inclusive, ter que se explicar como o Instituto Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu arrecadar tanto dinheiro em tão pouco tempo de fundado. Como conseguiu comprar um luxuoso apartamento com três andares, sem saber de sua existência. E o pior: o apartamento foi reformado por uma construtora e ele não ficou sabendo, mesmo que tivesse ido lá algumas vezes, inclusive a sua esposa e os familiares também. Amnésia total!

É por essas e outras coisas que transcrevo uma pequena história que recebi esta semana. É o relato do professor doutor Décio Tadeu Orlandi, bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Literatura pela Universidade Federal de Goiás (UFG):

“Há alguns anos, entrei numa estação de metrô em Estocolmo, a tão civilizada capital do primeiro mundo, a Suécia, e notei que havia, entre muitas catracas normais e comuns, uma de passagem grátis livre. Questionei à vendedora de bilhetes o porquê daquela catraca permanentemente liberada, sem nenhum segurança por perto.

Ela me explicou que aquela era destinada às pessoas que, por qualquer motivo, não tivessem dinheiro para o bilhete da passagem. 

Minha mente incrédula e cheia de jeitinhos brasileiros não conteve a pergunta óbvia (para nós!): ‘E se a pessoa tiver o dinheiro, mas simplesmente quiser burlar a lei?’

Aqueles olhos suecos e de límpidos azuis se espremeram num sorriso de pureza constrangedora: ‘Mas por que ela faria isso?’, me perguntou.

Não lhe respondi. Comprei o bilhete, passei pela catraca e, atrás de mim, uma multidão que também havia pago por seus bilhetes. A catraca livre continuava vazia, tão vazia quanto minha alma brasileira, e muito envergonhada”. 

Por isso o título desse artigo: Quem faz um país é o povo. E faz os políticos também...

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