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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 858 / 2016

11/02/2016 - 08:17:43

Jorge Oliveira

Lula e a eleição no céu

Jorge Oliveira

Maceió - Os evangélicos cortaram definitivamente as relações com Lula. Estão chocados com as declarações do ex-presidente de que é mais honesto do que a igreja deles. O pastor Silas Malafaia, líder espi-ritual de milhares de crentes, foi o primeiro a esbravejar na rede social: “Piada! Lula roubou o discurso de Paulo Maluf. ‘Não existe gente mais honesta que eu’. Vai ser cínico lá no raio que o parta, um palhaço mentiroso”.

Lula continua insistindo que é honesto. Se diz o homem mais honesto do mundo. Mais do que Deus, que o papa, que a Justiça e que as igrejas pentecostal e católica. É mais honesto do que Zé Dirceu, Delcídio, Vaccari, Delúbio e Vargas, a sua tropa de choque que está na cadeia. Lula se mostra também um homem sem impurezas, de alma honesta. Nem o papa é tão honesto quanto ele. É possível que a essa altura Lula já tenha desistido de uma provável campanha presidencial em 2018 para fazer um intensivão e virar santo. É um curso rápido para chegar lá em cima com a possibilidade de substituir Deus  com as credenciais de ter sido, na terra, o homem mais honesto, o grande benfeitor da humanidade, um homem sem mácula. 

É bem provável que não passe nem pelo purgatório, um departamento intermediário que limpa os pecados depois de interrogar o candidato a uma vaga no céu. Lula, a estrela maior da honestidade, não passará pela triagem obrigatória, vai direto ao encontro de Deus, a quem dirá cara a cara ser pretendente ao seu trono. 

Na terra negou tudo, não existiu. Diante de Deus é capaz de dizer que  foi o melhor presidente do Brasil. E negar que é dono de um tríplex no Guarujá, que não conhece o presidente da OAS. Negar que ele reformou seu apartamento na beira da praia e um sítio no interior de São Paulo. Que não conhece Zé Dirceu e os diretores da Petrobras. Que não ficou rico – fortuna comprovada de 53 milhões de reais, segundo o Fisco -, e que, por fim, nunca foi sindicalista.

Com essa plataforma de campanha tentará mudar o quadro político lá de cima, convertendo os aliados de Deus em opositores. Lula vai organizar no céu um partido que represente os petistas honestos que um dia subirão já redimidos dos pecados que cometeram aqui na terra. Mas só ingressa nessa nova agremiação quem for, compro-vadamente, honesto como ele, uma missão quase impossível, mas que ele promete cumprir.

Oposição

No entanto, diante das injúrias contra os evangélicos, certamente terá uma oposição aguerrida para barrar suas pretensões de virar Deus, a julgar pelas críticas também do líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Sóstenes Cavalcante, deputado federal: “Lula diz que não tem ninguém mais honesto que ele, até o diabo ficou revoltado com ele, otário falastrão, cínico. Os tempos mudaram. As pessoas não são mais desinformadas. Sabem que essa é uma estratégia sua para se descolar do PT, que é um partido de ladrões. Ladrões condenados pelo STF”.

Convencimento

Como se vê, Lula terá sérios problemas para convencer esse exército  evangélico que se diz representante de Deus na terra, de que teria sido o homem mais honesto do universo. E, com essa proposta de honestidade, derrubar o Homem lá de cima.

Improviso

Certa vez, o então ministro das Minas e Energia, Cesar Cals, me confidenciou que o governo brasileiro vive de improviso. Ao anunciar o recolhimento dos carros com mais de dez anos de uso como uma das medidas para racionar energia na crise entre as décadas de 1970/80, ele foi chamado pelo presidente João Batista Figueiredo para ser repreendido. A medida, segundo o general, era impopular e, portanto, negativa ao governo. A decisão de Cals não prosperou e os carros velhos continuaram a rodar por esse país afora consumindo mais combustíveis pela desregulagem do motor.

Confissão

O ministro me confessou que a medida surgiu depois de uma conversa com amigos e alguns goles de uísque na Península dos Ministros, onde residia em Brasília. Não foi gerada por nenhum estudo técnico nem baseada em dados que comprovassem a eficácia da economia de combustível. Além disso, lembraria ele, não existiria espaço para estocar tantos carros e logística para mantê-los guardados. Na época, publiquei a matéria no Jornal do Brasil resguardando a fonte.

No gogó

Nada mudou de lá pra cá. Nessa coisa de improviso não existe diferença entre governo ditador e democrático. Em Brasília, tudo é feito ainda na base do improviso. Não há, por exemplo, quem me convença de que essa liberação de 83 bilhões de reais  para incentivar o consumo não trilhou o mesmo caminho de uma reuniãozinha movida a uísque. Se a decisão tivesse sido amadurecida por economistas sérios, discutida a sua eficácia e a importância dos seus benefícios, evidentemente que o ex-ministro Joaquim Levy a teria usado para sair do sufoco.

Mágicos

Não precisa ser nenhum gênio em economia para constatar que, mais uma vez, o governo da Dilma trabalha atabalhoadamente. E o seu atual ministro da Fazenda, forjado dentro do Instituto Lula, pensa como o Cesar Cals. Sacou da cartola a solução mágica para tirar a economia do limbo usando o FGTS do trabalhador para estimular o consumo. É mais uma maldade contra os trabalhadores. 

Trabalhador

Em vez de reduzir os gastos e procurar outras alternativas para desenvolver o país gerando renda e emprego, a Dilma incentiva o trabalhador a entregar o FGTS aos bancos como garantia de empréstimos. Ora, depois da elasticidade dos créditos para compra de carros e a autorização dos empréstimos também consignados aos aposentados, levando-os à falência, o governo quer agora entregar o cofrinho do trabalhador aos bancos. Quem não lembra, por exemplo, do desastre que foi a compra das ações da Petrobras com o dinheiro do FGTS? 

Os gatos

O trabalhador, que vem sofrendo com a recessão econômica, não vai pensar duas vezes para penhorar seu fundo de garantia nos bancos. E, com essa medida, como sempre acontece, os banqueiros vão reforçar o caixa sem o medo de perder o dinheiro emprestado a juros de mercado, um dos mais altos do mundo.

Cofrinho

Na verdade, essas coisas só acontecem em um governo biruta como o da Dilma, que não planeja o país para tirá-lo do buraco. Continua gastando desenfreadamente como se estivesse nadando em dinheiro. Mantém ministros incompetentes nos cargos, como o da Saúde,  para agradar aos partidos e evitar o impeachment. E vive gastando milhões de reais em roupas, viagens e boas comidas para se manter elegante e bem alimentada com o dinheiro do trabalhador, o mesmo dinheiro no qual ela agora – em nome do crescimento – vai meter a mão.

Uma fria

E como alegria de pobre dura pouco, mais cedo ou mais tarde o trabalhador, endividado, vai perceber que entrou, mais uma vez, no conto do vigário para melhorar o ranking dos bancos brasileiros, os mais lucrativos do mundo. A teoria de Cals de que tudo em Brasília se faz no improviso continua valendo. Infelizmente, para desespero dos brasileiros. 


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