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Edição nº 858 / 2016

05/02/2016 - 07:29:34

Mais de 70% dos habitantes de Minador são eleitores

Com quase metade da população formada por analfabetos, município sofre com rivalidade entre membros da família Ferro

Vera Alves [email protected]
Socorro Cardoso Ferro e Cícero Ferro disputam o controle da cidade; hoje ela é a prefeita

Minador do Negrão, município do Agreste alagoano a 169km de Maceió e dominado há décadas pela dividida família Ferro, é também o segundo do país onde quase metade da população é formada por analfabetos: 43,8% dos seus habitantes com mais de 15 anos de idade não sabe ler nem escrever. Paradoxalmente, mais de 70% da população local é eleitora, de acordo com os dados oficiais da Justiça Eleitoral atualizados até dezembro do ano passado.

Com 5.425 habitantes, Minador tem oficialmente registrados junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) um total de 3.936 eleitores, ou seja, 72,5% de sua população vota. Enquanto isto Maceió, cuja população é de 1.013.773 habitantes, o número oficial de eleitores é de 566.031: 55,83% votantes.

Os indicadores sociais revelam que Minador está longe de se libertar dos feudos familiares: entre os 5.570 municípios brasileiros, é o 4.984º no ranking do Índice de Desenvolvimento dos Municípios (IDH-M) que reúne os indicadores sobre qualidade de vida da população, incluindo nível de escolaridade, saúde, trabalho e renda e habitação.

Embora nem sempre presente na mídia local, o município é também alvo de frequentes denúncias contra a administração municipal, hoje encabeçada por Maria do Socorro Cardoso Ferro (PSDB). Contra ela, pesam desde acusações de nepotismo – filhas e sobrinhos compõem o staff da prefeitura – a má gestão dos recursos públicos.

Devendo três meses de salários a servidores da educação e saúde, Socorro Cardoso é acusada por seus opositores de desviar recursos do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Município (Ipam). Até 2004, o órgão próprio da Previdência municipal dispunha em caixa de recursos para bancar as aposentadorias, pensões e benefícios, mas desde 2005 a situação de insolvência é latente. Por conta disto, servidores aposentados a partir daquele ano ainda hoje figuram e recebem como efetivos, embora não mais trabalhem. E as contribuições previdenciárias dos funcionários continuam a ser normalmente descontadas. Só não se sabe o destino dos recursos.

Sem opositores na Câmara de Vereadores, já que todos os seus nove integrantes estão alinhados à prefeita, não existe uma ação oficial que cobre a prestação de contas da gestão de Socorro Cardoso ou explicações para a total ausência de medicamentos nas três unidades de saúde existentes no município.

Tanto quanto em relação à prefeitura, há também denúncias de irregularidades na Câmara Municipal, a mais recente delas dando conta de balancetes forjados. No final do ano passado, por exemplo, para fechar a contabilidade referente aos gastos da Casa, foram incluídas viagens internacionais de três vereadores que sequer saíram do município: Clélio Cardoso Ferro, Valdemir Tenório (conhecido como Aleijado) e Elton Bulhões (Careca), atual presidente da Câmara.

Com um histórico de violência que lhe rendeu significativos espaços na imprensa nacional, Minador do Negrão é uma terra marcada pela rivalidade entre membros da família Ferro, de um lado os adeptos da atual prefeita e do outro os seguidores do ex-deputado Cícero Ferro que já se anunciou candidato nas eleições de outubro próximo. A rivalidade entre as duas correntes já teve muitos episódios sangrentos. 

O marido de Socorro e primo do ex-parlamentar, Jacó Ferro, foi executado a tiros em 2005, um ano depois de uma emboscada contra Cícero Ferro. Meses depois, Sebastião Ferro, irmão de Jacó e que havia prometido vingar a morte deste, também foi assassinado.

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