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Edição nº 858 / 2016

05/02/2016 - 07:23:04

Estelionatário foge de Alagoas com salvo-conduto do TJ

Desembargador Washington Luiz concedeu benefício a Leonardo Byernes durante plantão de final de semana

Redação
Leonardo escapou da prisão em Alagoas graças ao salvo-conduto concedido por Washington Luiz, mas foi pego no Espírito Santo

Conhecido pela polícia como “Rei da Clonagem”, Leonardo Byernes Carvalho Gonçalves, 32, detido no estado do Espírito Santo na semana passada, deveria estar preso em Alagoas desde o dia 7 de agosto de 2015 por tentativa de estelionato, furto e resistência. Mas, dia 10 de agosto, três dias após ser preso pela terceira vez, foi liberado após pagar fiança. Como Leonardo respondia a outro processo criminal, no dia 13 de agosto o Ministério Público pediu sua prisão preventiva, que não pode ser deferida pelo juiz do processo em virtude de um salvo-conduto, concedido a fim de “preservar seu direito de ir e vir”, sob os argumentos de bons antecedentes, residência fixa.

O salvo-conduto foi emitido liminarmente no habeas corpus nº 0803181-23.2015.8.02.00 em favor de Leonardo Byernes e que foi impetrado dia 16 de agosto de 2015, durante plantão judiciário de final de semana, contrário a ato do juiz da 4ª Vara Criminal da Capital. Em sua decisão, o presidente do TJ, desembargador Washington Luiz Damasceno Freitas, afirma que entendeu como “necessária a concessão da ordem, expedindo-se o competente salvo-conduto a Leonardo Byernes, a fim de preservar o seu status libertatis, (estado de liberdade) salvo se por outro motivo for preso, para que possa contribuir com as investigações sem que o seu direito de ir e vir seja tolhido”. E mais adiante, reafirmou que a medida foi tomada para “impedir que (Leonardo) venha a ser preso, preservando-lhe prejuízos irreparáveis”.

A 27 de janeiro de 2016, a liminar foi ratificada pelo relator-desembargador José Carlos Malta Marques e, no julgamento do mérito, por unanimidade de votos, a Câmara Criminal, em sessão ordinária, concedeu em definitivo o habeas corpus a Leonardo Byernes. Na ocasião, o procurador de Justiça Antônio Arecipo de Barros Teixeira Neto usou da palavra “pugnando pela denegação da ordem impetrada, cassando-se a liminar deferida, sob argumentos trazidos na sustentação”. Na decisão de mérito, acompanharam o voto do relator os desembargadores Otávio Leão Praxedes, João Luiz Azevedo Lessa e Sebastião Costa Filho.

Outro fato que chama a atenção é que Leonardo responde a um processo de estelionato (nº 0001117-712014.8.02.0012) na Comarca de Girau do Ponciono, mas estranhamente o processo estagnou. Em consulta feita por meio eletrônico, a reportagem do EXTRA detectou que a última informação, com data de 28/07/2014, é de que “não há incidentes, ações incidentes, recursos ou execuções de sentenças veiculados a este processo”. E nem tão pouco audiência.

FICHA CRIMINAL

Byernes é velho conhecido da polícia alagoana. Natural de Pão de Açúcar, sertão de Alagoas, e residente em Maceió há muitos anos, essa é a quarta vez que o estelionatário vai parar atrás das grades. A primeira prisão foi em 2013. À época, ele já usava diversos nomes de vítimas em cartões e cheques que ele mesmo clonava. Na ocasião, a polícia apreendeu a impressora e as máquinas eletrônicas que clonavam os cartões e cheques. De acordo com informações da polícia na época, o próprio pai do acusado, ao ser informado da ação policial, levou os PMs à residência do filho.

Em 2014 o rei da clonagem estava livre para aplicar novos golpes, mas foi preso por homicídio, crime pelo foi absolvido meses depois. Na época, a polícia encontrou com o acusado cerca de 300 cartões clonados, documentos falsos, cheques falsificados e maquinetas de fazer cartões. Ainda foram encontrados cartões de várias bandeiras, inclusive internacionais, além de um pequeno laboratório com materiais usados para confeccionar os cartões.

Parece que Leonardo sente atração por estar atrás das grades. Em agosto de 2015  foi detido pela terceira vez ao tentar fazer compra com cartão falso em uma joalheria no bairro de Mangabeiras, Maceió. Ele estava com R$ 34 mil, além de 12 cartões de crédito de diversas bandeiras. 

Visado em sua terra natal, Leonardo resolveu fazer novas vítimas na Região Sudeste. Mas ao ser preso no Espírito Santo, o estudante de Direito falou à polícia que estava cansado da malandragem e pretendia parar de aplicar golpes.

O CRIME EM 

TERRAS CAPIXABAS

Leonardo Byernes Carvalho Gonçalves, conhecido como Rei da Clonagem, foi preso no último dia 28 (um dia após a decisão da Câmara Criminal do TJ de Alagoas) em Guarapari, Espírito Santo, onde se passava por pessoa de classe média alta. Bem articulado, escondia sua vida do crime e conseguiu ganhar a confiança de suas vítimas. Depois, pedia dinheiro emprestado. Ele também pegava empréstimos em financiadoras com falsas identidades. Segundo informações da polícia capixaba, Leonardo possuía mais de 50 cartões de crédito, uma máquina de clonagem, seis identidades falsas, CPFs falsos, 28 chips de celulares, cinco celulares, dois laptops e diversos objetos e roupas de luxo. 

De acordo com o site de notícias Portal 27, pelo menos duas pessoas foram vítimas dele  em Guarapari. Ambas teriam tido um prejuízo de pelo menos R$ 30 mil. 

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