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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 857 / 2016

31/01/2016 - 08:19:34

Espelho, espelho meu

CLÁUDIO VIEIRA

Já escrevi neste espaço sobre a capacidade do ex-presidente Lula produzir fatos hilários, graças à alta performance histriônica da qual é dotado. O sujeito abre a boca e o que diz nos remete a alguma lembrança engraçada, curiosa ou fantástica. A mais recente levou-o a autoproclamar-se o homem mais honesto do mundo. Tal seriedade com que divulgou a informação faz-me considerá-lo um mitômano, aquele indivíduo que mente acreditando de fato em suas mentiras.

Várias são as maneiras de um ex-retirante nordestino, metalúrgico aposentado, tornar-se em poucos anos serelepe milionário. O ex-presidente encontrou uma, assim como os seus geniais filhos. Afinal, filhos de peixe, peixinhos são. 

A declaração de honestidade ímpar do prócer petista remeteu-me à leitura que venho fazendo do livro “Simboli al potere”, de Gustavo Zagrebelsky. Introduzindo o tema, o jusfilósofo italiano discorre sobre duas realidades: uma, perceptível fisicamente, a realidade material, imperfeita; a outra, imaterial e perfeita, compreensível através de símbolos. Mas, diz o professor emérito da Universidade de Torino, Itália, são ambas parte de uma mesma realidade, e exemplifica: é como se alguém olhasse o espelho pelo lado refletivo, e depois olhasse o mesmo espelho pelo lado de trás, completando assim a imagem que vê. Imagino então o Lula diante de generoso espelho olhando-se e adorando-se, parodiando aquelas palavras da rainha malvada: espelho, espelho meu, haverá nesse mundo alguém mais honesto do que eu? Como o espelho não responde, e Lula não conhece o pensamento de Zagrebelsky que recomenda olhar a parte de trás da peça para se ter compreensão completa do que se vê, o impossível petista naturalmente conclui pela sua verdade, e nela acredita piamente. Daí a sua indefectível cara de pau.

O fato lembra-me também um amigo de outrora que, entusiasmado com seita de origem oriental aportada por aqui em nosso rincão alagoano, confidenciou-me, certa vez, convidando-me a fazer o mesmo, que toda manhã, ao acordar, postava-se diante do espelho a dizer repetidamente em voz alta: eu sou bonito! Confessou-me ele que ouvindo a si mesmo, achava-se realmente dotado de beleza singular. Em tom de brincadeira, disse-lhe eu que não iria adotar a interessante prática porque, pelo que eu via, em nada melhorava aspecto físico de ninguém. 

Quem sabe o Lula não é crédulo seguidor dessa seita?

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