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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 857 / 2016

31/01/2016 - 08:10:51

Apenas uma taça de vinho ou a garrafa inteira?

Jânio Fernandes

A cultura do consumo do vinho tem crescido em muitos países. E, claro, isso inclui o Brasil. Mas o que há de novo para quem quer conhecer diferentes vinhos a um custo interessante? 

Já parou para pensar que seria bom se você pudesse desfrutar do prazer de almoçar, ou jantar, tomando uma taça de um bom vinho sem precisar pagar pela garrafa toda? E se você pudesse entrar num restaurante e pedir um menu com os melhores vinhos da casa servidos em taça?

Não faça cara de espanto! Isso vai acabar se tornando tão comum nos bares e restaurantes quanto pedir a conta.

Mas por falar em conta, este é um serviço cujo preço representa ganho para os dois lados. Primeiro o cliente, que a esta altura já se deu conta que sai mais barato pagar pela taça que pela garrafa. Porque pode harmonizar mais de um vinho com o mesmo prato, considerando o seu gosto e conhecimento sobre o tema ou seguindo as sugestões da casa. E ganha o restaurante, por apresentar esta opção para o cliente e por ter uma saída maior de vinhos de qualidade, que muitas vezes ficam um tempão na adega até que algum apreciador esteja disposto a investir na aquisição da garrafa.

Aqui é aquele ponto em que você diz “me explica esta história um pouco melhor”. 

Comentei recentemente que acabaram os anos daqueles vinhos anônimos e de má qualidade servidos em taças. Houve um período em que esse serviço era mesmo de qualidade inferior, para não dizer indecente. Antes, o cliente/consumidor não era informado o suficiente para exigir uma variedade de rótulos que atendesse suas expectativas em relação ao vinho. Hoje já se pode desfrutar de um leque bastante amplo de rótulos nas cartas dos restaurantes. 

O cenário começa a mudar. E não poderia ser diferente, muita coisa muda no mundo a todo instante. Serviços melhoram, novas tecnologias são desenvolvidas e o mercado está sempre atento a novas maneiras de otimizar custos e lucros.

Embora existam em diferentes tamanhos de garrafas (a clássica de 750ml, a meio garrafa e a de 187ml, que corresponde a uma taça) o cliente atual tende a dar preferência ao vinho em taça. Essa tendência vem se instalando no mercado de forma gradual, mas variando muito na maneira de se expressar.

Estive recentemente no Recife e constatei isso. Fui a um local que serve vinho em taça direto de uma máquina com capacidade para 4 rótulos. Cada módulo possui a regulagem de temperatura adequada aos diferentes vinhos colocados no equipamento, além da garantia de conservação por até 30 dias depois de aberta a garrafa. 

Percebeu onde cliente e restaurante ganham? Essa máquina (ainda com custo muito elevado para o porte de muitos restaurantes) é capaz de manter todas as caraterísticas do vinho por 30 dias. É tempo suficiente para a comercialização de qualquer rótulo que a casa tenha na sua adega. Isso aumenta o lucro e os clientes podem desfrutar de bons vinhos, pelos quais talvez não estivessem dispostos a pegar pela garrafa.

Embora alguns gestores mantenham um conceito de que o preço da taça de vinho tem que permanecer econômico, é imprescindível pensar no cliente. Porque esta sempre foi uma forma segura de tomar decisões em qualquer área do mercado: o cliente em primeiro lugar. Por isso é interessante buscar um vinho de qualidade para oferecê-lo a um preço mais justo. 

Em lugares como os EUA, o Reino Unido e até Hong Kong, países que estão num auge de interesse pelo vinho, a maioria dos restaurantes e bares oferecem aos clientes cartas de vinhos em taça. E são sempre bons vinhos que aparecem nesses menus.

Existem casos de restaurantes que oferecem, durante a semana, vinhos de uma determinada nacionalidade e de uma certa uva, onde o cliente pode escolher a casta de várias regiões como: Piemonte, Toscana, Veneto, Veneza Giulia, Ligúria, Sicília. Isso permite que os consumidores experimentem e descubram vinhos diferentes. O que lhes dá a certeza de que vale a pena comprar uma garrafa quando eles podem se dar ao luxo de fazê-lo.

Seria interessante que em cidades que vivem do turismo os hotéis adotassem essa filosofia de servir vários vinhos em taça, para satisfazer as expectativas gastronómicas dos hóspedes. Esta diversidade eleva a imagem e o prestígio do negócio, porque o vinho, associado com boa comida, gera um maior fluxo de um bom nível de consumidores.

No Bistrô Fernandes já venho praticando uma oferta de vinhos em taça para os clientes que não conhecem, ou para verificar como o vinho se comporta com determinado prato. Isso contribui na harmonização com a gastronomia e possibilita ao cliente experimentar vários vinhos. E quem sabe se ele se inicia na arte do vinho.

Um brinde. Saúde a todos!

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