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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 857 / 2016

31/01/2016 - 08:10:19

Honestidade a toda prova

DENIS VIEIRA

Este título tomei emprestado de um dos contos literários de minha autoria. Satírico, tem como protagonista um corrupto do cotidiano hodierno.

Assim o fiz em alusão ao discurso do Lula quando recentemente bradara a blogueiros:“Não existe ninguém mais honesto do que eu!”. Dias após, porém, segundo a revista Veja desta semana, o Ministério Público paulista está prestes a acionar em juízo o ex-presidente e esposa, Marisa Letícia, por crime de lavagem de dinheiro, ante minuciosa investigação de seis meses, com farto acervo de prova documental e testemunhal.

A promotoria descobriu um tríplex (apartamento de cobertura com três andares) no Guarujá, litoral paulista, em nome dos denunciados. Segundo investigações, o imóvel fora construído e mobiliado, inclusive com elevador privativo, pela OAS (empreiteira denunciada na operação Lava Jato), cujo ex-presidente, Léo Pinheiro, foi condenado na referida operação. 

Acontece que a OAS assumiu a construção do prédio residencial após falência da Cooperativa Habitacional dos Banqueiros de São Paulo – Bacoop. Essa bancarrota adveio de desvios de numerários pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que se encontra preso por intermediar propina para o partido no caso do petrolão.  

Ressalte-se que não houve contraditório e que em nosso ordenamento jurídico impera a presunção de inocência. Que se tenha, pois, que punir crimes do colarinho branco é muito difícil, uma vez que não há recibos, a transação é verbal e por códigos. Donde a necessidade do instituto da delação premiada, embora seja uma afronta aos direitos e garantias individuais, em razão da prisão ser um recurso último. 

De modo que é mais um escândalo que envolve a cúpula do PT. Partido que foi criado na redemocratização, pós-ditadura (1964-1985) com o fito de combater desmandos e efetivar redistribuição de renda. Todavia, atualmente, vive no ideário do senso comum como o partido da corrupção, a tal ponto que, se Paulão entrar na disputa para prefeito, amargará ampla rejeição. E que Judson Cabral, cidadão de boa índole, aproveite o sentimento de desprezo lhe envidado pelo PT no último certame, e busque outra legenda para prosseguir politicamente, senão estará fadado ao marasmo.

Já fui petista, confesso. Foi em resposta à emoção me tomada pelas lágrimas do pranto de Lula ao assumir seu primeiro mandato. Semanas após, ao perceber carência de ideologia, caí fora do partido. Aliás, não conheço partido no país que lhe afeiçoe ideologia. Percebo interesse no poder e no fundo partidário, aumentado em 400% no toma-lá-dá-cá pela presidente Dilma, apesar da crise econômica.

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