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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 856 / 2016

26/01/2016 - 07:58:24

Maceió e a cheia de 1924

Estados do Nordeste foram atingidos por um verdadeiro dilúvio. No Ceará, um dos estados mais atingidos, as inundações arrastavam para os leitos dos rios tudo que encontravam pela frente.

Edberto Ticianeli Jornalista
A Praça Dois Leões, em Jaraguá, também foi atingida pelas águas, ficando inundada

Em 1924, enquanto São Paulo enfrentava uma das maiores secas da sua história, os estados do Nordeste eram atingidos por um verdadeiro dilúvio. No Ceará, um dos estados mais atingidos, as inundações arrastavam para os leitos dos rios tudo que encontravam pela frente. Açudes e barragens se romperam matando muita gente.

Em Maceió, as chuvas que caíram na noite entre os dias 18 e 19 de abril, de sexta-feira para sábado, provocaram danos consideráveis à cidade, além de matar três pessoas.

Na Mensagem Governamental de 21 de abril de 1924, que abria a 17ª legislatura em Alagoas, o presidente da província, José Fernandes de Barros Lima, assim relatou a cheia ocorrida três dias antes:

Elaborava os primeiros trechos da presente Mensagem, quando, na noite de 18 para 19 do corrente (abril), chuvas torrenciais, fortíssimas, tempestuosas, com uma violência de que não há notícia entre os coevos, caíram a nossa Capital e os subúrbios, inundando alguns, repentinamente, em diversos pontos, destruindo, por completo grande número de habitações de população pobre que se concentra pela margem do Riacho Reginaldo, no arrabalde do Poço e margem do riacho Maceió, chegando a impetuosidade das águas a derrubar diversas outras casas que pareciam de construção sólida, em algumas ruas principais da cidade, invadindo também muitos armazéns, trapiches e casas particulares do bairro de Jaraguá, danificando mercadorias, ocasionando vultuosos prejuízos de toda sorte e cuja importância exata ainda não pode ser precisada.

Verdadeira catástrofe, que alarmou a todos, causando grande pânico e a todos consternando dolorosamente, foi sem dúvida produzida por algum fenômeno cósmico, como alguma grande tromba d’agua que tivesse, inopinadamente, desabado sobre os morros de circulam a cidade, despejando sobre esta. Tão brusca inundação que a todos apavorou e surpreendeu pela sua rapidez, chegou, em alguns pontos da cidade, a atingir a altura de 2 metros.

A fúria das aguas vertiginosas que, no espaço de 2 horas ou menos, produziu tantos males e estragos, ocasionou também a morte de 3 pessoas arrastadas pelas correntes.

O próprio estadual, a ponte com estrutura de ferro construída em 1870, pelo então presidente da Província Dr. José Bento da Cunha Figueiredo Junior, denominada – ponte dos Fonsecas – sofreuconsideráveis estragos, ficando inutilizada para o transito de veículos.

Também foi arrastada pelas cheias a ponte de ferro da Great Western entre Maceió e Jaraguá, impedindo o trafego.

Desabou igualmente a velha ponte de madeira sobre o rio Jacarecica, na estrada de rodagem para o Norte. Esta sofreu alguns estragos, em geral de pouca monta, no seu leito, sendo os dois de maior vulto o desabamento de um bueiro no lugar denominado Águas Férreas (a 5 quilômetros da Capital) e o de um pontilhão de madeira, sobre o riacho Lancha, em Ipioca, no quilometro 21, o qual, agora mesmo, ia ser substituído, já estando contratada a sua construção em cimento armado.

A cheia de 1924 no Nordeste, por sua magnitude, também foi registrada no cancioneiro popular. Luiz Gonzaga gravou A cheia de 24, em 1968, uma toada do cantor e compositor paraibano Severino Ramos de Oliveira – o Parrá. Ramos é também o autor do sucesso Ovo de Codorna.

A cheia de 24

Doutor não foi brincadeira

Na correnteza das águas

Descia a família inteira

Quase não sobra vivente

Para contar a história

Assim falava mamãe

Aquela santa senhora } bis

Descia gado e cavalo

Pato, peru e galinha

Cabrito, porco e carneiro

Tudo o que o povo tinha

Os açudes não podiam

Tantas águas suportar

Rio, riacho e lagoa

Tudo junto num só mar } bis

Os canoeiros lutavam

Passando podro no rio

Mas o remanso das águas

Corria água em rodopio

Afundavam as canoas

Na violenta correnteza

Parecia inté castigo

Do Autor da Natureza } bis

Meu PadimCiço pediu

A Nossa Senhora das Dores

Que parasse aquela enchente

Que causava esses horrores

Quando terminou a prece

Logo parou de chover

O sol brilhou lá no céu

Para todo mundo ver } bis

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