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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 856 / 2016

21/01/2016 - 20:37:29

Estado mantém promessa de construir Marco Referencial

Com R$ 11 milhões já liberados pelo governo federal, Seinfra afirma que obra será feita por etapas

José Fernando Martins Especial para o EXTRA
Enquanto Marco Referencial não sai do papel, cenário no antigo Alagoinha é de sujeira e abandono

De ponto de lazer da sociedade alagoana a ruínas usadas por usuários de drogas, o Alagoas Iate Clube, mais conhecido como Alagoinha, tornou-se um problema público. Embora situado atrás de um posto da Polícia Militar, na Ponta Verde, em Maceió, a proximidade com a lei não intimida aqueles que usam o local para consumir entorpecentes. Por outro lado, turistas também frequentam o que restou do clube para tirar fotos do mar verde claro da capital. 

Para entrar na antiga estrutura é necessário se equilibrar em pedaços de concreto utilizados como degraus, estar atento a um grande buraco no piso e também suportar o mau cheiro de urina. Do passado só ficou a piscina, hoje coberta por lodo, cracas e água que invade conforme a variação da maré, questão que esteve em voga no começo do ano por ser um possível criadouro de mosquitos que transmitem a dengue. Mas autoridades reforçam que não há risco, pois a água é salobra. 

Até o cavalo-marinho de cimento usado como decoração não resistiu à ação das ondas e se desmoronou.

Apesar de abandonado, há planos milionários para o Alagoinha. O projeto é de construir um Marco Referencial, um estabelecimento com informações sobre o estado, além de espaço para eventos, que pretende receber nativos e turistas. No papel desde 2013, a construção nem caminha a passos lentos, já que ainda nenhuma uma parede foi posta de pé. 

De acordo com o secretário Executivo de Infraestrutura do Estado (Seinfra), Humberto Carvalho, o valor da obra chega aos R$ 16 milhões. No entanto, a verba liberada pelo governo federal era inferior ao necessário. Então, a solução que foi apresentada a Brasília é de dividir o projeto em duas partes para facilitar o financiamento.

“Em dezembro do ano passado foi enviada uma modulação do projeto do Marco Referencial para o Ministério da Integração, referente à primeira etapa da obra contemplada com o recurso de R$ 11 milhões”, explicou Carvalho. Essa primeira etapa engloba quiosque de informação, centro de apoio ao turista, biblioteca, concha acústica e espaço multieventos.

Contudo, o Ministério da Integração apontou como condicionante para o repasse da verba a apresentação do projeto em sua totalidade, com os detalhes da segunda etapa da obra, essa não contemplada com o recurso. “Diante disso, a Seinfra iniciou os ajustes no projeto, a ser enviado até o final deste mês”, frisou o secretário executivo.

A construção, segundo Carvalho, será realizada para evitar ao máximo os impactos ambientais, fator causador da decadência e fechamento do clube. Em 2013, quando foi divulgado para a imprensa o projeto do Marco Referencial, o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) afirmou que a Licença Prévia foi concedida por não haver nenhum impedimento ambiental.

O funcionário público Lucas Ribeiro, 30, lembra que o Alagoinha fez parte de sua infância. “Era muito legal a piscina de água salgada com direito a tobogã, sem contar, a beleza e a paisagem do lugar. Infelizmente, quando passo aqui, as minhas boas memórias se chocam com a decadência do que restou do clube”, disse. 

Antigo cartão postal da cidade, as ruínas do Alagoinha chamaram a atenção do turista mato-grossense Juciel Miranda, 43. “Entrei para tirar fotos do mar, e sem dúvida, deveria ser um local de muita diversão. Se nos escombros os turistas se arriscam a visitar para ficar mais próximo ao mar, com certeza, após a revitalização, será um ponto turístico obrigatório. Encarei aqui como um tipo de mirante”, opinou. 

As adjacências do antigo Iate Clube receberam nova utilidade desde março de 2015. Os donos de “food trucks” ocuparam, por determinação da prefeitura, o Alagoinha, após a polêmica sobre a permanência dos trailers em vias de circulação de veículo. Com a chegada desses trailers, o local acabou virando uma praça de alimentação ao ar livre.

HISTÓRICO

Durante anos, o Alagoinha foi cartão postal de Alagoas, substituindo o Gogó da Ema, coqueiro que caiu no dia 27 de julho de 1955. A regularidade do funcionamento Iate Clube começou a ser questionada em 2005 pela necessidade de proteção ao meio ambiente marinho. 

Desde a desativação no dia 31 de dezembro daquele mesmo ano, promessas chegaram a ser feitas para transformar o Alagoinha em Oceanário municipal ou Centro de Gastronomia. Por anos uma associação tentou arrecadar fundos para reativar o clube, mas não obteve sucesso. 

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