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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 855 / 2016

18/01/2016 - 09:53:16

Pablo Garcia conta suas aventuras ao viajar de bicicleta

Após dar a volta ao mundo, passando por mais de 100 países, argentino sairá de Maceió com destino a Buenos Aires

José Fernando Martins Especial para o EXTRA

Viajar pelo mundo é o sonho de muitas pessoas mas que poucos conseguem realizar. No entanto, o ex-guia de turismo Pablo Garcia, 42, resolveu fazer diferente. Em vez de contar com veículos automotivos para cruzar continentes, preferiu usar um combustível chamado “saúde”. O argentino pedalou por mais de 140 mil KM dando a volta pelo globo terrestre. Após chegar a Maceió no dia 30 de dezembro de 2015, na Jatiúca, onde foi recebido por um grupo de conterrâneos e amigos, já se prepara para uma nova viagem: irá pedalar de Alagoas até a capital da Argentina, Buenos Aires. A viagem terminará por volta de maio de 2017.

Depois da jornada que durou 14 anos, muita história para contar. Foram necessários, no mínimo, seis passaportes para dar conta de tantos carimbos ao passar pela fronteira de cada país. Também precisou trocar de bicicleta quatro vezes. Porém, não se desfez de nenhuma. Todas eram enviadas para a Argentina. Passou frio, calor, medo, mas na memória, a riqueza de ter conhecido de perto tantas culturas diferentes. 

Na viagem ocorreram situações desagradáveis, em uma delas quase perde sua vida, quando no país africano Quênia, num assalto, foi atacado por um grupo armado de facões. Ou quando procurando por um local para acampar interrompeu uma operação de tráfico de drogas no Irã. Também testemunhou que a bicicleta em países da Ásia tem um papel muito importante para o transporte de cargas. “Vi transportarem barris, produções agrícolas, safras. Tudo em cima de duas rodas”, contou à reportagem do EXTRA Alagoas. 

Em um mundo que a sensibilização quanto à preservação do meio ambiente aflora aos poucos, Garcia se surpreendeu com a infraestrutura mais avançada de ciclovias em Bogotá, capital da Colômbia, do que nos países ricos da Europa. “Por exemplo, na Espanha era difícil encontrar ciclovias. Vi que a bicicleta é bastante usada no dia a dia em países como Dinamarca e Holanda. Não são todos os países que estão preparados para receber os ciclistas”, disse. 

Trocar o carro pela bicicleta em países tropicais como o Brasil ainda é um desafio. Além da falta de ciclovias e de um transporte público de qualidade, o calor faz com que o cidadão opte usar o automóvel para ir ao trabalho, supermercados e visitar amigos. A bicicleta acaba sendo o instrumento de lazer e não de uso rotineiro. “O calor dificulta usar a bicicleta para ir ao trabalho, por exemplo, ainda mais nos casos em que o funcionário precisa chegar com certa presença. Muitos usam bicicletas em Bogotá, mas a cidade é situada em uma região fria”.

Maradona como salvo-conduto

Na década de 1990, Pablo Garcia deixou sua terra natal para se radicar na cidade de Maceió, onde trabalhou na área do turismo com sucesso. Mas a rotina o impulsionou a procurar a aventura.Viajando pelo mundo montado na sua bicicleta, Pablo conviveu com pessoas dos 103 países que percorreu. Ele costumava se hospedar nas residências das pessoas interessadas em fazer intercâmbio cultural com viajantes, o que facilitou seguir na sua longa aventura. 

No Oriente Médio batia na porta de qualquer casa pedindo licença para acampar, mas no mesmo instante era convidado para se hospedar e conviver com a família. Por estes motivos Pablo considera os muçulmanos o povo mais hospitaleiro do mundo. “Quando eu dizia que era da Argentina logo as pessoas se animavam e vinham falar de Maradona”, contou o aventureiro que tinha como o ex-jogador de futebol como uma espécie de “salvo-conduto”.  

 Ciclovias 

em Maceió

Atualmente, Maceió conta com 43,85 KM de ciclovia e ciclofaixas. O intuito da prefeitura é fazer com que esse número chegue aos 67,45 KM ainda durante o governo de Rui Palmeira, que termina em dezembro deste ano. As ciclovias podem ser encontradas pela orla lagunar enquanto as ciclofaixas em avenidas movimentadas em bairros mais centralizados da capital. 

De acordo com a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), um dos desafios é sensibilizar os motociclistas e motoristas a respeitarem, principalmente, as ciclofaixas, que são constantemente invadidas por esses veículos. Atitudes como essas são consideradas infrações de trânsito que podem ser penalizadas com multa de quase R$ 600,00 e sete pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

Em 2007 estimou-se que Maceió teria em torno de 100.000 bicicletas. Em 2008 foram realizadas contagens volumétricas em 30 pontos distribuídos pela cidade, em um intervalo de duas horas ininterruptas, nos horários de 5h30 às 7h30 e das 17h às 19h, durante quatro dias consecutivos e resultaram em valores médios de até 3.000 veículos em trânsito. 

Em 10 dos 30 pontos totais foram realizadas pesquisas de volume de tráfego geral, contando-se o número de automóveis, ônibus, caminhões, motos e bicicletas. Nesta foram obtidas as seguintes percentagens: mínima de 6% e máxima de 53% na participação da bicicleta.

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