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Edição nº 855 / 2016

14/01/2016 - 22:09:13

Religioso de Alagoas pode virar santo

Perseguido pela igreja, padre Sizo é comparado ao padre Cícero Romão Batista

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Mesmo proibido de celebrar missas, padre reúne multidões

Comparado por romeiros ao padre Cícero Romão Batista, o também padre Sizino Lemos Teles Júnior, mais conhecido como Sizo de Santa Teresinha do Menino Jesus, da cidade de Mata Grande, pode ter o mesmo destino do famoso religioso do Ceará- e vir a ser transformado em santo após sua morte.

A opinião é de um dos maiores especialistas na história de Cícero, o também padre Manoel Henrique, autor de uma tese de mestrado sobre o homem chamado de “santo” pelos nordestinos.

Para ele existem características que aproximam Sizo de Cícero.

“É possível (que padre Sizo vire santo). Eu tenho uma entrevista gravada com ele no meu trabalho de doutorado, andei por todo o sertão, falando, escrevendo, vendo, ouvindo as opiniões sobre a religiosidade popular e ao padre Sizo, que não tem o poder de celebrar também pois foi tirado dele este poder, faltaria a ele uma assessoria mais tranquila que ele pudesse conduzir o povo sem o envolvimento político que aquilo atrai”, disse.

Padre Sizo não pode celebrar missas por proibição de dom Dulcênio Fontes de Matos, de Palmeira dos Índios. A decisão saiu no dia 10 de julho do ano passado e o motivo é o Santuário de Santa Teresinha do Menino Jesus, construído em terreno da família de padre Sizo.

Dom Dulcênio exige que o sacrário milionário seja administrado por ele; padre Sizo não aceita.

Em 10 de novembro de 1893, dom Joaquim Vieira, 2º bispo de Fortaleza, proíbe que Cícero celebre missas, confesse ou faça pregações. Por causa do milagre da hóstia, que desde 1º de março de 1889 repetiu-se, com Cícero, 48 vezes.  

Todos os anos, a romaria do Senhor do Bomfim- liderada por padre Sizo- reúne mais e mais fiéis. Eram milhares em maio do ano passado.

Mais de dois milhões de pessoas seguem a romaria em Juazeiro do Norte, onde houve o milagre do padre Cícero.

“O bispo dele também não teve o tato necessário, o jeito mais fraternal, o jeito mais eclesial de tratar o assunto. O bispo queria que o padre Sizo desse tudo para ele quando o padre Sizo diz que aquilo é dele, da família dele. ‘É patrimônio da minha família. Não posso tirar isso e dar de graça à diocese. E o povo?’ É a pergunta que eu também faço: e o povo? O povo vai ficar abandonado? Se tiram o padre Sizo e o povo não quer saber do padre Sizo, quem vai substituir a figura paterna, amiga, fiel do povo que é o padre Sizo? O bispo não respondeu a isso”, disse o padre Manoel Henrique.

SEMELHANÇAS

As semelhanças entre os padres Cícero e Sizo não são apenas materiais- Cícero também construiu uma basílica, a Nossa Senhora das Dores, em 1875, e também administrava uma fortuna em bens e dinheiro dos fiéis, doando tudo ao Vaticano após sua morte.

Tal como o religioso de Juazeiro do Norte, padre Sizo é um dos líderes religiosos e políticos mais poderosos do sertão alagoano. Não é filiado a nenhum partido, nem entrou na atividade política- diferente de Cícero, prefeito de Juazeiro, deputado federal, - mas sua influência é inquestionável entre novos romeiros que se apinham todos os anos pelas ruas de Mata Grande atrás de suas palavras, incentivos e conselhos.

O Santuário de Santa Teresinha do Menino Jesus é um dos mais visitados do sertão alagoano; já a Basílica de Nossa Senhora das Dores, no Vale do Cariri, no Ceará, é o templo católico mais visitado do Nordeste. Foi nele que aconteceu em 1º de março 1889 o chamado milagre da hóstia, quando ela se transformou em sangue na boca da beata Maria de Araújo. O milagre se repetiu 48 vezes.

E a igreja nunca reconheceu. E isso apenas aumentou a fé popular em Cícero, que chegou a ser excomungado pelo Vaticano. Do milagre nasceram as romarias, hoje reunindo mais de dois milhões de pessoas.  

Ano passado, o Vaticano aceitou o pedido de reconciliação com padre Cícero - primeiro passo para a beatificação. O processo começou com o papa Bento XVI e segue com Francisco.

Com o padre Sizo, 

falta apenas 

o milagre

“Esse processo de santificação de alguém, no começo, era feito com o próprio povo. Não era a igreja quem definia. Muitos santos foram aclamados santos pela própria comunidade religiosa. Naturalmente a igreja mudou, para evitar algum abuso na escolha; a gente sabe e conhece pela história da igreja que muitas vezes a política e os políticos, nos momentos históricos da igreja, prevaleceram sobre a caminhada da igreja. Então, é um processo. Para alguém se tornar santo, oficialmente colocado para devoção dos fiéis, é necessário que a igreja diga e defina quem é e qual a história, qual a indicação de riqueza, de aproveitamento do povo para essas pessoas. Mas o povo não se engana”, disse padre Manoel Henrique, ao falar de Cícero.

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