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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 855 / 2016

14/01/2016 - 21:33:18

Alagoas pode sediar terceira usina do país

Região do Rio São Francisco é vista como mais propícia ao empreendimento de US$ 5 bilhões

José Fernando Martins Especial para o EXTRA

Alagoas recebeu equipes da Eletronuclear para avaliar se o estado é propício para a construção de uma usina nuclear. A visita aconteceu no ano passado, assim como em Minas Gerais e Pernambuco. Nesta semana funcionários da estatal passaram por Sergipe para realizar os mesmos estudos. Caso aprovado, Alagoas sediaria a terceira usina nuclear do país, que atualmente conta com duas usinas em funcionamento: Angra 1, com 640 megawatts (MW) de potência, e Angra 2, com 1.350 MW. 

De acordo com a Eletronuclear, a região do Rio São Francisco, de Xingó até a foz, tem melhores possibilidades de implantação. Sendo assim, as cidades do trecho, como Piranhas, Pão de Açúcar, Penedo e Piaçabuçu, entre outras, poderiam receber o novo empreendimento. 

O investimento previsto é de aproximadamente US$ 5 bilhões para uma unidade de 1.000 MW, que resultaria em US$ 5.000/KWe instalado. Esse valor seria o montante a ser pago se a usina fosse quitada de uma única vez. No entanto, o pagamento se dará ao longo de 15 anos com juros. O investimento poderá ser amortizado durante esse período a partir da geração de caixa da própria usina. Em 2014, a energia nuclear respondeu por 2,87% da geração do Sistema Interligado Nacional.

A escolha do sítio para a instalação de uma central nuclear obedecerá à legislação vigente e às normas estabelecidas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Os estudos se baseiam em princípios estabelecidos pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e pelo Electric Power Research Institute (EPRI), dos Estados Unidos. Nesses estudos são considerados aspectos geográficos, demográficos, meteorológicos, hidrológicos, geológicos, sismológicos e geotécnicos dos sítios potenciais candidatos à instalação da central. 

A busca por sedes para a expansão nuclear brasileira ocorre em um momento em que a usina de Angra 3, no Rio de Janeiro, que seria a terceira planta atômica do país, encontra-se com obras totalmente paralisadas após acusações de propinas e desistência do projeto por construtoras que alegaram inadimplência por parte da Eletronuclear. O Plano Decenal de Energia do Brasil, elaborado pela EPE, um braço de estudos e planejamento do Ministério de Minas e Energia, ainda não aponta para a construção de novas usinas nucleares nos próximos dez anos, porém o governo revelou em diversas ocasiões que poderá contar com a fonte no futuro.

No ano passado, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse que 21 pontos estratégicos em todas as regiões brasileiras estavam em estudo para que sejam instaladas mais quatro usinas nucleares no país. Conforme a estatal, o processo de seleção, além dos aspectos citados, considera a promoção do envolvimento do público em geral. Uma seleção adequada de sítio é o primeiro passo para a viabilização empresarial da nova central e para a sustentabilidade do empreendimento.

Mudanças na região 

a ser escolhida 

A Eletronuclear informa que a primeira mudança com a implantação da usina diz respeito à produção interna de energia elétrica. “O Nordeste poderá passar outra vez a produzir a sua própria energia. Segundo, os municípios e a região que instalarem a usina nuclear deverão ter um grande desenvolvimento socioeconômico e cultural”.

Em nota enviada ao EXTRA Alagoas, a assessoria da estatal também destaca que “a região escolhida também teria disponibilidade de energia interna própria e limpa; possibilidade de desenvolvimento de projeto integrado com usina nuclear para adução de água do Rio São Francisco, usando energia da própria usina para irrigação e consumo humano em grande parte do Nordeste; volume de recursos envolvidos na construção, operação e manutenção, com consequente geração de empregos; fortalecimento do núcleo básico de recursos humanos na área de energia nuclear e das demais especialidades envolvidas nessa tecnologia e a possibilidade de obtenção de royalties para o município que abrigar a Usina”.  

A estatal aguarda o lançamento do Plano Nacional de Energia 2050 (PNE 2050). Esse documento vai determinar o planejamento energético brasileiro para as próximas décadas e dizer qual será a contribuição futura da energia nuclear. A empresa espera essa definição para dar continuidade ao trabalho de prospecção de sítios para sediar novas usinas nucleares. 

Inicialmente, o foco foi na região compreendida pelo litoral entre Recife e Salvador, os dois maiores centros de carga da Região Nordeste, e o vale dos grandes rios que desembocam nesse litoral, conforme orientação do PNE-2030 e a atual configuração da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional.

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