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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 853 / 2015

25/12/2015 - 18:17:05

Pimenta nos olhos dos outros é refresco

Jorge Morais

Passaria o dia todo escrevendo ou falando das muitas contradições vividas pelo Brasil. Isso em todos os segmentos, principalmente, o político, onde de dia se diz uma coisa e, à noite, é tudo diferente. Hoje é fechado um acordo e, ao amanhecer, o assunto é colocado de outra forma. Um dia, você é amigo do Poder. No outro dia, é contra. Muda-se de lado ou de opinião, como troca-se de roupa.

Por isso, escolhi três exemplos que vão corroborar com o meu ponto de vista:

1º Exemplo - Essa semana o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi demitido. Não gozava da simpatia da presidenta Dilma Rousseff.  Tinha sido indicado, na época, como uma exigência da iniciativa privada. Levy travou uma verdadeira quebra de braço com a presidenta. Tudo o que ele queria fazer, a Dilma não concordava e ainda desmentia o ministro de público e no mesmo instante.

A primeira contradição é que, para seu lugar, Dilma Rousseff escolheu um amigo do “peito”: Nelson Barbosa, ex-ministro do Planejamento e desafeto do Joaquim Levy. A contradição: Barbosa disse que vai dar continuidade aos projetos elaborados e as medidas econômicas para os próximos três anos do ex-ministro. Mentira. Se ele não gosta do Levy, questionava as medidas adotadas, como vai seguir no mesmo projeto?

2º Exemplo - O senador Renan Calheiros andou as “turras” com a presidenta Dilma Rousseff na metade do ano. O presidente do Senado da República chegou a perder os cargos indicados por ele no governo federal, em Alagoas. Na época, quem tentou apagar o fogo foi o vice-presidente da República, Michel Temer, convidado para ser o conciliador do governo diante dos aliados.

A segunda contradição é que Renan Calheiros voltou a ser aliado de Dilma Rousseff e a presidenta quer ver o Michel Temer pelas costas. Temer é acusado até de traidor pelo Partido dos Trabalhadores e o Palácio do Planalto. Com isso, o PMDB está rachado em três pedaços: uma parte está com Renan e Dilma; outro pedaço com Michel Temer; e uma terceira parte, minoria, com Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados.

3º Exemplo – Quando o presidente da República do Brasil era Fernando Collor, o processo de impeachment foi aprovado com uma votação extraordinária pelo Congresso Nacional. Muita gente votou até pela mulher, o pai, a mãe, os filhos e pelos amigos. O Partido dos Trabalhadores, então, votou maçicamente. Porteira fechada como dizem lá no interior.

A terceira contradição vem, exatamente, dos parlamentares do PT da Dilma Rousseff. Segundo eles, aprovar o impeachment de uma pessoa, legitimamente eleita pelas urnas, é golpe. E no caso do Fernando Collor foi o quê então? Ele também foi eleito pelo povo brasileiro, mas foi afastado da presidência com algumas acusações, mesmo pedindo a renúncia antes. Isso também não foi levado em consideração pela classe política, especialmente do PT. Antes, tudo podia ser feito, mas, agora, não pode mais.

É por isso que, no País das contradições, o lema e: eu faço agora diferente do que fazia e pensava no passado. Pimenta nos lhos dos outros, é refresco.  

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