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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 853 / 2015

25/12/2015 - 18:11:07

ANO DE APERTO

CRISE POLÍTICA AFETA ECONOMIA E ESTENDE 2015 ATÉ MARÇO DO ANO QUE VEM

Vinicius Torres Freire FOLHAPRESS

Vai ser difícil saber o que será de 2016 antes que 2015 acabe. Mas este ano não deve acabar antes de março do ano que vem. Talvez bem mais tarde.

Essa piada triste quer dizer apenas que alguns dos grandes problemas que arrastaram o Brasil para uma das três piores crises da história da República não terão solução tão cedo. Na melhor das hipóteses para 2016 a economia apenas para de encolher, trimestre a trimestre, embora os efeitos retardados da crise devam ser mais sentidos no dia a dia do cidadão comum.

Ainda que o governo de Dilma Rousseff tivesse um bom programa econômico, tal plano se torna inviável devido à crise política: a presidente tem escasso poder de decisão devido à falta de apoio no Congresso e à grande rejeição do eleitorado. Além do mais, a sociedade rejeita medidas necessárias, mas dolorosas, para atenuar a decadência econômica.

Apenas no final de fevereiro, provavelmente em março, começa a ser discutido o destino da presidente: se haverá processo de impeachment. Até lá, é improvável que a confiança de consumidores e empresários se recupere, que se animem a comprar ou investir.

O cidadão comum tende a levar um choque no início do ano. Haverá mais demissões e menos vagas novas de trabalho. A inflação ainda estará alta, em torno de 10% ao ano, como agora. As taxas de juros ainda devem subir mais, logo em janeiro. As contas extras do começo do ano pesarão mais sobre salários menores. Mesmo quem estiver empregado não deve ter confiança de gastar.

Ainda que a produção não diminua mais em relação ao nível baixo deste final de ano, as empresas precisarão de menos mão de obra. A taxa de desemprego deve aumentar em torno de 50% (passar de 7% para 10,5%, na média do ano).

Medo do futuro, de dar e tomar empréstimos, menos empregos, salários menores, benefícios sociais menores, tudo isso deve reduzir o consumo pelo segundo ano consecutivo.

Dado o encolhimento da economia e da incerteza sobre a política econômica, o investimento em novos negócios e instalações produtivas continuará a cair. A Petrobras, maior investidora do país, e as empreiteiras, ainda estarão em crise; o governo ainda cortará seus gastos em obras.

Os brasileiros gastarão mais em produtos e serviços nacionais; a produção cresce um pouco por aí

A redução do investimento em novos negócios, máquinas e construções foi o maior fator de diminuição do PIB neste ano, que deve cair 3,5%. Em 2016, a queda do consumo das famílias deve ter peso maior na recessão, que deve ser de 2,5%.

O contraponto a essas baixas será o comércio com o exterior. Com o dólar mais caro, os brasileiros gastam mais em produtos e serviços nacionais. A produção cresce um pouco por aí.

Caso fosse possível resolver logo a crise política e caso houvesse um programa econômico confiável, parte grande da crise evaporaria. O medo paralisante da falta de confiança no futuro transformou uma crise que seria apenas ruim no que vem sendo chamado de a “Grande Recessão” do Brasil.

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