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12 de Novembro de 2018

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Edição nº 853 / 2015

25/12/2015 - 09:50:22

Jorge Oliveira

Dilma, a marionete do Lula

Jorge Oliveira

Maceió - A palavra da Dilma não vale um tostão furado. Como o país pode acreditar numa presidente que não tem convicção no que diz?  Mente cinicamente para a população todas as vezes que é questionada sobre o seu governo e a sua equipe. Não faz muito tempo, pressionada por Lula, disse que não mexeria no Joaquim Levy, seu ministro da Fazenda. Levou um puxão de orelha do chefe e mudou de ideia. Agora, o ministro da Fazenda é Nelson Barbosa, um cara da cozinha do Instituto Lula. Com essa mudança, o ex-presidente ocupa todos os espaços do governo. Mudou o gabinete dela, expurgando de lá o Aloizio Mercadante e a sua turma, e vai ditar a regra da política econômica. 

Infelizmente, estamos diante de uma presidente de papel, sem personalidade e autoridade que, ao primeiro sinal de que vai magoar seu antecessor, muda as regras do jogo para não contrariá-lo. Trata-se de uma marionete, manipulada por Lula e sua equipe que agora, sim, assume de vez o país. Se alguém tinha dúvidas de que a Dilma ainda mandava em alguma coisa, a saída de Levy mostra que estamos em um país à deriva a procura de um timoneiro competente que encontre o caminho de volta ao porto seguro. 

Disse aqui – e repito – que o Lula conspirou contra a Dilma quando ela se rebelou em trocar o ministro da Fazenda. Foi dele a ideia de acionar o Rui Falcão, presidente do PT, para que os três deputados do Norte votassem a favor do processo de Eduardo Cunha na Comissão de Ética, quebrando o acordo que ele mesmo havia feito para proteger o presidente da Câmara e evitar a abertura do impeachment.  E mais: mandou que o Falcão, seu fiel escudeiro, o mais fundamentalista de todos os militantes, não prestasse solidariedade ao senador Delcídio do Amaral, líder do governo, entregando-o às baratas. Afinal de contas, pensou, Amaral era “coisa” da Dilma, portanto, ela que resolvesse o problema.

Agora, com a saída de Levy, Lula vai tentar reorganizar o país que ele começou a destroçar, quando escalou Guido Mantega para administrar a economia nos dois governos petistas. Mantega, refém da sua própria incompetência, que não pode sair de casa com medo dos insultos e de apanhar de alguns mais exaltados na rua, foi o condutor mais primário da economia brasileira. 

Lobista

Durante o tempo que passou à frente do Ministério da Fazenda obedeceu cegamente às ordens de Lula que entende tão bem de economia como de fissão nuclear. Tornou-se o maior lobista da indústria automobilística e adotou a política de incentivar o consumo para gerar emprego e movimentar a indústria por iniciativa do seu chefe. Resultado: quebrou o país que voltou ao patamar dos juros altos para frear o consumo e provocou a disparada da inflação. Hoje, a população inadimplente não só vive no sacrifício como amarga o desemprego. Por isso, o ministro está trancafiado dentro de casa com medo de levar uma surra quando bota a cabeça de fora.

Aluno

Não se engane, Nelson Barbosa, que conviveu ao lado de Levy conspirando para tirá-lo do  cargo, é um aluno aplicado do Instituto Lula, de onde, de fato, o ex-presidente comanda o país. Chega ao ministério para atender as demandas do Lula e da cúpula do PT. Se alguém acredita que ele será o salvador da pátria pode tirar o cavalinho da chuva. O desastre da economia será  ainda pior, porque suas credenciais não são tão valorizadas no mercado internacional como as de Levy. É só esperar pra ver.

Comprometido

Se depender, porém, de um empurrãozinho de Lula, ele permanecerá mais tempo no poder. Afinal de contas, Barbosa goza da intimidade do ex-presidente desde que esteve à frente das finanças do comitê da reeleição do padrinho em 2006.

Desarrumação

O PMDB, o maior partido do país, nunca revelou com tanta volúpia suas vísceras como agora. O embate entre o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o vice-presidente da República, Michel Temer, só incentiva o Planalto a botar mais lenha na fogueira e promover a cizânia dentro do partido, arma letal para dividir a agremiação sobre o impeachment da presidente. Além disso, Leonardo Picciani, destituído da liderança do partido, voltou ao cargo no lugar de outro Leonardo, o Quintão, de Minas Gerais. No meio dessa confusão está evidentemente a disputa pelo poder, num evidente desalinhamento de pensamento entre os principais caciques do partido. O governo, acéfalo, assiste a briga de camarote.

Os cacos

Renan, que ainda tenta emendar os cacos quebrados desse governo, acusa Temer de manipular o partido. Parte também para comentários jocosos quando repete a frase de ACM de que o vice parece “mordomo de filme de terror”, absorvendo para si a maledicência do ex-senador da Bahia para desqualificar o companheiro de partido.  Já Temer erra quando acusa Renan de “coronel”. O termo é preconceituoso e revelador de um flagrante apartheid social e político entre o Sul e o Nordeste, muito feio para quem quer governar o Brasil.

Projetos

Tanto Renan como Temer já apresentaram projetos para o país (Agenda Brasil e Uma Ponte para o Futuro do Brasil). Nota-se, porém, na discussão dos dois, um desarranjo de ideias para quem habita o mesmo partido. Quando Renan diz que Temer serviu aos interesses fisiológicos de uma banda do partido transformando- se em RH do Planalto na função informal de articulador político, acerta nas críticas. Como é sabido, ele alertou o vice desde o início para esse risco. Quando fala da carta pífia, sem valor histórico político, enviada a presidente, também condena a perfumaria de Temer em um momento político tão grave do país. 

Divergências

Mas o presidente do Senado erra quando expõe em público as divergências do partido e as suas contradições de ideias que bem poderiam ser harmonizadas em um diálogo franco entre os dois, como é praxe na política. O problema maior é que o PMDB não sabe ser oposição desde que acabou a ditadura militar. Do Sarney pra cá sempre esteve agarrado às tetas do governo.

Governabilidade

Há, hoje, dois caminhos entre Temer e Renan. O primeiro quer chegar ao poder com o afastamento da Dilma, depois de criticar a governabilidade e, por carta, romper com a presidente. Defende o impeachment como um ato constitucional e legítimo.O outro, mantém-se na aliança com o governo como uma espécie do último guarda pretoriano em defesa de um palácio que se desmorona a olho nu. Quer – e o STF já decidiu – que o Senado decida sozinho o destino da presidente.

Bafafá

E esse nódulo no núcleo do partido está caminhando para um câncer, com o risco de metástase, caso não apareça um cirurgião qualificado para extirpar esse tumor maligno que contamina os peemedebistas. E o caroço, como se sabe, apareceu primeiro dentro do Palácio do Planalto, que acirra todo esse bafafá entre os políticos do PMDB para desviar a atenção do desastre econômico e social do país. 

De camarote

Faz parte do Palácio do Planalto tumultuar o processo para mostrar ao Brasil que o PMDB não tem unidade. E, portanto, menos ainda equilíbrio para administrar o país. Exemplo disso é o que aconteceu com a mudança da liderança na Câmara. A cúpula do governo exigiu que os peemedebistas que ocupam os ministérios pressionassem seus deputados na base para mudar de voto.  Deu certo. Muitos do que assinaram a lista para expurgar o Picciani agora deram marcha a ré. Ele voltou à liderança, mas, no recesso,  vai virar figura decorativa porque em fevereiro haverá eleição para eleger o novo líder. Senhores e senhores, por favor, continuem fazendo suas apostas nesse cassino chamado Brasil.

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