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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 851 / 2015

11/12/2015 - 08:06:07

Cidadã brasileira

Alari Romariz Torres

As pessoas me perguntam em quem me confio para escrever os meus artigos. Acho engraçado e respondo: em Deus, em mim e na minha cidadania.

Vivemos numa democracia, onde todos podemos administrar nossas vidas, reclamar do que achamos errado e gritar quando for preciso. Não precisamos exercer cargo importante para reclamar nossos direitos. E ainda temos a Justiça para servir de ajuda aos pobres coitados dos brasileiros.

Lembro-me da minha infância: meu pai era inspetor do antigo IAPI e quando verificava estar uma pessoa sendo prejudicada, ele próprio ajudava a criatura. Parentes que não sabiam como entrar em benefício, pagar à previdência, recorriam a ele e já recebiam o requerimento pronto. Resolviam o problema administrativamente. Não precisavam de ação judicial. Hoje é praticamente impossível obter semelhante resultado.

Outro fato que me marcou a infância: um amigo penedense veio do Rio, demitido do antigo SAPS, acusado de roubo. Foi à nossa casa lamentar-se e falar das perseguições sofridas. Pois bem, o inspetor entrou em ação, recuperou documentos necessários, elaborou a defesa e deu entrada no próprio SAPS. O resultado foi positivo, o moço voltou ao emprego, e recebeu todo o atrasado, administrativamente, insisto.

Um pedinte chamado Isaías ia todo sábado à nossa casa no Farol, pedir ajuda. O governo federal criou uma lei chamada de “Do mendigo”. As pessoas que pediam esmolas passaram a ter direito à aposentadoria. E o Sr. Isaías morreu recebendo o tal benefício, ajudado, claro, por meu pai. 

Quando perdi meus pais, minha irmã mais nova era casada, mas seu casamento foi declarado nulo porque os documentos que deveriam sair da igreja para o cartório, por lá não chegaram. Quando soube do fato, entendi que ela tinha direito à pensão do pai. Corri atrás e ela recuperou o pagamento mensal e recebeu os atrasados. Não precisou recorrer à Justiça.

Caros leitores, vejam como recuperávamos os direitos que nos tiravam aleatoriamente. Só íamos à Justiça em casos extremos.

Atualmente, no Legislativo alagoano, nossos salários são cortados, leis não são respeitadas, a previdência era descontada de forma errada, o imposto de renda não é repassado ao Estado. Acontecem coisas incríveis!!! E não adianta falar, porque os dirigentes preferem que o servidor vá à Justiça. Segundo eles, ganham tempo!

Em Alagoas existe um caso digno de nota. Estão no AL-Previdência cerca de quarenta pensionistas e aposentados oriundos da Assembleia Legislativa. Estão por lá desde o ano 2000 e até hoje não tiveram direito a nenhuma correção em suas pensões. Recebem salários congelados, já reclamaram judicialmente e continuam sofrendo. Todos são idosos e passam necessidades.

Quando por acaso, os servidores ganham o direito na Justiça, ainda lutam para que a devida implantação seja realizada. Receber a quantia retirada é impossível! Os processos se acumulam nas salas dos dirigentes e nunca são resolvidos! Não adianta pedir, implorar, apelar para prioridade! Ninguém resolve!

As dificuldades criadas para complicar a vida dos funcionários são enormes. Ao invés de os assuntos serem resolvidos “dentro de casa”, os dirigentes preferem jogar os problemas para os juízes e desembargadores solucionarem. Isso porque “demora mais” e eles têm tempo de ficar com mais dinheiro público. Na hora de devolver, os primeiros-secretários sentam em cima dos processos. E riem!!!

Daí porque não quero mais trabalhar em lugar nenhum, cumprir horário pra ninguém, dialogar com deputados, escutar mentiras, corromper meus ouvidos com promessas falsas. Prefiro lutar com minhas próprias forças, pagar advogados, reclamar de público das injustiças praticadas comigo e com meus colegas.

Inspirei-me neste artigo numa entrevista que vi várias vezes do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, JOAQUIM BARBOSA, que desistiu do cargo por se desiludir com os absurdos do “Mensalão”. Antes da data prevista para a aposentadoria o moço “pediu para sair”. Hoje, como cidadão comum, falou para o Brasil inteiro escutar, mostrando o que é certo e o que é errado.

Então amigos, continuarei lutando, reclamando, gritando. Quero mostrar ao país inteiro os meus direitos de cidadã brasileira e que vivemos no Legislativo alagoano numa ditadura incomensurável.

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