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Edição nº 851 / 2015

11/12/2015 - 07:39:34

Jorge Oliveira

Dilma, a idiota no poder

Jorge Oliveira

Brasília - “Eu espero integral confiança do Michel Temer e tenho certeza que ele a dará. Ao longo desse tempo, eu desenvolvi a minha relação com ele e conheço o Temer como pessoa, como político e como grande constitucionalista”. 

Você pode não acreditar, mas esta frase é da Dilma. Ela foi pronunciada no Recife, quando anunciou um programa de combate a dengue. O próximo passo, asseguro, é convocar o vice por ofício para entrar na guerra contra o impeachment. Ou pedir ao Lula para interferir junto o PMDB para que o partido mude de ideia e a deixe terminar o mandato. Não, não é uma obra de ficção; a presidente é capaz de atos infantis, ingênuos e idiotizados como esses porque de política ela entende tanto como Lula de fissão nuclear.

Ora, desde Ulysses Guimarães – que rastejou ali nos 5% dos votos na eleição presidencial de 1989  – que o PMDB não tem chances como agora de chegar ao poder. Portanto, a cúpula, que sempre foi, de lá pra cá, coadjuvante do processo político brasileiro, vai lutar com unhas e dentes pelo impeachment da Dilma. A demissão de Eliseu Padilha, que a Dilma não quer aceitar, é o primeiro sinal de que os peemedebistas estão fora da sua base de governo. E mais: vão conspirar para o Michel Temer chegar à presidência. Afinal de contas, o PMDB não é só um partido, é também uma empresa.

A Dilma está perdida. Quando solta uma frase como essa de que “espero confiança integral de Michel”, ela, malandramente, quer jogar o vice no canto da parede. Mais: pretende constrangê-lo, caso ele não a defenda do impeachment. Não à toa, quando Cunha deu o sinal verde para o impedimento da presidente, seus auxiliares convidaram Michel para um encontro no Planalto. A notícia, divulgada depois da conversa, é que o vice iria lutar contra o impeachment. Mentira. Michel pediu a sua assessoria para contestar as informações que saíram do Palácio.

O raciocínio da Dilma é curto, como é pequeno também o seu alcance político. Como nunca disputou uma eleição, antes das duas presidenciais patrocinadas por Lula, a presidente não conhece a alma de um político, um camaleão quando se trata de voto. É esse camaleão que vai dar as costas a Dilma quando perceber que ela é carta fora do baralho, além de ter uma rejeição estratosférica para quem comanda o país. Nenhum político, pela cartilha pragmática da sobrevivência, permanece ao lado de um líder rejeitado pelo povo.

Ingenuidade

Se a Dilma pensa que o PMDB, agora com absoluta perspectiva de poder, vai ficar ao seu lado, pode tirar o cavalinho da chuva. E não é só o PMDB; muitos partidos que querem se manter ao lado do vencedor vão aliar-se aos adeptos do impeachment. Vale lembrar um detalhe: Collor ainda tinha pouco mais de 200 deputados quando se iniciou o processo do impeachment. Terminou com 41. Dançou. 

Bastardos

Com exceção do Rede e do Psol, filhos bastardos do PT, vai se contar nos dedos outros partidos que ficarão ao lado da Dilma para defendê-la do impeachment. Até mesmo o PDT do Ciro vai pensar duas vezes em permanecer aliado à presidente. Afinal de contas, políticos, com raríssimas exceções, não têm tendência a suicida.

Conspiração

Quando a Dilma repreendeu Lula em público reafirmando que Joaquim Levy permaneceria no Ministério da Fazenda, deu adeus ao Planalto. O ex-presidente, que já tinha mudado todo gabinete da presidente, queria administrar de fato o país, mas para isso precisaria abocanhar a Fazenda. colocando lá dentro o Henrique Meirelles, como ele já havia anunciado. Contrariado com a posição firme da Dilma em manter o Levy ao seu lado, Lula deixou o barco correr e o resultado foi a proclamação do impeachment da Dilma pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Recado

Os primeiros sinais de que Lula iria entregar os anéis para salvar os dedos foram emitidos pelo Rui Falcão, presidente do PT. Em declaração à imprensa, ele disse que a bancada do PT votaria pela continuidade do processo de cassação de Cunha, contrariando a posição do governo que tentava de todas as formas mudar os votos de três petistas na comissão. Ora, Falcão, um obediente militante petista, apenas manifestou o desejo do seu chefe de forçar uma decisão de Cunha pelo impeachment. Todos sabem que o Lula trata seus subordinados a chicote, portanto, não seria Falcão que iria contrariar o chefe.

Rédeas

A Dilma não tem jogo de cintura, é uma burocrata que chegou ao mais alto posto do país pelas mãos de Lula, que precisava de um sucessor que ele manipulasse para permanecer mandando no país. No primeiro mandato, governou sob as rédeas de Lula. Não dava um passo sem consultar o padrinho. No segundo, tentou ter mais autonomia porque se achou legitimada pelos votos que pareciam ser seus. Procurou arrumar a casa com uma equipe própria para preservar a sua autoridade. Levou Aloizio Mercadante e mais alguns auxiliares para o seu lado no Palácio do Planalto. E mandou um recado ao seu antecessor, escolhendo pessoalmente Joaquim Levy.

Mergulho

Lula, inconformado, mergulhou. Esperou resultados positivos da nova equipe da Dilma que não vieram a curto prazo. E acomodado dentro do seu instituto, um local de conspiração permanente, enviou sinais da sua insatisfação com os novos auxiliares da presidente. A Dilma, acuada, começou lentamente a trocar os ministros da sua cota pessoal pelas indicações do ex-presidente, até culminar com o afastamento de Mercadante, acomodado depois no Ministério da Educação.

O poderoso

Lula sentiu-se poderoso, mas faltava algo que o tornaria mais poderoso ainda: mudar o chefe do comando da política econômica. Apressou-se, então,  a anunciar que Henrique Meirelles seria o substituto de Joaquim Levy, depois de recebê-lo no seu instituto e dar as primeiras instruções da reforma econômica. Desapontada com as manifestações de apoio a Meirelles, Dilma, numa viagem ao exterior, pela primeira vez foi firme na defesa de um membro de sua equipe. Disse com todas as letras que Levy ficaria na Fazenda, enfurecendo Lula, que não admitia tal insubordinação de quem ele considera ainda uma de suas auxiliares. 

O golpe

A reação da Dilma enfraqueceu Lula publicamente. Aprendiz de Maquiavel, forjado nos porões sindicais, Lula preparou-se para o golpe final contra a sua auxiliar. Com rápidos movimentos políticos destronou a Dilma. Primeiro: mandou que Rui Falcão não se solidarizasse com Delcídio do Amaral, entregando-o literalmente às baratas. Afinal de contas, Amaral era líder do governo, portanto, um problema de Dilma. Segundo: pediu também ao presidente do PT que anunciasse a adesão da bancada à cassação de Eduardo Cunha, contrariando o Planalto que tentava um acordo com o presidente da Câmara. E, por fim, manteve-se, por conveniência, silencioso durante todo burburinho que antecipou o anúncio do impeachment. 

Imagem

Com essas ações, Lula manda um recado direto à presidente de quem realmente manda no país e procura se afastar, se é que consegue, dos danos que a Dilma e o Delcídio estão causando mais ainda à sua imagem depois que o Datafolha mostrou a sua rejeição cavalar de quase 50%, o que inviabilizaria suas pretensões de voltar ao poder. E a Dilma, que achava que mandava, agora viu o castelo desmoronar-se pelas mãos do seu próprio criador.

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