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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 851 / 2015

10/12/2015 - 20:12:37

Jair Pimentel lança memórias da Jovem Guarda

Jornalista remete o leitor aos anos de 1960 mostrando suas gírias, costumes, músicas e todo rebuliço cultural e político

Maria Salésia [email protected]
Em meio às suas memórias, Jair Pimentel revela os anos 60

O jornalista, professor e escritor José Jair Barbosa Pimentel Victal lança no mercado literário mais uma obra em que narra as memórias de sua adolescência. “No Tempo do Brucutu” é livro que prende o leitor ao fazer uma viagem no tempo, as marcas que ele deixa, mostrando o que fica na memória e o que escapa dela.

A obbra reserva ainda espaço para as memórias afins e afetivas do escritor. Autor delicado, reuniu em seu olhar cuidadoso as pequenas coisas de sua terra e de sua gente e as transformou em mote para uma literatura épica, porém atual.

O enredo se passa na segunda metade da década de 1960 que foi um reboliço cultural e político no Brasil. O Brucutu relata fatos de cidades provincianas como Maceió, que à época tinha menos de 180 mil habitantes, Viçosa, terra natal do escritor, do povoado Bananal, no mesmo município, e de Paulo Jacinto, onde passava férias em casa de parentes.

No livro de memórias, “No Tempo do Brucutu”, o escritor destaca os costumes, a moda, a música, as gírias, a paquera, os programas preferidos, a praia da Avenida (em Maceió) e tantas outras lembranças de um tempo de paz e amor, em que se dividia entre Maceió, Viçosa e Paulo jacinto.

O título intriga as novas gerações. O que seria Brucutu? Assim, o autor tratou logo de explicar para que não restasse qualquer dúvida. O termo é uma alusão à música homônima de Roberto Carlos. E vem mais detalhes: brucutu era uma peça que esguichava água do para-brisa do Fusca. Os rapazes retiravam, para que virasse anel, disputadíssimo em meio a turma. Também era brucutu o carro-tanque do Exército que jogava água nos manifestantes contrários à ditadura militar.

E foi essa efervescência dos anos 1964/69 que serviu de pano de fundo para que Jair presenteasse seu público com as mais belas memórias de sua adolescência entre a capital e cidadezinhas do interior de Alagoas. Mas o que dizer do sucesso de sua radiola portátil vermelha que fazia sucesso nos “assaltos” da turma ao som da Jovem Guarda, dos Beatles, Rolling Stones, Elvis Presley, entre outros ídolos.

Saudosista, Jair lembra da mesada gasta no cinema São Luiz, nos bailes, boates, cigarros e ainda sobrava dinheiro, ou não, para andar na praia, tomar cerveja e gastar com lindas garotas “papo firme”.

O escritor teria programado lançar a obra em 2009, mas “escrever um livro de memórias não é tarefa fácil. É sofrido, dá muito trabalho”. E como pode ter esquecido fatos e nomes de alguém, logo se desculpa: “Fiz o que pude para passar para a posteridade as memórias de minha adolescência, exatamente no período de 1964/69, dividido entre Maceió e as férias em Paulo Jacinto.”

No “Brucutu” Jair presenteia o público com termos usados na época como “barra limpa, bicho, brasa morna, o bom, bacana, pão, papo firme e outros que você só vai descobrir ao adquirir o livro.

São 89 páginas divididas em capítulos como o de abertura intitulado “Jovem Guarda”. Nele, o escritor explica o significado da expressão, seus representantes e outras peculiaridades. “O fato é que na década de 1960 a Jovem Guarda se transformou num conceito, numa onda que entrava pelo ouvido e se diluía em gestos, posturas, roupas e gírias”, diz trecho do livro.

Em “Viagem de trem”, o escritor recorda a emoção das viagens na infância, das férias na adolescência, onde apreciava a paisagem e paquerava a cada estação. “Não achava cansativo, até porque era uma verdadeira ‘farra’, sempre viajando no vagão-restaurante, com cerveja gelada, a paquera e a chegada, sempre com uma namorada a espera.”

Tem ainda histórias inusitadas e pitorescas. Algumas interessantes como “Os bailes da minha vida!”, que foram muitos e em lugares diferentes. Mas o escritor garante que o baile de sua vida foi o da Chita, e que aguardava com ansiedade as férias de julho para passar em Paulo Jacinto e participar do evento.

E voltando ao cenário de Maceió tem ainda “Zinga, a primeira boate”, “A praia da moda”, “O primeiro arranha-céu”, “Turma do bairro”, “Meu ginasial”, “Os filmes de minha vida” e “Um hotel de família”.

Livro relata história de Paulo Jacinto

A segunda metade do tempo do “Brucutu” foi dedicada ao município de Paulo Jacinto, que teve como fundador Antônio de Souza Barbosa - tetravô de Jair Pimentel. Nele, descobrimos que “um povoado só surge mesmo quando as terras de algum latifundiário são doadas ao patrimônio da Igreja que ele próprio construiu”. E ainda que o comércio fluía desde 1911, quando foi inaugurada a estação ferroviária.  Com a emancipação, e já com o  nome Paulo Jacintho (com H), homenagem ao fazendeiro Paulo Jacinto Tenório, que doou as terras à Rede Ferroviária, houve maior avanço na economia.

Outro fato interessante relatado no livro é que somente a partir da década de 1950 é que apareceram os primeiros doutores paulo-jacintenses. Depois, vieram advogados, agrônomos, engenheiros, dentistas, professores, jornalistas, economistas, entre outros graduados. 

Mas o capítulo “As meninas de PJ” merece destaque. Nele, Jair, com propriedade, fala sobre o tema. Viveu com as belas beldades, algumas parentes, outras amigas e até namoradas. Ele afirma que “as meninas de Paulo Jacinto eram lindas, charmosas, andavam sempre ‘na moda’ de minissaia”. Fala do Baile da Chita, que era só animação, da orquestra que abria o baile, da música Rosinha de Proprá, símbolo do baile, na escolha da rainha da chita e da farra que terminava na casa da eleita. Jair não se esqueceu da rapaziada de PJ. E cita vários garotos da época. E lembrou ainda  que PJ, com pouco mais de 7 mil habitantes, tem uma história de mais de 180 anos.


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