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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 850 / 2015

04/12/2015 - 20:36:28

Maceió e seus 200 anos de história

Edberto Ticianeli Jornalista
Avenida da Paz no início do século XX

O registro mais antigo sobre Maceió remonta a 25 de novembro de 1611, quando foi lavrada uma escritura em que o alcaide-mor de Santa Maria Madalena (Marechal Deodoro), Diogo Soares, doa uma sesmaria a Manuel Antônio Duro medindo 800 braças e se estendendo até encontrar o Rio Mundaú.

O beneficiário da doação já era morador da Pajuçara, onde tinha uma “casa de telha” e, pelos critérios adotados pela corte portuguesa, deve ter sido uma pessoa de posses suficientes para explorar e investir na sesmaria.

Após passar pelas mãos de outros proprietários e ter as suas terras divididas, Maceió voltou a ser objeto de preocupações da monarquia lusa somente após a ocupação holandesa, quando, em 1673, D. Pedro II decide que deveria ser povoada e o Porto de Jaraguá fortificado, fato que só ocorreria na década de 1820, quando Mello e Póvoas já governava a província.

O primeiro núcleo urbano da futura Maceió surge no início do século XVIII a partir do Engenho Massayó, do qual não se sabe quem era o seu proprietário e nem a sua exata localização, que pode ter sido na hoje Praça D. Pedro II ou em uma área mais próxima do Riacho Massayó, o sofrido Salgadinho.

Entretanto, não foi o engenho que fez Maceió ganhar importância como povoado. No seu livro Interpretação da Província, Dirceu Lindoso avalia que o desenvolvimento da cidade se deu por ser “o caminho que ligava as terras úberes do vale do Mundaú, por meio da lagoa do Norte, ao porto natural de Jaraguá”.

Para Lindoso, “foi como caminho de exportação de açúcar e de madeira dos vales palmarinos que Maceió guardou a importância de chegar, em 1839, a capital”. Cícero Péricles, no livro Formação Histórica de Alagoas, lembra que essas mercadorias eram levadas ao ancoradouro de Jaraguá, que era preferido pelos navegadores.

“O açúcar, o algodão, o fumo, os cereais, as madeiras de construção civil e naval, a farinha de mandioca e os couros eram os produtos que vinham do centro em demanda ao litoral, em carros de bois e comboios de bestas, guiados por escravos de confiança, escolhidos a dedo para a almocrevia”, confirma Craveiro Costa no livro Maceió.

Um fator, entretanto, foi decisivo para o crescimento da movimentação no Porto de Jaraguá. Em janeiro de 1808, D. João VI decreta a abertura dos portos brasileiros às nações amigas, principalmente para os ingleses, que não demoraram a instalar escritórios e depósitos nos melhores portos do país.

Assim, cresce o movimento portuário em Jaraguá, trazendo benefícios imediatos para o povoado de Maceió, que vê ampliar o seu comércio e sua rede serviços. Como consequência dessas mudanças, a Vila de Alagoas, cabeça da comarca, assiste com despeito o Porto dos Franceses ser praticamente desativado, anunciando a decadência econômica da futura Marechal Deodoro.

DESMEMBRAMENTO

A alteração do polo econômico exportador para Maceió e desenvolvimento do povoado logo criaram uma nova realidade, que foi percebida pelo ouvidor Antônio Ferreira Batalha, que em 1915 apresentou informe à Mesa de Desembargo do Paço avaliando que Maceió tinha direito aos privilégios de vila. O pleito foi acatado pela Mesa, que levou a proposta à coroa. 

O príncipe regente do reino, D. João VI, deferiu o pedido, assinando o alvará no dia 5 de dezembro de 1815. O foral definia que a área “até o rio Santo Antônio Grande e Mundaú” ficava desmembrada da Vila das Alagoas. Os limites de Maceió se estendiam até Murici. 

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