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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 850 / 2015

04/12/2015 - 20:25:41

Moradores reclamam de fedentina por esgoto em Cruz das Almas

Bocas de lobo transbordam há mais de uma semana causando transtorno à população

Maria Salésia [email protected]
Além da poluição, mosquitos se proliferam nas ruas afetadas

Moradores das ruas José Lourenço de Albuquerque, Minervino Pimentel e Carlos Lobo, no bairro do Cruz das Almas, em Maceió, reclamam do transtorno que o vazamento das “bocas de lobo” (caixas que coletam águas pluviais) tem causado naquela localidade. Há cerca de uma semana o esgoto transbordou e a fedentina e mosquitos tiram o sossego de quem reside por lá. 

As ruas ficam alagadas por causa do vazamento da boca de lobo e o esgoto que escorre vai parar na galeria de águas pluviais. Assim, quem frequenta as praias de Cruz das Almas, Jatiúca e Ponta Verde está tomando banho de esgoto ao entrar no mar. Outro problema enfrentado pelos moradores é que algumas residências foram mais afetadas a ponto de uma casa onde um dos vazamentos fica em frente já ter o quintal alagado.

Ana Luiza Reis, que mora desde 1994 em uma das ruas afetadas, disse que o problema começou na quarta-feira da semana passada e de lá prá cá tem ligado constantemente para Casal (Companhia de Saneamento de Alagoas), mas que nenhuma providência foi tomada, apesar da promessa de que em até 48 horas seu pedido seria atendido. Ela reclama que esta é a primeira vez que o problema acontece e cobra providências por parte dos órgãos competentes. Segundo ela, o local sempre foi saneado, mesmo quando ainda não era asfaltado. ”Sou portadora de bronquite asmática, algumas crianças e até bebês moram na vizinhança e tememos por nossa saúde. É insuportável ficar na rua. Até dentro de casa inalamos o mau cheiro”, reclamou, ao acrescentar que é uma falta de respeito com o cidadão que paga seus impostos e o poder público não cumpre seu papel. 

De acordo com moradores, é impossível transitar pelo local, seja a pé ou com veículos. Segundo Messias Gomes, que trabalha nas imediações, as bocas de lobo existentes nas ruas não conseguem dar vazão ao volume de água, provocando o alagamento. “O mau cheiro e os mosquitos atrapalham bastante. Tem hora que é praticamente impossível ficar por aqui”, disse o trabalhador. Outro morador que passava no local se limitou a dizer que estão mexendo nas tubulações das ruas e questionou. “É saneamento, né? Isso é Maceió”, criticou.

Casal resolve parte do problema e pede que os reclamantes acionem seu call center

O diretor-presidente da Casal, Wilde Clécio Falcão de Alencar, através de sua assessoria,  informou que o  serviço para retirada do vazamento de esgoto na Rua José Lourenço de Albuquerque (rua da igreja Rosa Mística), em Cruz das Almas,  foi realizado na terça-feira (1º de dezembro). Quanto ao problema de esgoto na rua Minervina Pimentel, no mesmo bairro, a Casal não possui nenhum registro sobre essa situação e pede que os moradores dessa rua entrem em contato com o call center, pelo número 0800 082 0195, e informem o ocorrido. No entanto, é necessário que o morador que fizer a ligação esteja de posse do número de matrícula constante na fatura.

O diretor esclarece que as obras existentes nas proximidades não são da Casal e sim da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra) e fazem parte do sistema de esgotamento sanitário. “A Casal só vai operar o esgotamento sanitário após a conclusão dessas obras”, disse Falcão.

Quanto às línguas negras ou “línguas sujas”, o diretor afirmou que elas são provenientes das galerias de águas pluviais, que são operadas pela prefeitura. “A Casal opera unicamente as redes coletoras de esgoto. A maior parte da cidade de Maceió não dispõe de rede de esgoto, mas possui redes de águas pluviais e cursos de água, que recebem dejetos e todo tipo de material poluidor, que deságuam nas praias. Os riachos Salgadinho e Águas Férreas são exemplos de cursos de água que chegam às praias formando ‘línguas sujas’. Essas fontes poluidoras são antigas e o responsável por fiscalizar e combater os agentes poluidores das galerias e cursos de água é a Prefeitura de Maceió”, afirmou . 

Segundo Falcão, a Casal assume a responsabilidade pelos transbordamentos de esgoto na região da bacia da Pajuçara, problema que já está sendo combatido com limpeza e desobstrução dos pontos mais críticos dos coletores. “A solução definitiva é a construção de um coletor paralelo ao existente, também chamado de linha expressa, entre as praças Lions (Pajuçara) e 13 de Maio (Poço), cujas obras já foram iniciadas e devem ser concluídas nos próximos meses pela Secretaria de Estado da Infraestrutura”, concluiu o diretor da Casal. 

NA MIRA DA PF

No início desta semana a Casal foi multada por poluir a Lagoa da Anta, na Jatiúca. É que o transbordamento de esgoto jogado nos poços de visita da companhia teria causado a mortandade de peixes naquela lagoa. A denúncia foi feita pela Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma) após o secretário David Maia ser acionado pelo gerente do hotel em que a lagoa passa e constatar o dano.

Mas esta não é a primeira vez que a companhia sofre advertências. Em abril desse ano, uma mancha escura que apareceu no mar da Jatiúca deu o que falar e a Polícia Federal entrou no caso. Na ocasião, a PF constatou dano ambiental com lançamento de esgoto ao mar, comprovando o crime ambiental.

Em relação a este problema, o delegado em exercício, André Santos Costa, informou, através de sua assessoria, que a investigação está em andamento, mas o processo corre em segredo de Justiça. Ele acrescentou que em breve a sociedade saberá o resultado, através da imprensa, mas sem data prevista.

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