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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 850 / 2015

04/12/2015 - 20:17:17

Pedro Oliveira: O Brasil está podre

Pedro Oliveira

Está mais do que provado que a política é um jogo sujo e que a maioria dos políticos brasileiros deveria estar no mesmo lugar em que se encontra o senador petista Delcídio do Amaral: a cadeia. Não pode e nem deve apenas ele pagar o alto preço e a ameaça de perda do mandato quando muitos de seus companheiros de plenário, as mais destacadas cabeças do Congresso Nacional, cometeram crimes bem maiores do que o seu; apenas tiveram a sorte de não ter suas conversas gravadas. Os negócios feitos nos principais gabinetes da Câmara e do Senado, os acertos de propinas, fraudes em licitações e corrupção explícita, fazem parte do cotidiano de um Brasil que precisa ser virado pelo avesso, do contrário sucumbiremos todos. 

Não resta dúvida que a corrupção que se implantou desde o início do governo petista é a maior da história política brasileira. Foi escancarada no governo Lula e aumentou de proporção na gestão de sua sucessora Dilma Rousseff. É perfeitamente cabível a frase: “O PT não inventou a corrupção mas a institucionalizou e fez dela um programa de governo”.  

O instituto da corrupção não se restringiu aos imundos gabinetes do Congresso Nacional, subiu a rampa do Palácio do Planalto, fez moradia nas alcovas do Palácio da Alvorada e ganhou ministérios, autarquias e as mais poderosas empresas do país, roubando descaradamente bilhões principalmente dos que mais precisam. Faltam escolas, hospitais e assistência digna para os brasileiros, mas jamais faltou muito dinheiro para ser roubado dos cofres públicos pela maior e mais atrevida quadrilha da nossa história. A grande maioria dos nossos políticos adotou fielmente a máxima do grande Sérgio Porto, mudando apenas um pouco o sentido de sua célebre frase para “Para que instaurar a moralidade? Nos locupletemos todos”. 

A “cleptocracia” petista

A declaração me deixou pasmo, chegando a repetir o áudio mais de uma vez para me certificar de que era isto mesmo que estava ouvindo. O autor das palavras não era um jornalista, um cientista social ou mesmo um político de oposição. Era nada menos que um ministro da mais alta Corte de Justiça bradando em uma entrevista aos principais jornais e televisão do país dizendo:

“O partido arrecadou muito dinheiro captado nesse modelo que está sendo revelado na Lava Jato. O que atrapalhou todo esse projeto, que era a consolidação do grupo no poder foi a Lava Jato, que estragou tudo. O plano era perfeito, mas não combinaram com os ‘russos’”.  

E prosseguiu o ministro Gilmar Mendes: “Toda essa estrutura que eles montaram em torno desse projeto de governo eterno. Na verdade o que se instalou no país nesses últimos anos e está sendo revelado na Lava Jato é um modelo de governança corrupta, algo que merece o nome claro de ‘cleptocracia’”. 

Olho por olho, o 

troco de Cunha

Tão logo o presidente da Câmara confirmou que a bancada petista votaria pela sua cassação no Conselho de Ética deu o troco de imediato ao governo anunciando que tinha início o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Ele disse que rejeitou 34 pedidos por não atenderem a diversos requisitos formais e legais, mas encontrou todas essas formalidades cumpridas no segundo pedido de impedimento presidencial assinado pelo jurista Hélio Bicudo – juntamente com outros dois juristas, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal.

No Palácio do Planalto já se preparam os argumentos jurídicos contra o impeachment. A ideia é recorrer ao Supremo Tribunal Federal para suspender o processo. Um dos argumentos é que o processo estaria comprometido, entre outras coisas, por um “vício de origem”: a utilização do impedimento presidencial como instrumento de barganha política.

O “bonzinho” PSDB

Na oposição, parlamentares do PSDB se apressaram a declarar que a decisão do presidente da Câmara era “unilateral” e que não teve nenhuma discussão prévia com o partido. “Não temos diálogo com Cunha, queremos que ele seja investigado”, disse um deputado tucano. Cunha é acusado, entre outras coisas, de manter no exterior contas de mais de US$ 5 milhões não declaradas à Receita Federal e de receber propinas do banqueiro André Esteves, dono do banco BTG Pactual, atualmente preso por envolvimento na Operação Lava Jato. O candidato derrotado por Dilma nas últimas eleições, Aécio Neves, torce ardorosamente pela cassação, mas dá uma de bom moço e tira o corpo fora em uma encenação hipócrita, muito própria dos tucanos.

O rito do impeachment 

O processo de impeachment tem início formal com a publicação no Diário da Câmara da decisão do presidente da Câmara dos Deputados acatando o pedido o que ocorreu ontem (quinta-feira). 

Depois de ser acolhido pelo presidente da Câmara, o pedido precisa ser analisado pelos deputados. Para que o processo continue é necessário o apoio de pelo menos dois terços da Câmara (342 deputados). Aprovado na Câmara, o processo é encaminhado ao Senado, onde precisa ser votado em até 180 dias. Nesse período, a presidente fica afastada do cargo. Os senadores votam em sessão conduzida pelo presidente do Senado, com discurso de acusação e defesa. Para que o impeachment seja aprovado, são necessários 54 votos (dois terços). Se o pedido for aprovado, a presidente perde o mandato e pode ficar inelegível por oito anos. Nesse caso, assume a Presidência da República o vice-presidente.

Poderá acontecer tudo. 

Inclusive nada

Embora embasado em fortíssimos argumentos jurídicos, o processo de impeachment é inteiramente de caráter político e são exatamente os deputados e senadores e não os juristas que decidirão o destino da presidente. Foi assim com Fernando Collor e assim será com Dilma, que leva uma enorme vantagem: tem ampla maioria no Congresso Nacional e fôlego político e de barganha para convencer os descontentes.Tem tudo para entregar o seu governo para que outros governem e assim fará para não perder o cargo. O seu principal aliado é o presidente do Senado, Renan Calheiros, que, comprometido com processos que poderão levar também à sua cassação, sabe o “caminho das pedras” e tentará se salvar a qualquer custo. O quadro no Parlamento mostra que é muito difícil Dilma cair, mas os próximos dias serão de muita agitação e agonia no Palácio do Planalto, torcendo por um fim sem tragédia no processo de impeachment.

O ridículo de ser 

O folclórico e escalafobético deputado João Henrique Caldas, que simplesmente adora uma câmera de televisão e um microfone para aparecer, após dar vexame com uma ação despropositada e desrespeitosa na cidade de Murici, agredindo o prefeito Remi Calheiros, agora apronta mais uma, sempre na vaidosa e doentia vontade de ser notícia. 

Quando deputado estadual propôs e seus pares aceitaram a criação do Dia do Evangélico. Até aí tudo bem, mas estabelecer como feriado estadual é burrice, loucura ou irresponsabilidade. O governador Renan Filho não só vetou o artigo como não reconheceu a legitimidade de um feriado ridículo e inaceitável. Já imaginou se todas as religiões e seitas também buscassem a isonomia de tratamento? Cumprimentos ao governador pelo respeito à moralidade e à legalidade, sem se preocupar com os devaneios ou sandices de um deputado de pouca serventia.

Frase final

“O povo precisa ganhar as ruas e dar seu grito para mudar o Brasil. Do contrário será o mais sacrificado pelas ações dos corruptos. Reage Brasil!”

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