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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 850 / 2015

04/12/2015 - 19:55:15

Os velhinhos pedem socorro!

Alari Romariz Torres
Alari Romariz Torres

O país inteiro está em crise! Passamos recentemente pelo Rio de Janeiro e por Fortaleza, conversamos com vários amigos e o assunto é o mesmo: corrupção, demissões, inflação, contas públicas deficitárias, sofrimento do povo.

Em Pernambuco não se fala também em outra coisa e até os presentes de Natal em 2015 vão ser bem baratinhos ou deixarão de existir.

A “presidenta”, que se elegeu numa campanha milionária, já se refere a mais cortes no orçamento. Ministério da Defesa incluído. As Forças Armadas, com armas obsoletas, dentro em pouco usarão bombas de São João.

Só em Alagoas os políticos não perceberam a gravidade do problema: no Legislativo, a Mesa Diretora paga salários dobrados a 700 comissionados, desconta imposto de renda dos servidores e fica com o dinheiro, não repassando ao Estado. Ainda tem fôlego para contratar uma auditoria por um milhão e meio de reais. Os deputados vivenciam outra realidade!

Em compensação, os parlamentares que dirigem a Assembleia Legislativa de Alagoas deixaram de pagar os salários dos aposentados em novembro. Tiveram direito a receber sua renda mensal: deputados, comissionados e os servidores ativos. Os velhinhos, com mais de 60, 70 anos, muitos doentes, gastando fortunas com médicos e remédios, ficaram dependendo de um projeto aprovado “às pressas” pelos deputados, dando ao governador o direito de usar o Fundo Previdenciário.

Procurei saber de onde vinha o dinheiro para o tal fundo. Vem de nossos salários, descontados mês a mês, repassado para o AL Previdência e que só deveria ser usado para pagamento de pensionistas e aposentados. Mas em Alagoas pode tudo! Basta o governador querer e os deputados aprovarem! Não precisa ser ilegal, inconstitucional ou coisa que o valha! É um passe de mágica! Nossos políticos são insaciáveis! Poder e dinheiro são a mola mestra da ALE.

No dia 27 de novembro, os apadrinhados receberam salários e os inativos começaram a lutar para saber o que estava ocorrendo. “É questão de rubrica”, dizia o vice-presidente. E o primeiro-secretário, o novo dono do Legislativo, chamava a presidente da Associação dos Aposentados para dizer intempestivamente: “Vocês estão no AL Previdência, já resolvemos tudo, não terão prejuízos”. Sem planejamento, sem enquadramento, sem nada. Jogados como se lixo fossem. Pessoas que trabalharam durante 30, 40 anos. Uma total falta de respeito!

O presidente do Legislativo nem aparece! Tudo quem resolve é o primeiro-secretário, da maneira que lhe convém, desrespeitosamente.

Eu queria ser uma formiguinha para escutar o que esses homens dizem a seus familiares, porque mais da metade dos velhinhos são parentes próximos dos homens eleitos pelo povo para nos representar. “Sim, mamãe, diria um deles, seu salário virá lá para o dia 2 de dezembro; o meu, eu já gastei. Vamos tirar dinheiro do Fundo Previdenciário e tudo será resolvido”.

É assim que sobrevivem os aposentados do Legislativo alagoano. De sustos! De migalha em migalha, de restos, de negociações ilegais realizadas pelos homens do povo. E nada acontece com eles!

O orçamento da ALE vem sendo aprovado há vários anos e quando chega novembro o dinheiro acaba. E começa o “é dando que se recebe”. O governador precisa dos deputados para aprovarem projetos de interesse do Estado, os parlamentares precisam do jovem governador para pedirem subvenção. E nós, servidores, ficamos de boca aberta, esperando os salários de fim de ano.

O dinheiro foi gasto indevidamente, ninguém sabe em que e porque. Nenhum político é castigado, os valores desviados não são devolvidos e os fatos errados vão se repetindo, ano a ano.

Só nos resta pedir socorro às autoridades constituídas. Se não formos atendidos, morreremos à míngua ou do coração, como quase aconteceu com um colega nosso nesta semana.

Só Deus na causa!

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