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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 850 / 2015

04/12/2015 - 19:52:46

Perplexidade, constrangimento e temor

Cláudio Vieira
Cláudio Vieira

A sessão do Senado, na quarta-feira (25/11), exsudava esses três sentimentos eminentemente humanos. A sensação era que haviam brotado do mais recôndito interior dos senadores, a psiqué, tornando-se físicos, palpáveis. A palidez facial de muitos dos senadores, até mesmo daqueles mais afoitos e agressivos, era notável. Alguns desses guardavam silêncio aturdido; outros verberavam nos microfones. O Presidente da Casa brandia eloquente, mas em raciocínio insustentável, a independência dos Poderes malferida, segundo ele, pela decisão do Supremo Tribunal Federal determinando a prisão um dos seus Pares, o Senador Delcídio do Amaral:

1.A perplexidade – desde a Constituição de 88, um senador jamais  houvera sido preso, quando no exercício do mandato. A imunidade assegurava a todos aqueles dignos parlamentares o cometimento livre de crimes, o Judiciário devendo quedar-se inerte ante quaisquer, mesmo as mais óbvias, evidências de delito. Em suas palavras, o Presidente Renan Calheiros defendeu atiladamente o privilégio e o colega, em discurso no qual havia mais de esperteza do que de inteligência e saber jurídico.

2.O constrangimento – O que dizer à Nação? Desautorizar o STF, diante de tão fortes provas? Afinal, um dos seus fora pego com a mão na botija. Atender, pois,  aos insensatos apelos do Presidente do Senado seria suicídio político, como bem viria a frisar o líder do PT. Aliás, o próprio congressista presidente, após increpar a atitude do Judiciário e defender o voto secreto produzindo inconsequente e sacrílega interpretação do texto constitucional, ladinamente jogou nas mãos dos senadores a decisão de esconderem-se no segredo do escrutínio. Foi esse constrangimento que orientou a decisão do Parlamento: os eleitores deveriam saber como votavam os seus representantes. Viva a democracia! Vitória da Nação!

3.O temor – Eis a razão das faces exangues. O privilégio desmoronara! Afinal um senador – e via de consequência, os demais membros de parlamentos- poderiam ser presos, a flagrância permanente dos crimes continuados autorizando o Judiciário a recolher à prisão os infratores de alto coturno. Eles todos, a partir daquela quarta-feira histórica, estariam sujeitos aos novos e republicanamente saudáveis humores da Justiça, que afinal aplicara o republicano princípio da igualdade perante a lei.

Com a severa atuação do STF, que a Nação majoritariamente aplaude, estará no fim o cometimento de crimes por políticos? Provavelmente ainda não, haja visto que, apesar do mensalão, do petrolão e de outros esquemas, os delinquentes continuaram a atuar no meio político.  Todavia, malgrado a natureza criminosa de muitos políticos, que foi um bom começo... ah, isso foi!

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