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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 849 / 2015

02/12/2015 - 12:05:00

Senac de Arapiraca pode não sair do papel devido à briga no Sistema Fecomércio

Nomes conhecidos da política alagoana querem cargos na diretoria

José Fernando Martins Especial para o EXTRA

Com um investimento inicial de R$ 17 milhões, a unidade modelo do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comeercial) em Arapiraca está ameaçada de não sair do papel devido aos recentes impasses jurídicos com que o Sistema Fecomércio (Federação do Comércio) de Alagoas se deparou na última semana. O pedido de afastamento da atual diretoria, além da batalha judicial das partes envolvidas, pode prejudicar os processos administrativos e licitatórios para a construção da unidade que atenderá 52 municípios do Agreste alagoano. A estimativa é de que as obras do empreendimento comecem em março do ano que vem, caso contrário, o terreno cedido pela prefeitura corre o risco de ser requerido.

A unidade modelo do Senac tem a proposta de levar cursos para qualificação de pessoas nas áreas de gestão, gastronomia, moda, costura, entre outras atividades profissionais que requerem mão de obra especializada para atender o comércio e empresas do município.  O projeto consiste em uma estrutura de 22 salas, 10 laboratórios, biblioteca, área de convivência e administrativa. Serão atendidos anualmente mais de 20 mil alunos em toda região.

Desestabilizados com as notícias de uma intervenção, a insegurança tomou conta dos funcionários de todo o Sistema Fecomércio. Muitos temem pela palavra “desemprego” em plena festividade de fim de ano. Enquanto isso, o setor jurídico do atual gestão se mune de comprovações e documentos para se defender da antecipação de tutela concedida em Ação Popular movida por Hudson Cavalcante Medeiros, vice-presidente do Sindicato de Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos (Sincofarma), que acusa a diretoria, encabeçada pelo empresário Wilton Malta, de fraude eleitoral para prorrogação de mandato, pagamento irregular de diárias e desvio de recursos.

As acusações pegaram a diretoria de surpresa, uma vez que as últimas eleições ocorreram no ano passado. Para o advogado do Sistema Fecomércio, Geraldo Amorim, é de causar estranheza a atitude do sindicalista que só entrou na justiça alegando irregularidades “um ano após do pleito”. “Tudo não passa de uma chicana armada para interesses próprios”, disse o advogado. Usada na advocacia, a palavra “chicana” geralmente descreve tanto abuso dos recursos de formalidades da justiça quanto a apresentação de argumentos com base num detalhe ou num ponto irrelevante. 

A intervenção foi determinada na quarta-feira da semana passada pela juíza da 6ª Vara Cível da Capital, Maria Valéria Lins Calheiros. Na decisão, a magistrada ainda nomeou o advogado e atual secretário adjunto de Finanças de Maceió, José Lages Júnior, como interventor pelo prazo de seis meses. No entanto, no último domingo, 22, o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), Washington Luiz Damasceno Freitas, concedeu liminar suspendendo, mesmo que parcialmente, a decisão que afastou a mesa diretora da Fecomércio.

Sobre a denúncia de fraude nas eleições, o advogado Geraldo Amorim rebateu dizendo que “a decisão da juíza Maria Valéria Lins Calheiros afeta e atinge diretamente a esfera jurídica de terceiros que não foram chamados a responder e defender-se das imputações, o que denota a impossibilidade de desenvolvimento válido do processo”. Quanto à acusação de irregularidades nas últimas eleições, Amorim declarou que “à época todos detinham plena aptidão para serem votados e para votar, tanto que não houve nenhuma impugnação”. 

A atual diretoria, ainda de acordo com o advogado, está tranquila no que se refere às denúncias de desvios de recursos e pagamentos irregulares de diárias. Amorim informou ao EXTRA que todas as contas foram aprovadas podendo assim comprovar sua legalidade e idoneidade em juízo. 

SOLIDARIEDADE

A briga judicial ultrapassou o TJ e foi parar na Assembleia Legislativa.  Os deputados Ricardo Nezinho (PMDB), Rodrigo Cunha (PSDB), Tarcízo Freire (PSD), Edval Gaia (PSDB) e Ronaldo Medeiros (PT) demonstraram apoio ao presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac Alagoas, Wilton Malta, na tarde da terça-feira, 24, durante a sessão plenária.

“Conheço Wilton Malta muito bem e sei que ele é um homem simples e correto, orgulhoso de ser arapiraquense”, disse Nezinho. Tarcízo Freire também se pronunciou, deixando claro sua opinião sobre o presidente da entidade. “É um homem de bem, uma figura do povo. Fiquei indignado com essa tentativa de desestabilizar sua liderança”, disse.O líder do governo, deputado Ronaldo Medeiros, enfatizou sua admiração pelo trabalho realizado na Federação do Comércio de Alagoas. “É uma instituição transparente que sempre contribuiu e continua contribuindo para o desenvolvimento de nosso Estado”, concluiu.

NOS BASTIDORES

O EXTRA apurou que o staff para substituir a diretoria já estava montado e o assunto tomou conta dos corredores de sindicatos que compõem a federação. Entre os nomes estão: um ex-candidato a vereador, um presidente de associação, amigos da ex-diretoria da Fecomércio e um ex-secretário do governo de Teotônio Vilela. Indagada sobre os possíveis nomes, a assessoria de imprensa do Sistema Fecomércio alegou desconhecer tal articulação e que não iria se pronunciar sobre o assunto. 

 

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