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Edição nº 849 / 2015

02/12/2015 - 00:00:00

A indústria da multa

JORGE MORAIS Jornalista

Com esse mesmo título já escrevi outro artigo, aqui, para o semanário EXTRA, me referindo ao tratamento dado aos turistas em pleno final de ano em visita a Maceió. Na orla da cidade, por exemplo, não existem estacionamentos suficientes, nem locais permitidos para atender aos nativos e aos visitantes. Com isso, os agentes de trânsito chegam aos montes para multar, discutir e tratar sem educação os chamados infratores das leis de trânsito. Final do ano está chegando e vai ser a mesma coisa.

Nada vai mudar.Pois bem. Nunca fui, nem serei jamais, favorável ao errado. Aprendi na vida que certo é certo, errado é errado. Portanto, não me cabe agora, já depois dos sessenta anos, achar que tudo na vida eu posso fazer e que as outras pessoas possam ter direitos que não lhes cabem. No entanto, mesmo achando que essas pessoas não estejam com a razão, acho, também, que não se pode tratar o caso que vou relatar com segundas intenções.

No domingo (22), tive a infelicidade de visitar a Bienal Internacional do Livro, que até este final de semana está ocorrendo no Centro de Convenções Ruth Cardoso, no Bairro do Jaraguá. Em relação ao evento, tudo muito bem organizado. Acima da minha expectativa até. Muita gente dentro e do lado de fora do local do evento. No estacionamento, enorme por sinal, não cabia nem uma moto, imagine carro.Para chegar ao Centro de Convenções não era menos de meia hora de engarrafamentos, por todos os lados que você tentasse.

Com isso, como se tratava de um evento cultural - com muitas crianças ansiosas para comprar livros, idosos que vinham de todos os lados, ônibus chegando a todo instante do interior e pessoas apressadas circulando pelas calçadas - e sem lugar para todos estacionarem também do lado de fora, a opção foi algumas calçadas largas na rua do trilho e adjacentes, próximas à sede da Polícia Federal.

Sabe o resultado disso? A indústria da multa funcionou ferozmente contra aqueles “infratores” das leis do trânsito, estacionados nos lugares proibidos, as calçadas. Mesmo que não estivessem prejudicando ou atrapalhando o ir e vir dos pedestres na área. Não foi o meu caso. Não fui prejudicado, não fui multado, não tenho, pessoalmente, nada a reclamar.

Estacionei em local permitido, mas estou tomando as dores das outras centenas de pessoas que foram multadas.Duas ou três viaturas, quase uma dezena de agentes de trânsito, em pleno domingo, depois das 18h, com as maquininhas nas mãos, só digitando e apertando no “enter”.

E isso, pelas feições de cada um, com uma satisfação de fazer inveja. Parecia mais um prêmio, um bilhete da loteria. De ponta a ponta da avenida e das ruas próximas a ação era a mesma. Parecia coisa orquestrada, combinada.Nessa situação vejo e analiso todos os lados. O lado de quem está ali estacionado por falta de opção e a necessidade do lazer: visitar uma feira de livros. A cultura, em muitos casos, para um povo que não tem condição de visitar e comprar nas livrarias no seu dia a dia. Tudo muito caro. Naquele local, a tentação são os preços baixos: 5,00, 10,00 ou 20,00 reais. Até por menor valor, encontramos.

Por outro lado, os homens da lei. Agindo em nome de outra indústria: a da multa para os infratores. Será que nesse momento não tem como existir um meio termo? Será que os agentes de trânsito não conseguem avaliar o que é errado e está atrapalhando do que é errado e causa problemas? Será que eles só são orientados para cumprir a lei, doa em quem doer?Não era um show que estava sendo realizado naquele local. Seja em respeito aos turistas, que gastam e sustentam a cidade com a indústria sem chaminé, seja num evento como esse, cultural, acho que o bom senso ainda deveria prevalecer, com todo respeito à lei.

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