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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 849 / 2015

02/12/2015 - 00:00:00

JORGE OLIVEIRA

PT protege Cunha

Vitória - O Cunha não tem mais condição moral de conduzir os trabalhos na Câmara dos Deputados. Não consegue, por mais que tente, justificar a dinheirama na sua conta na Suíça. Gasta milhões com advogados para dizer que vendia enlatados para países da África, daí a fortuna depositada lá fora.

Tenta manipular os trabalhos na comissão que analisa a sua cassação e diz que mandou apurar as ameaças contra o relator do processo que vai investigar a sua conduta para decidir se pede ou não a cassação do seu mandado, acusando-o de mentir ao negar, na CPI da Petrobras, que não tinha um tostão em bancos no exterior. Se o ambiente na Câmara dos Deputados fede, a catinga também já atravessou a Praça dos Três Poderes e está contaminando o Palácio do Planalto. Lá, a Dilma espera ter os bens indisponíveis depois que o TCU anunciou que vai responsabilizar os conselheiros da Petrobras pelo rombo de 3 bilhões de reais na compra da refinaria de Pasadena, no Texas.

Cada vez mais o cerco se fecha contra a presidente. O tribunal lembra que ela era a presidente do conselho na época da compra, portanto, é responsável pela negociata. Além disso, delatores falam da pressa (24 horas) da reunião do conselho para deliberar sobre a compra, o que normalmente levaria de quinze a vinte dias para tal procedimento.Para salvar a pele da Dilma e evitar seu expurgo do governo, o compa-nheiro Lula entrou em cena como um messias. Primeiro organizou sua tropa de choque na Câmara e exigiu que os deputados do partido protejam seu mais novo amigo, o Eduardo Cunha.

Ele acha que o presidente da Câmara é inocente e que a “imprensa golpista” é responsável pela campanha difamadora contra seu amiguinho. É o mesmo argumento fantasioso que ele usa para defender os meliantes petistas presos por roubar os cofres públicos.Na verdade, Lula joga a última cartada. Precisa que Cunha permaneça no cargo para evitar o andamento do impeachment. Ele sabe que a queda da Dilma pode levar ele e mais alguns de seus companheiros para a cadeia. Por isso, insiste nessa aliança espúria condenada até por alguns de seus parceiros de partido.

A Dilma, coitada!, que já não governa, permanece cercada pelos áulicos do Lula que passaram a mandar no país desde que o ex-presidente arrancou de lá de dentro o Aloizio Mercadante. Escorraçado, ele foi para o Ministério da Educação le-vando a imagem de arrogante criada por Lula e seus parceiros.Agora, cercada por Wagner, Berzoini e Edinho, a Dilma, enclausurada, pede permissão até para respirar. Ela tem que torcer para o Ministério Público mandar prender o Edinho Silva, seu ministro da Comunicação Social, pra se ver livre da pressão que a atormenta.

Mas, se isso acontecer, Edi-nho pode abrir o bico e dizer para onde foram os R$ 7,5 milhões que ele arrancou de uma empreiteira que prestava serviço à Petrobras sob ameaça do cara ficar sem obras na estatal. Se isso acontecer, Edinho seria o terceiro tesoureiro do PT a entrar em cana. Dividiria a cela com os companheiros Vaccari e o Delúbio que já não pagam hospedagem e alimentação. 

Contaminação

Veja que coisa assustadora: a corrupção contaminou todos os poderes do país. E o partido que zelava pela ética, o antigo PT, agora vive de armas nas mãos para defender Eduardo Cunha que carrega nas costas as mais graves acusações de corrupção. 
PopulismoEsta semana, o eleitor sul-americano começou a tomar consciência de que o populismo e a demagogia na política estão ficando para trás. Foi às urnas e mandou para casa a corja da Cristina Kirchner que mandou na Argentina por mais de dez anos. Os nossos los hermanos começam a desinfetar o país com a vitória de Maurício Macri. 


Conversa mole

A conversa do Lula com o jornalista Roberto D’Ávila, na Globonews, não passou de um lero-lero de botequim. O ex-presidente, achando-se o rei da cocada preta, vomitou um monte de verborreias para tentar convencer os brasileiros de que o país não foi tomado de assalto pela quadrilha petista sob o seu comando. É inacreditável ainda ver o Lula dizer a lorota de que o Brasil passou a existir depois do governo dele. Antes, o país não passava de uma terra atrasada, com um bando de famintos perambulando pelas cidades, refém dos políticos inescrupulosos. Outra bobagem é de que a democracia plena chegou ao Brasil por suas mãos porque ele conversava com empresários, políticos e até com catadores de papel. Não fez, porém, mea-culpa pelos destroços que causou à economia do país e nem comentou sobre a prisão dos seus principais auxiliares que estão nos presídios respondendo por crimes ao patrimônio público.


Chique

Bem vestido, alinhado, de cabelos e barba pintados de castanho, Lula mostrou-se um pouco nervoso na entrevista. Não parecia muito a vontade quando tinha que responder aos questionamentos sobre o governo atual e tampouco quando perguntado sobre seus filhos envolvidos em maracutaias. Mas como político experiente e acostumado a plateias diversas desde que foi líder sindical, portou-se como se estivesse num ensaio de uma peça teatral. Não passaria imune, portanto, a um detector de mentiras quando disse que não pressionava a Dilma para tirar Joaquim Levy do Ministério da Fazenda.


Atraso

Dissimulado, o ex-presidente quis passar para o Brasil a ideia de que a crise é fruto dos problemas externos. Insinuou que a Dilma deveria voltar à sua política econômica de estimular o consumo para gerar emprego e movimentar a indústria, uma decisão que se mostrou desastrosa para o país. Como não entende patavina de economia, fala coisas irresponsáveis e levianas como as de que os “banqueiros precisavam ganhar mais dinheiro no seu governo para não avançar mais sobre o Estado”. Esse tipo de tolice, na verdade, ele sempre disse. Mas como herdou uma economia estabilizada e a manteve durante o seu governo até a destruição atual, suas palavras se esvaziavam ao vento. 


Bobagens

Agora, ouvir Lula dizer as mesmas bobagens, criar as mesmas metáforas e fazer trejeitos para impressionar o entrevistador, parece-me meio fora de tempo. Não se pode mais desassociar do ex-presidente os seus malfeitos, sua conduta desabonadora e o lamaçal que caiu sobre ele, seus auxiliares e filhos. Por isso, o telespectador ficou certamente com a impressão de estar assistindo um filme épico, velho, desbotado, de película arranhada, onde o rei tenta explicar, sem muita convicção, que perdeu o trono mas promete resistir para reconquistá-lo. E se voltar ao poder, vai trazer novamente momentos felizes e fartura para seus súditos na terra prometida. Promessas vãs, conduta extemporânea, quando se sabe que a América Latina inicia uma assepsia nos governos demagogos e populistas.


Ratazanas

A entrevista do Lula, pelo vazio, não repercutiu. Para quem esperava criar um frisson nos brasileiros, voltou para casa frustrado. Sabe agora que não impressiona mais seus súditos como antigamente. Precisa, antes de tudo, prestar contas à Justiça que apura o seu enriquecimento ilícito e a sua cumplicidade com os meliantes petistas que assaltaram os cofres públicos. A conversa com Roberto D’Ávila deixa nos brasileiros uma convicção: a era Lula, felizmente, está por um fio. E para o bem do Brasil muitos dos seus amigos vão passar um bom tempo na cadeia, remédio amargo, mas necessário para limpar o pais dessas ratazanas.

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